Opinião

Evite o fracasso dos seus líderes e chefias intermédias

João Braz Pereira, FranklinCovey Portugal General Manager*

As chefias intermédias ou first-level leaders são um elemento decisivo para qualquer empresa, na medida em que são os responsáveis por traduzir o propósito e a estratégia da organização, na ação coordenada dos colaboradores de primeiro nível.

Quando os first-level leaders falham, a visão e orientações da liderança de topo não chegam à base da organização, a capacidade de adaptação à mudança e os tempos de resposta às exigências do mercado ficam aquém das expetativas dos clientes e restantes stakeholders e perde-se competitividade e capacidade de aproveitar oportunidades que exigem flexibilidade e rapidez de resposta.

A importância da função acentua-se num contexto em que a retenção e o desenvolvimento do talento já não dependem apenas da segurança do posto de trabalho e dos níveis de remuneração, mas sim da capacidade da organização proporcionar a cada colaborador um espaço de realização profissional e pessoal. Mais uma vez, e porque é sabido que na maioria das vezes “as pessoas não se despedem da empresa, mas sim do chefe”, o desempenho diário dos first-level leaders é decisivo para criar as condições que permitam que cada colaborador se sinta “um membro valorizado, de uma equipa vencedora, a desempenhar um trabalho com significado, num ambiente de confiança” e deste modo conseguir conquistar o engagement das equipas.

Apesar disto, de acordo com os estudos recentes desenvolvidos pela FranklinCovey, 56% das organizações não providenciam qualquer oportunidade de desenvolvimento formal de competências de liderança a estes gestores e líderes de primeiro nível, deixando ao acaso e à “escola da vida” a preparação das suas chefias intermédias para o desempenho das suas funções.

Resultado? Os first-level leaders têm dificuldade em fazer evoluir o seu mindset de colaborador individual que obtinha 80% dos seus resultados através da capacidade de realização de tarefas e aplicação de competências técnicas, para o novo mindset de líder em que o desafio é atingir resultados com e através dos membros da equipa.

As competências que determinaram a promoção a posições de chefia não são as que determinam o seu sucesso enquanto líder de primeiro nível, o que faz com que 60% dos first-level leaders se sintam sobrecarregados com as suas responsabilidades e 36% afirmem que muitos aspetos do seu trabalho estão fora do seu controlo, o que provoca insegurança, ansiedade e frustração e se reflete nos níveis de engagement e confiança das equipas: de acordo com os estudos da FranklinCovey, 58% dos colaboradores admitem confiar mais em estranhos do que na sua própria chefia direta.

Neste quadro, a formação formal em liderança é fundamental para criar condições para o sucesso, disponibilizando aos first-level leaders ferramentas práticas e treino no exercício das atividades que lhes permitam superar os desafios da conquista da confiança das suas equipas, do desenvolvimento e engagement dos seus elementos, da comunicação, motivação e alinhamento das equipas com o propósito organizacional, da integração de processos de mudança e do balanço entre vida pessoal e profissional.

Perante isto, fará sentido deixar ao acaso a preparação dos seus first-level leaders?

*E Head of Customer Performance Development na CEGOC.

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