Fora do Escritório: as escolhas do General Partner da Ventures.eu para este verão

Foto: Fernando Ferreira, General Partner da Ventures.eu

Entre os passeios de bicicleta com os filhos, os dias em Seixas, em Caminha, e as leituras que ajudam a pensar mais devagar, Fernando Ferreira, General Partner da Ventures.eu, partilha como procura desligar do ritmo exigente do investimento, manter o equilíbrio e regressar com mais energia.

Quando está “fora do escritório”, o que mais gosta de fazer para desligar?

O que mais me ajuda a desligar é simples: brincar com os meus filhos, de 6 e 10 anos. Enquanto pai de duas crianças nessas idades, aprendi que não há telemóvel nem email que resista à energia deles. Basta chegarem a correr a pedir para jogar à bola ou a inventar uma brincadeira qualquer e a cabeça esvazia-se por completo. Quando estou com eles, estou mesmo com eles. A energia dos meus filhos mantém-me afastado do telemóvel de uma forma que nenhuma disciplina pessoal conseguiria impor.

Há qualquer coisa de terapêutico em brincar sem propósito, sem agenda, sem estar a otimizar nada. É provavelmente o antídoto mais eficaz que tenho para o ritmo do trabalho de investimento, que vive precisamente do oposto: antecipação, análise, decisão constante.

“Se houver um lugar onde realmente descanso é Seixas, no concelho de Caminha, distrito de Viana do Castelo. É a aldeia natal dos meus pais e não é só descanso, é regresso às raízes”.

Qual é o destino, em Portugal ou fora, onde consegue realmente descansar?

Se houver um lugar onde realmente descanso é Seixas, no concelho de Caminha, distrito de Viana do Castelo. É a aldeia natal dos meus pais e não é só descanso, é regresso às raízes.

O que torna Seixas especial é a combinação que oferece. De manhã, a Praia de Moledo, com o Minho a desaguar ali ao lado e o Atlântico a lembrar-nos que estamos no extremo norte do país. À tarde, a Serra d’Arga, com trilhos, silêncio e uma vista que obriga a parar. A combinação da Praia de Moledo com a Serra d’Arga é imbatível: poucos sítios oferecem mar e montanha a poucos minutos de distância um do outro.

Não é um destino sofisticado nem está em nenhuma lista de “lugares para visitar”. É simplesmente o sítio onde não preciso de explicar nada a ninguém, onde a paisagem já faz parte de mim antes de eu sequer chegar.

Há algum livro, podcast, filme ou série que recomende para este verão?

Em livros, sugiro “Same as Ever”, de Morgan Housel. Não é sobre previsões nem tendências, mas sobre aquilo que não muda: como as pessoas lidam com risco, incerteza e dinheiro. Numa profissão em que passamos a vida a tentar antecipar o futuro, é um livro que obriga a parar e a olhar para os padrões que se repetem há décadas. Boa leitura de praia, precisamente porque não exige estar “ligado”.

Em séries, deixo “The Diplomat”. É inteligente, bem escrita, com um ritmo que prende sem pesar e é perfeita para quem quer desligar do dia a dia sem desligar completamente o cérebro.

No fundo, a receita é simples: um livro para pensar em câmara lenta e uma série para relaxar sem desligar de vez.

“Sou da opinião de que desacelerar não significa parar por completo. Por isso, mantenho alguma atividade física durante as férias, e a bicicleta com os filhos é a forma perfeita de o fazer (..)”.

Que hábito mantém durante as férias que o ajuda a regressar com mais energia?

O hábito que mais me ajuda a regressar com mais energia são os passeios de bicicleta com os meus filhos. Sou da opinião de que desacelerar não significa parar por completo. Por isso, mantenho alguma atividade física durante as férias, e a bicicleta com os filhos é a forma perfeita de o fazer: não é treino, não tem métricas nem objetivos, é só pedalar, parar para ver qualquer coisa pelo caminho, voltar a pedalar.

Desacelerar é ótimo, mas é preciso manter alguma atividade física, para o equilíbrio do organismo: corpo ativo, cabeça em repouso.

O que aprendeu de mais importante no primeiro semestre de 2026?

Que é essencial continuar a persistir, apesar das adversidades, que um bom produto acaba por ser reconhecido pelo mercado e pelos potenciais clientes. E, felizmente, conseguimos acabar o 1º semestre com vários novos investidores no fundo e, no último dia de junho, um investimento numa start-up portuguesa de AI que espero que vá dar ainda muito que falar!

Qual foi o maior desafio de liderança que enfrentou nos últimos meses?

Manter a equipa focada, sem desanimar num clima macroeconómico desafiante, marcado pelo conflito EUA/Irão, e pela retração dos investidores.

“2026 iniciou-se com um abrandamento pronunciado no setor em geral, ao contrário do que era a expetativa no final do ano passado”.

Que tendência, oportunidade ou preocupação vai estar no seu radar na segunda metade do ano?

A evolução do investimento em fundos de capital de risco. 2026 iniciou-se com um abrandamento pronunciado no setor em geral, ao contrário do que era a expetativa no final do ano passado. Esperemos que a evolução no 2º semestre inverta a tendência do primeiro semestre do ano.

Como equilibra descanso e responsabilidade quando lidera uma equipa ou uma empresa?

É difícil desligar completamente, mas a menos que ocorram situações imprevistas, o resto da equipa deverá ser capaz de resolver as questões que surjam por si mesma. E, no final do dia, é também um teste à nossa capacidade de criar uma boa equipa.

Que conselho daria a outros líderes para aproveitarem melhor este período de pausa?

É importante desligar, pelo menos por algum tempo do período de pausa. E confiar na equipa!

Complete a frase: Este verão quero…

…recarregar baterias.

O essencial de verão:
Livro: “Tom Lake” de Ann Patchett
Destino: Seixas
Objeto indispensável: Bicicleta
Uma palavra para definir este verão: Presença
Uma ideia para levar para setembro: o final de 2026 há-de ser ainda melhor que o resto do ano

Rubrica Especial de Verão

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