“Estamos a terminar de delinear um MBA para profissionais e, na área da educação, estamos a desenvolver a Cryptotour que consistirá em levar as nossas ações de formação a associações, universidades e empresas de top-level, levando os speakers a toda a Espanha. A ideia será replicada noutros mercados, principalmente, num futuro próximo, em Portugal”, revelou Leif Ferreira, cofundador da principal plataforma espanhola de criptomoedas, a Bit2Me.

Bit2Me, a primeira empresa reconhecida pelo Banco de Espanha como fornecedor de serviços de moeda virtual, conta com mais de 20 soluções para comprar, vender e gerir criptomoedas, disponibilizando os seus serviços em mais 100 países.

No final de setembro de 2021, lançou uma Oferta Inicial de Moeda (ICO, na sigla em inglês) através do B2M, o seu próprio utility token, através do qual conseguiu angariar 17,5 milhões de euros em menos de três minutos, um valor recorde tanto em volume como em tempo de cobrança. A este valor acresce os 2,5 milhões de euros angariados numa ronda privada anterior (que totalizou 20 milhões de euros).

Em entrevista ao Link To Leaders, Leif Ferreira, cofundador da Bit2Me, revelou que uma das primeiras iniciativas da empresa foi a criação da Bit2Me Academy, portal de formação de criptomoedas em espanhol e português, que no último ano formou 3 milhões de alunos. E promete não ficar por aqui, com o lançamento de um MBA para profissionais e o desenvolvimento de uma Cryptotour que consistirá em levar “as nossas ações de formação a associações, universidades e empresas de top-level” em toda a Espanha e depois a outros países, incluindo Portugal.

O que levou à criação da Bit2Me?
Desde cedo que, devido ao meu background, tive a oportunidade de compreender a tecnologia que envolvia a Bitcoin. Comecei o meu percurso noutras indústrias, como o mercado de Skateboard (outra das minhas paixões), mas sentia que tinha a oportunidade de desenvolver uma ideia que envolvesse a Bitcoin e que marcaria a diferença no futuro: criar um projeto global que permitisse o acesso, a qualquer utilizador em qualquer parte do mundo, foi a minha principal motivação.

A ideia seria desenvolver um serviço que utilizasse Hal-Cash ATMs para levantar as vendas da Bitcoin através da Web. Foi nesta altura que conheci o Andrei Manuel e, em conjunto, continuámos este projeto, do qual nasceu a Bit2Me.

Quais os grandes desafios que têm encontrado?
Os desafios para abrir um negócio em Espanha são, do ponto de vista burocrático, sempre enormes, mas, estabelecer uma empresa de criptomoedas é, fazendo um paralelismo com um jogo de computador, como começar um negócio pelo nível mais difícil.

Enfrentámos grandes desafios com o setor da banca tradicional como, por exemplo, para a abertura de contas ou apenas para termos a possibilidade de ter uma conta bancária para pagar aos colaboradores. Nunca pedimos um empréstimo e crescemos naturalmente, o que torna a viabilidade do negócio mais difícil.

Encontrar talentos também tem sido complexo, pois a tecnologia é nova e não existe nenhum polo de formação. No entanto, são pessoas apaixonadas por este ecossistema. E é com esta paixão e envolvimento por aquilo que fazem que acredito que a nossa equipa na Bit2Me tem tido um papel crucial no sucesso da empresa.

Que balanço faz destes sete anos de operação?
Durante este período passámos por diferentes fases. De 2015 a 2018, sobrevivemos reinvestindo cada euro que ganhávamos, de modo a conseguir expandir a equipa e a continuar a melhor os produtos, serviços e user experience.

Em 2019, começámos a abrir às rondas de investimento e, foi quando a Venture Capital Inveready, decidiu entrar na empresa. Simultaneamente, lançámos a Bit2Me Wallet na qual os clientes poderiam depositar as duas criptomoedas e não dependerem de terceiros. Em 2020, durante o confinamento, trabalhámos arduamente utilizando os canais de comunicação e redes sociais, enquanto desenvolvíamos mais aplicações.

