Um novo estudo colocou frente a frente 20 advogados contra um algoritmo. O objetivo foi ver quem era mais rápido e eficaz a detetar erros em cinco contratos.

A ideia da inteligência artificial vir a dominar o mercado de trabalho está, pouco a pouco, a ser desmistificada. Novos estudos, como o da PwC e da CIONET comprovam que a entrada massiva desta tecnologia no mercado vai, contrariamente ao que se acreditava, aumentar o número de empregos disponíveis.

Hoje, a inteligência artificial já é vista como um facilitador das tarefas mais repetitivas. Um exemplo disto é um estudo recente publicado pela Hackernoon onde 20 advogados experientes tiveram de enfrentar o poder do LawGeex AI – um algoritmo especializado. O desafio consistia em rever cinco contratos e aferir quem seria mais rápido e eficaz a detetar erros.

Como seria de esperar, o LawGeexAI venceu. Enquanto que os advogados tiveram uma precisão média de 85%, o algoritmo conseguiu detetar 95% dos erros. No que diz respeito à rapidez, os humanos demoraram 92 minutos a completar o desafio. Já a inteligência artificial foi capaz de terminar a tarefa em apenas 26 segundos.

A partir destes resultados seria expectável que os advogados temessem pelo seu emprego. Afinal, um algoritmo é capaz de fazer o seu trabalho 200 vezes mais rápido do que pessoas com especialização na área. No entanto, o grupo de pessoas que participou no estudo não ficou preocupado com a derrota. Pelo contrário, houve até quem ficasse bastante satisfeito com o bom desempenho do LawGeexAI. A Hackernoon contactou os advogados e recolheu alguns comentários, como:

“A inteligência artificial pode mesmo ajudar os advogados a peneirar estes documentos e a reduzir a quantidade de palavras que ajudam as pessoas a mascarar os problemas centrais” (Zakir Mir);

“Acho que isto ajudaria os nossos clientes a terem acesso a melhores preços e os advogados a focarem-se nos projetos mais complexos” (Samantha Javier);

“Participar nesta experiência abriu-me os olhos para o quão ridículo é os advogados usarem o seu tempo, tal como o dinheiro dos seus clientes, a criar ou rever documentos como acordos de não divulgação, que são fundamentalmente iguais uns aos outros” (Grant Gulovsen);

“Vejo a inteligência artificial e a tecnologia como novas ferramentas entusiasmantes que nos permitem fazer o trabalho entediante mais rápido e eficientemente” (Justin Brown);

Um estudo da McKinsey antevê que 22% do trabalho feito pelos advogados vai ser automatizado nos próximos anos. Apesar do teste com o LawGeexAI comprovar que os números apresentados pela consultora norte-americana são realistas, os advogados parecem não estar preocupados com a nova tecnologia. Em­ vez disso, há quem esteja entusiasmado com a nova ferramenta de trabalho.

A equipa criadora do LawGeexAI não é a primeira a trabalhar em inteligência artificial aplicada ao mundo legal. A Atrium, empresa de Justin Kan, é outra das grandes firmas que promete revolucionar esta área de atividade.

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