Fintech Noh organiza as finanças conjuntas dos casais com recurso a IA
Noh é uma fintech brasileira que apostou num público muito específico: casais que precisam de apoio para gerir as suas finanças conjuntas. Com o apoio de IA prepara-se para escalar o negócio.
Ajudar a organizar a vida financeira de pessoas que dividem despesas, na maioria dos casos casais, foi o ponto de partida para o projeto brasileiro Noh, uma start-up que desde a fundação, em 2022, já faturou milhões.
A ideia de Ana Zucato, fundadora do projeto, começou por centrar-se em casais com finanças partilhadas, com o perfil “double income, no kids, with a dog”. Depois de um período de avaliação para encontrar um modelo de negócio sustentável, a Noh acabou por optar por um modelo de assinatura, em 2023, que acabou por fidelizar os casais.
“Focamos nesse público e entramos na assinatura”, explicou a fundadora. Foi uma alteração que acabou por definir a empresa, na medida em que o público que não pertencia aquele perfil, ou seja, casais, acabou por deixar a plataforma, enquanto os casais permaneceram. Atualmente, a Noh já processou milhões e mantém o crescimento da faturação em cerca de 10% ao mês, segundo a empreendedora.
A start-up também desenvolveu produtos voltados para o planeamento financeiro conjunto. Uma das apostas foram “caixinhas” usadas para separar dinheiro em função de objetivos específicos, como viagens, pets, contas fixas ou despesas do mês. A fundadora da fintech explica que 78% dos casais da plataforma usam essa funcionalidade. Além disso, a Noh também conquistou como sócia, num acordo de media for equity, a influenciadora brasileira Nath Finanças.
Mas a grande aposta estratégica da start-up foi o lançamento de um cartão de crédito pensado casais, com dois cotitulares com os mesmos poderes e direitos. O produto foi apresentado aos utilizadores da plataforma e antes da expansão, a fintech já tinha uma lista de espera perto das 60 mil pessoas, mais do que a própria base da start-up no momento. Recentemente, a Noh apresentou novos cartões e iniciou o lançamento da versão física do produto. Entretanto, foi desenvolvendo “missões” educativas para os casais, incentivando conversas sobre dinheiro e planeamento conjunto antes mesmo do acesso ao cartão. Desde a fundação, a Noh captou aproximadamente 4 milhões dólares e pretende atingir o breakeven ainda neste ano.
Mas o avanço das ferramentas de inteligência artificial mudou a lógica de crescimento da start-up e levou-a a reconstruir a operação com apoio de IA. Assim, mergulhou no chamado vibe coding – movimento impulsionado por ferramentas de IA capazes de acelerar programação, automação e desenvolvimento de produtos. Segundo a fundadora, a companhia refez partes relevantes da estrutura tecnológica e automatizou-se. Hoje, a Noh opera com nove funcionários humanos e sete agentes de IA. A lógica é tratar os agentes quase como integrantes da equipa.
A fundadora da fintech incentivou toda a equipa a experimentar ferramentas generativas livremente e, inclusivamente, criou um orçamento dedicado ao uso dessas plataformas. Ela própria passou a partilhar os bastidores da implementação de agentes e automações dentro da start-up, um movimento acabou por atrair outras mulheres interessadas em inteligência artificial.