Em 2021 lançámos a nossa ICO $B2M que gerou 20 milhões de euros; valor esse que estamos a utilizar para reinvestir e continuar a expandir o nosso negócio, contratando mais talentos e reforçando importantes áreas da empresa. Durante o lançamento do token, estabelecemos um ambicioso roadmap que estamos a percorrer e, dos quais já alcançámos dois importantes marcos como o primeiro Exchange registado pelo Banco de Espanha e a expansão da empresa para o Brasil com uma equipa dedicada no terreno.

“Ter um token nativo ajuda-nos a construir uma relação mais forte com os nossos utilizadores e a pensarmos sempre em como poderemos melhorar a sua experiência. A um nível global, permite-nos também chegar a mercados onde a empresa pode ser reconhecida por isso”.

De que forma este reconhecimento pelo Banco de Espanha e a criação de um token teve reflexos na vossa atividade?
O lançamento do token B2M é um passo natural para empresas deste setor. É a procura por um serviço e pela melhoria da experiência de utilizador da plataforma, enquanto utiliza a tecnologia nativa deste ecossistema. Ter um token nativo ajuda-nos a construir uma relação mais forte com os nossos utilizadores e a pensarmos sempre em como poderemos melhorar a sua experiência. A um nível global, permite-nos também chegar a mercados onde a empresa pode ser reconhecida por isso.

O registo no Banco de Espanha marca um ‘antes e depois’ para a empresa. Desde que conseguimos este reconhecimento várias empresas do setor financeiro, industrial, energia, assim como instituições públicas, têm-nos contactado para perceber como podemos colaborar e começar a trabalhar juntos. Esta é uma notícia muito positiva para o setor, uma vez que é uma aceitação que esta tecnologia veio para ficar e que existe uma separação entre as empresas que cumprem com as regulações e com a legislação e aquelas que não.

Como estão a conseguir melhorar o conhecimento das criptomoedas nos mercados onde operam?
Desde o início da Bit2Me que compreendemos que, para que a tecnologia seja adotada, é necessário haver muita formação e que esta seja bem disseminada; é por isso que, colocamos tanto empenho em construir a Academia de Formação, uma das maiores do mundo, com conteúdos que cobrem todos os verticais e disponíveis em formato texto, vídeo e áudio em diferentes plataformas.

Desenvolvemos também cursos de formação e vamos agora levar este ponto ainda mais além, criando um MBA e a Cripto tour. Consideramos a educação um ponto fundamental e é uma responsabilidade social e compromisso da empresa com os cidadãos.

Quais os produtos e serviços financeiros que a Bit2Me disponibiliza atualmente? Há planos para novos negócios?
É importante referir que os nossos produtos são desenvolvidos e desenhados não apenas para clientes de retalho, mas também para empresas e investidores institucionais. O principal produto da Bit2Me é a Wallet, uma carteira que permite aos utilizadores comprar, vender, trocar, armazenar, enviar e receber criptomoedas. Podem ser adquiridas por cartão de crédito, transferência bancária ou dinheiro através de lojas que tenham o serviço Tikebit.

Existem mais de 120 criptomoedas listadas, o qiue permite ter a opção de trocar entre elas, instantaneamente, sem ser necessário recorrer a intermediários como acontece com outras plataformas. Temos também o Bit2Me Earn que permite depositar mais de 20 criptomoedas na plataforma e gerar bónus e recompensas, sem custos de depósito ou levantamentos e com disponibilidade imediata.

O Bit2Me Launchpad permite listar projetos do ecossistema de cripto, mas também do mundo tradicional. Utility tokens que facilitam o acesso ao novo ecossistema que será parte da web 3.0.

