De acordo com a prestigiada Fundação Kauffman – que apoia o empreendedorismo – nos países considerados de “elevados-rendimentos”, as PMEs e as empresas empreendedoras são responsáveis por mais de 50% do PIB e do emprego, percentagem esta que diminui significativamente nos países de “baixos-rendimentos”.

Não é de estranhar, por isso, a ênfase dos governos no incentivo ao empreendedorismo, um pouco por todo o mundo. E são muitas as entidades e as iniciativas que têm proliferado com o intuito de ajudar ao desenvolvimento de um ecossistema propício à criação de novos negócios: desde incubadoras, business angels, universidades, cursos de formação, concursos de ideias, bootcamps, entre muitas outras. Já para não falar das políticas públicas de apoio aos empreendedores, que passam pela atribuição de subsídios (ex. em caso de criação de postos de trabalho ou desenvolvimento de certos setores de atividade), calls para determinadas áreas de negócio, bolsas ou maior rapidez na criação da nova empresa.

À primeira vista, estas medidas parecem fundamentais para o estímulo à criação de novos negócios. Mas, será que estas são as medidas desejadas pelos empreendedores? Serão estas as medidas que os empreendedores necessitam aquando da criação dos seus negócios?

Um estudo recente realizado pelo Fórum Económico Mundial, com uma amostra de mais de 1000 empreendedores de diversos países, concluiu que, embora as medidas referidas sejam importantes, os empreendedores tendem a valorizar outras, designadamente: a inserção em redes sociais da comunidade e do negócio, as parcerias, o acesso a capital humano talentoso ou a abertura a potenciais clientes e fornecedores. Mais ainda, estas foram as medidas apontadas pelos empreendedores dos países considerados de “elevado-rendimento”, ao contrário dos empreendedores dos países de “baixo-rendimento”, que tenderam a valorizar os subsídios e os impostos.

Este estudo parece revelar que o investimento feito pelos países de “elevado-rendimento” na promoção do empreendedorismo tem sido muito positivo, dado que contribuiu para a construção de ecossistemas empreendedores. Agora, porém, é preciso direcionar o investimento para o desenvolvimento desses mesmos ecossistemas, para os tornar eficazes. Por outras palavras, mais do que apostar em medidas avulsas de apoio individualizado aos empreendedores, é fundamental apostar no desenvolvimento de redes entre as diversas entidades de poio ao empreendedorismo – incubadoras, business angels, universidades ou banca – capazes de gerar parcerias, cooperação, melhoria efetiva dos produtos e/ou novos serviços e venda no mercado.

Em suma, é preciso “dar voz aos empreendedores”, escutar o que é os empreendedores realmente necessitam, por forma a que as novas empresas criadas sejam capazes de crescer! Desta forma, sim, estamos a contribuir para um empreendedorismo mais eficaz, e assim estimular a criação de negócios capazes de crescer ao longo do tempo, gerando mais-valias para os empreendedores, todo o ecossistema empreendedor, a região e o País.

*Coordenadora da Escola de Liderança e Inovação do ISCSP – Universidade de Lisboa

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Sobre o autor

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Patrícia Jardim da Palma é doutorada em Psicologia das Organizações e Empreendedorismo e Professora no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa (ISCSP- ULisboa). É coordenadora das Pós-graduações “Gestão de Recursos Humanos” e “Empreendedorismo e Inovação”... Ler Mais