Salvator Mundi, por Leonardo Da Vinci.
Esta era a aparência do quadro mais caro do mundo antes de ser pintado.

Algumas notícias de hoje vêm a reforçar a nossa “cultura do palhaço”. Os artigos estão totalmente de acordo com um trabalho jornalístico e fazem jus a um dos trabalhos mais importantes na sociedade: a da comunicação social. Sou a primeira pessoa a reforçar que a nossa verdadeira liberdade começa apenas quando temos a informação do nosso lado.

Mas tiro algumas notas relativamente ao tom em que estes factos são frequentemente expostos quando o assunto são empreendedorismo e inovação.

Beatriz Quintela, fundadora da “Operação Nariz Vermelho” e uma pessoa de enorme coração e ser, uma vez disse me: “Sabes porque é que as pessoas se riem dos palhaços?”

É algo tão automático na nossa definição de humor que não tinha qualquer resposta.
Ela continuou: “As pessoas riem-se dos palhaços porque lhes acontece tudo aquilo que não queremos que nos aconteça a nós. A mente humana tem uma natureza própria de achar piada aos erros e quedas alheias. No entanto os palhaços fazem tudo propositadamente para que as pessoas se sintam bem e sem o peso na consciência”.

Esta minha conversa com ela de há muitos anos, antes de uma injusta doença lhe retirar a sua louvável vida, ficou-me na cabeça. É uma realidade daquelas que ao entrar no nosso pensamento permite juntar muitas peças de como o mundo e a sociedade funciona. Como esta “cultura do palhaço” leva à “cultura do anti-falha” – Para quê arriscar falhar se podemos ir ao circo ver outros a se espalharem no chão?

Não nos permitimos falhar, por isso não nos permitimos aprender. E, por isso, não nos permitimos procurar e lutar por aquilo que acreditamos e sonhamos.

Hoje são start-ups. Amanhã podem ser objetivos pessoais de vida. Mas ontem foi uma pessoa, com uma tela em branco, tinta ao seu lado e um pensamento de “estou-me nas tintas para que esta tela se transforme em rabiscos, vou tentar!”.

Garanto-vos, todos os grandes feitos correram o risco de falhar. Em vários momentos. E é por isso que agradeço e saúdo os que seguiram em frente apesar de todos os percalços e que apesar de todos os riscos possíveis passaram o testemunho. Por todos os sucessos e falhas que nos permitiram aprender e nos tornarmos melhores, mais preparados, a cada dia que passa.

Há muito que tenho vindo a retirar as minhas conclusões sobre este tema. Mas hoje, tive que as partilhar. Arrisquem! A vida foi criada com prazo de validade para que fosse vivida ao máximo. Com toda a emoção de procurar quem somos e de trabalharmos por aquilo que acreditamos.

Assim nasceu o quadro mais caro do mundo.
Obrigado a todos os Leonardos Da Vincis.
Uma tela vossa haverá de ser o Salvator Mundi.

Salvator Mundi, por Leonardo Da Vinci.
Vendido por mais de 380 milhões de euros a entidade anónima.

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Sobre o autor

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Sérgio Ribeiro é CEO e cofundador da Planetiers. Concluiu o mestrado em Engenharia Biológica no Instituto Superior Técnico de Lisboa. A sua tese de mestrado baseou-se na otimização da gestão de efluentes numa fábrica de biodiesel da Galp. Nos últimos... Ler Mais