Bit2me Pro é uma plataforma de trading de alta frequência que permite aos utilizadores a execução de ordens de compra e venda, incluindo a colocação de limites e ordens de fecho em pares como BTC/EUR. Esta é uma ferramenta avançada para utilizadores que usam o trading frequentemente. Em breve teremos mais pares disponíveis.

Temos ainda o Bit2me DEFI Wallet, um serviço desenvolvido para construir a ponte entre CEFI e DEFI para os utilizadores mais avançados, com o selo de qualidade Bit2me. Bit2me Academy com novos cursos, MBA e conteúdos educacionais. No roadmap planeamos desenvolver o Bit2me Loan, Bit2me Payment, o Bit2me Card e outros serviços financeiros que combinan o melhor das finanças tradicionais e do mundo das criptos.

Quem são os clientes da Bit2Me?
Temos clientes em mais de 90 países em todo o mundo, embora muitos estejam localizados em Espanha. Estamos a crescer na Europa e na América Latina. Temos clientes de retalho, empresas e investidores privados.

“Acreditamos que as normas e a transparência ajudam a estabelecer o framework e potenciam o avanço nesta direção. Os investidores estão muito interessados em ativos como a Bitcoin e no mercado de criptomoedas no geral”.

O que tem contribuído para o aumento da adoção de criptomoedas por parte de instituições, grandes gestores de ativos, tesouros empresariais e escritórios familiares?
Acreditamos que as normas e a transparência ajudam a estabelecer o framework e potenciam o avanço nesta direção. Os investidores estão muito interessados em ativos como a Bitcoin e no mercado de criptomoedas no geral. A Bitcoin é um ativo novo e, por isso, mesmo deve ser compreendida antes de ser integrado em empresas como forma de pagamento ou como estratégia de tesouraria; insistindo na crença que o ‘antes e depois’ será estabelecido pelas respetivas entidades reguladoras, neste momento, é essencial, estar preparado para quando começarem a trabalhar com este ativo. Temos que estar informados para que o receio da tecnologia possa dissipar-se.

Como caracteriza a realidade portuguesa no que às criptomoedas diz respeito? Os portugueses têm interesse nas criptodivisas e pela tecnologia blockchain?
Não conhecemos o mercado português com tanto detalhe como o espanhol, mas é verdade que temos verificado um aumento do número de utilizadores em Portugal e também um movimento interessante da indústria, focando-se aqui. Esta tecnologia representa uma oportunidade para todos os países que queiram chegar mais longe; para além disso, a criação de um ambiente favorável, irá promover a entrada de investimento, geração de novos empregos e desenvolvimento tecnológico para as próximas décadas.

Portugal é dos poucos países onde os lucros com criptomoedas não pagam imposto. O que tem a dizer sobre esta realidade?
Na minha opinião, esta é uma vantagem competitiva para atrair riqueza para aqueles investidores e utilizadores que saltaram para a frente e viram a oportunidade para investir numa tecnologia emergente. Isso irá, sem qualquer margem para dúvidas, criar prosperidade e atrair perfis muito interessantes para o país. Percebemos, recentemente, que o governo está a considerar mudar esta política, igualando-se a outros países. Acredito que isto poderá ser mais prejudicial, do que benéfico para Portugal.

O que se deve saber antes de se investir em criptomoedas?
É importante perceber que este é um mercado novo e uma tecnologia que está num estágio inicial de adoção. Temos de nos educar e manter informados e começar por nos focarmos na Bitcoin. Este é um mercado com mais de 17 mil criptomoedas e o foco não dever ser fazer ‘dinheiro rápido’, mas sim antes um imersão e um estudo profundo do ecossistema.

“Temos que manter o equilíbrio, protegendo investidores e prevenindo potenciais fraudes que mancham a imagem dos players que trabalham em conjunto para construir e desenvolver uma poderosa tecnologia”.

Que desafios enfrenta a indústria das criptomoedas neste momento?
Temos que manter o equilíbrio, protegendo investidores e prevenindo potenciais fraudes que mancham a imagem dos players que trabalham em conjunto para construir e desenvolver uma poderosa tecnologia.

