Como a generosidade no trabalho, promove positividade, partilha e cooperação entre as equipas. Aproveitando a lenda de São Martinho, escrevo sobre a generosidade no trabalho.

Relembrando a lenda, ocorria o ano de 337, no século IV, e um outono duro e frio assolava a Europa. Reza a lenda que um cavaleiro militar gaulês, chamado Martinho, tentava regressar a casa quando encontrou a meio do caminho, durante uma tempestade, um mendigo que lhe pediu uma esmola. O cavaleiro, que não tinha mais nada consigo, retirou das costas o manto que o aquecia, cortou-o ao meio com a espada, e deu-o ao mendigo.

Nesse momento, a tempestade desapareceu e um sol radioso começou a brilhar. O milagre ficou conhecido como “o verão de São Martinho”. Desde então, por altura de novembro, o ríspido tempo de outono vai embora e o sol ilumina-se no céu, como aconteceu quando o cavaleiro ofereceu o manto ao mendigo.

É uma lenda sobre bondade, generosidade, partilha, ajuda e respeito pelos mais frágeis e vulneráveis. Apesar de lenda, pode ser usada como metáfora no nosso dia-a-dia. Por mais “dura” ou exigente que seja a nossa profissão, nada nos impede de sermos generosos e bondosos para com o próximo. São Martinho, era um cavaleiro militar, vivia e “respirava” guerra, e porquanto, alguém com uma função “dura”, diretiva, assertiva e até de alguma frieza, e, como tal não haveria (supostamente) espaço para “moleza”.

Contudo, São Martinho, demonstrou a sua generosidade e bondade para com o próximo. Acredito que, independentemente da nossa função, posição ou do nosso dia-a-dia agitado, não precisamos de passar por cima de ninguém, ou de “fingir” que alguém ao nosso lado não precisa da nossa generosidade e ajuda genuína.

A sua atitude de generosidade para com o próximo, de forma gratuita, foi um verdadeiro ato de coragem. A função de militar de guerra, por momentos, até poderia ter sido contraproducente. A verdadeira empatia, de se colocar nos “pés do outro”, compreendendo a sua vulnerabilidade, atuou com bondade e generosidade.

Acredito que ser generoso e atuar com bondade, não são atos de “moleza” ou de fraqueza. Bondade e generosidade transportada para o contexto organizacional, é a capacidade de ser aberto para escutar o colaborador, numa sessão de feedback ou num momento de avaliação, ou qualquer outro momento em que precisa de ajuda e apoio, para que juntos possam melhorar a sua relação de confiança e crescimento em conjunto na organização.

Acredito que na liderança deste século, assente nestes valores, princípios e atitudes como fundamentais, para o crescimento de sociedades mais equilibradas e empresas sustentáveis ao longo do tempo.

Bondade significa ajudar as pessoas e orientá-las com firmeza, assertividade, muitas vezes ser diretivo, mas sendo benignos, de forma genuína, bom carácter, humanos, usando a verdadeira empatia. Haverá sempre momento duros, mas devemos ter sempre na nossa mente e coração, a bondade e objetivos nobres.

A bondade e generosidade em ambiente organizacional, significa ajudar o profissional, o colega alcançar melhores resultados, criando uma rede de positividade altamente contagiante na organização.

Para isso, e porque a lenda  é também um exemplo de transformação pessoal, é preciso humildade, coragem e garra para aprendermos a ser uma melhor versão de nós próprios todos os dias.

Bom verão de São Martinho!

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Sobre o autor

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Sónia Jerónimo tem mais de 20 de experiência na área da gestão e liderança de empresas ligadas às tecnologias de informação. Após a sua licenciatura em Economia, iniciou a sua carreira no mundo académico como professora nas áreas de Economia... Ler Mais