Travis Kalanick, CEO da Uber, anunciou a sua saída por e-mail aos funcionários e não informou prazo para retornar à empresa. A Uber vive grave crise de imagem, após uma série de escândalos.

Recentemente o vice-presidente de negócios – e segundo na linha de comando – Emil Michael deixou a empresa. Muito próximo a Travis Kalanick, Michael estava na Uber desde 2013, e auxiliou a Uber em áreas como fusões e aquisições. Como já explicou Michael na sua carta de despedida aos funcionários, David Richter será o escolhido para o substituir. Vejamos quem é David Richter, que se posiciona como o número 2 da Uber, segundo o EdisoNews.

O novo vice-presidente executivo de negócios da Uber, David Richter, não é tão conhecido como o seu predecessor. Richter colocou-se no centro de atenção justamente num dos momentos mais cruciais da evolução da empresa dedicada à partilha de veículos. A Uber está envolvida numa série de alegados problemas, tanto legais como morais, entre os quais se contam sindicatos, assédios sexuais, uma ação da Alphabet Inc., falta de liderança, prostitutas e cocaína.

Richter, que se juntou à Uber em janeiro de 2014, foi o vice-presidente de iniciativas estratégicas, um título ambíguo que é descrito como “desenvolvimento empresarial e marketing experimental”. Foi responsável por trazer associações corporativas como a relação da Uber com a American Airlines e a Capital One.

Não está claro quem sugeriu Richter como substituto de Michael, mas as fontes dizem que a equipa operacional da empresa esteve de acordo em que seria ele a pessoa adequada para a função. Antes da Uber, Richter era o diretor de estratégia da Say Media, um editor online e uma rede de anúncios, onde também ocupou o cargo de diretor financeiro de forma interina entre janeiro e setembro de 2012.

A empresa de carros partilhados não só está a passar por uma reviravolta completa na sua cultura e direção, mas também está a conduzir uma importante ação autocontrolada pela Alphabet e perdeu mais de 700 milhões de dólares (626 milhões de euros) no último trimestre.

Kalanick: desgraça ou bênção?

O CEO e cofundador da Uber, Travis Kalanick,  anunciou que vai tirar uma licença da empresa por tempo indeterminado. A saída do executivo, no meio de uma grave crise de imagem que assola a empresa, foi anunciada por e-mail aos funcionários e faz parte de uma série de recomendações feitas ao conselho  de administração após uma investigação interna que começou por denúncias de assédio sexual.

Segundo fontes ouvidas pelo The New York Times, o CEO ficaria afastado da empresa durante cerca de três meses. Outra fonte, citada pela agência Reuters, afirmou que os diretores consideram o seu retorno após o período num cargo com menos autoridade.

A ser verdade, é provável que a saída de Kalanick seja uma boa notícia tanto para a Uber como especialmente para Richter, avança o EdisoNews. Quando uma empresa faz uma mudança de direção e de estratégia, às vezes é necessário que se selecionem novos líderes com ar fresco e boas ideias.

No caso especial de Richter, recordemos que Michael era o diretor mais próximo de Kalanick e o seu homem de confiança, facto que poderia ter dificultado o seu trabalho. Caso Kalanick tivesse permanecido na empresa, teria sido muito difícil para Richter substituir Michael, tanto no seu trabalho como na sua relação com o CEO.

Richter é geralmente muito estimado, segundo várias pessoas. Diversos trabalhadores referem-se a Richter como inteligente e reflexivo, e que muitas vezes tem sido visto como “o adulto da sala”, escreve o EdisoNews.

Richter graduou-se na Faculdade de Direito de Yale e mostra uma genuína preocupação para com os outros trabalhadores da empresa, o que coloca a pergunta: porque permaneceu numa empresa que tem sido vítima das suas práticas questionáveis e, por vezes, ilegais?

A resposta de alguns que o conhecem é que Richter, todavia, está na Uber unicamente pelo facto de disfrutar deste desafio intelectual.

 

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