Sendo uma tecnologia global, a coordenação entre países será um tremendo desafio: a Bitcoin é descentralizada e, por isso, a forma tradicional como vemos as leis, não pode ser executada com a mesma eficácia. Para além disso, é importante permitir que, os exchanges que cumpram a lei, trabalhem e detenham a proliferação de empresas que não cumprem os requisitos mínimos de segurança.

Tanto o ecossistema DeFi como as stablecoins devem ter um tratamento especial. Estamos a aguardar a publicação da MICA na União Europeia, para o próximo ano, onde possamos apoiar-nos mutuamente e progredir em direção a um framework mais transparente.

Qual a importância da Bit2Me Academy e que iniciativas têm organizado?
Dentro da Bit2Me Academy temos 4 verticais. O conteúdo em si e os artigos estão disponíveis em diferentes formatos como áudio, vídeo e texto. Os cursos internos estão disponíveis para todos os níveis e conhecimentos.

Estamos a terminar de delinear um MBA para profissionais e, na área da educação, estamos a desenvolver a Cryptotour que consistirá em levar as nossas ações de formação a associações, universidades e empresas de top-level, levando os speakers a toda a Espanha. A ideia será replicada noutros mercados, principalmente, num futuro próximo, em Portugal.

A empresa continua a apostar na internacionalização. O mais recente mercado é o Brasil. Qual a vossa estratégia para este mercado?
O Brasil representa um mercado de 220 milhões de pessoas com um perfil e formação próximos das áreas de investimento. O objetivo da Bit2Me é estar presente de forma segura e, sempre, em colaboração com as autoridades locais em todos os países do mundo.

A América Latina no seu todo é o nosso principal foco, uma vez que partilhamos a cultura, o idioma e os costumes. Compreendemos bem o papel que a Bitcoin representa nestes países e os benefícios que traz para os cidadãos. A estratégia será consolidar a posição no Brasil e, posteriormente, continuar a avançar para os mercados mexicano, colombiano, argentino, entre outros.

Que outros países estão na mira da Bit2Me?
Não nos esquecemos da Europa e dos vários mercados, em particular o português, o italiano, o francês, o irlandês e/ou o alemão. O desafio nestes territórios é a língua e as barreiras culturais; mas, mais uma vez a Bit2Me é uma plataforma simples e intuitiva, que está presente de todos estes mercados e, sabemos que, oferecemos uma aproximação que leva à adoção e que vai para lá de uma simples especulação ou trading.

No ano de 2021, a Bit2Me registou um volume de transações de mais de 1.100 milhões de euros, aumentando, cerca de 10 vezes, a soma de todos os anos anteriores. Quais as previsões para este ano?
O ano de 2021 foi extraordinário para a Bit2Me, com um crescimento exponencial. Este ano, estamos a consolidar e a melhorar determinados pontos. Ainda é cedo para saber como este ano irá terminar, mas o objetivo será superar o ano passado em todos os aspetos.

“Queremos ser o benchmark das diferentes áreas que o ecossistema da blockchain desenvolve”.

Como vê o Bit2Me dentro de dois anos? E o mercado de criptomoedas?
Queremos ser uma referência mundial na intermediação, custódia e serviços relacionados com a Bitcoin e as criptomoedas. Em dois anos pretendemos ter todos os produtos que as empresas, individuais e investidores atualmente nos pedem, mas também estar atentos e na frente das novas ferramentas que aparecem diariamente no ecossistema. NFTs, Metaversos, Tokenização, Smart Contracts, entre outros. Queremos ser o benchmark das diferentes áreas que o ecossistema da blockchain desenvolve.

Respostas rápidas:
O maior risco: Cibersegurança.
O maior erro: Tentar resolver demasiados temas, sem recursos suficientes.
A maior lição: É possível crescer sem financiamento externo.
A maior conquista: Estarmos onde estamos, sem investidores externos (bootstraping).

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