Nem sempre geri e liderei equipas que confiavam em mim. Hoje, sei que, na realidade, não geria ou liderava. Tinha o título, mas isso era tudo. Gerir e liderar implica ter influência, ser escutado para efetivamente motivar equipas de alta performance que co constroem a visão, a estratégia e a executam.

É simples. Se não há confiança no líder não há escuta. E, se não há escuta é impossível liderar equipas aonde quer que seja. No meu caso, os níveis de esforço necessários foram enormes para resultados que, muitas vezes, ficavam aquém. Não me orgulho desses momentos. Mas as lições aprendidas foram valiosas.

A confiança ou ausência dela é, sem dúvida, o que está na base de todo e qualquer sucesso ou fracasso. Criar confiança nas equipas é um trabalho que começa sempre e em primeiro lugar com o líder máximo de cada organização. E nunca acaba. Nunca, nunca, nunca o podemos dar por concluído. E repito esta mensagem, porque é mesmo muito importante. O negócio evolui, tal como as pessoas e as relações que estabelecem entre si. Há pessoas novas que entram na organização, outras que saem, os níveis de motivação e desafios alteram-se. Tudo isto faz com que como líderes precisemos de estar constantemente atentos e vigilantes.

Então, se a confiança é o mais importante por onde começar?
Por confrontar a realidade tal como ela é e não como gostaríamos que fosse. Por vezes, neste processo, recorrer a ajuda externa é extremamente útil para garantir objetividade.

Acredito que nenhum líder, ou muito poucos, intencionalmente criem ambientes de desconfiança. Na maioria das vezes, o que acontece é que ainda não despertámos para esta realidade e andamos mais entretidos com a estratégia, as análises de KPIS e BI, lançamentos de novos projetos ou produtos…. Enfim, tudo o que é mais fácil de medir com resultados mais imediatos e, porque não dizê-lo… andamos entretidos naquilo em que sabemos ser bons, na nossa zona de conforto. No que provavelmente nos levou a posições de liderança. Mas o que nos trouxe até aqui não é frequentemente o que nos levará mais longe.

Não há um botão mágico que possamos ligar para criar confiança nas equipas.

Dar o primeiro passo, o da consciência, diagnóstico, auto responsabilização e compromisso é  crítico. A partir daí, começa um trabalho de formiguinha que exige paciência e consistência. Pode demorar meses até que comecemos a ver frutos e benefícios.

Mas, como líderes, se quisermos ter sucesso temos que o fazer!

Não há atalhos, nem pensos rápidos para criar confiança. O caminho é simples e claro – honestidade e comunicação transparente, sempre. E quanto maiores forem os desafios que as organizações tiverem a atravessar, maior será a necessidade de comunicação frequente.

Eis alguns princípios que aprendi e que procuro aplicar no meu dia a dia:

  1. Ser honesto e transparente, sempre! E, especialmente nas conversas ou decisões difíceis. As pessoas sentem quando estamos a tentar rodear o problema ou a maquiá-lo.
  2. Ser próximo. Quando confiamos, não perdemos tempo a tentar descortinar o que está para além do que nos está a ser dito. Concentramo-nos apenas na mensagem, porque confiamos no emissor. Todos ganhamos. Tempo, eficiência, criatividade e resultados. Para isso precisamos de estar próximos, de nos dar a conhecer e conhecer as pessoas. Há que criar sistemas de comunicação que o possibilitem. Desde reuniões das equipas de liderança, reuniões individuais, encontros informais entre o líder e cada colaborador ou grupos de colaboradores. Enfim, espaço nas organizações para estar, para criar relações. Sem agenda.
  3. Não há temas tabu. Se há questões que sabemos que estão a preocupar as pessoas ou a levantar muitas dúvidas temos que arranjar maneira de chegar até elas, esclarece-las e dar espaço para discussão.
  4. A obsessão com a comunicação das intenções. Muitas vezes ao comunicar uma decisão, projeto ou iniciativa, damos por adquirido que as nossas razões e intenções são facilmente subentendidas. Nada poderia estar mais longe da verdade. As pessoas apoiam e confiam mais facilmente quando as conhecem.
  5. Não comunicar mensagens que não estão prontas para ser comunicadas. E ser rápido a pedir desculpas e corrigir os erros. Isto é especialmente verdade quando estamos a falar de lançamento de projetos de IT ou novas iniciativas. Por vezes, entusiasmamo-nos tanto, que somos impulsivos na comunicação de datas de lançamento, que, depois, não são cumpridas.  E quando erramos sejamos rápidos a reconhece-lo, a pedir desculpa e a corrigir.
  6. Queremos confiança? Então, estendamos confiança. Não podemos exigir que confiem em nós. Mas podemos escolher confiar nas pessoas da nossa equipa. E, curiosamente, elas retribuem essa confiança.

Confiança e comunicação: duas faces de uma mesma moeda essenciais para qualquer líder!

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Sobre o autor

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Sandra Silva é a diretora-geral da Mary Kay Portugal desde 2009, ano em que entrou para a companhia. Desempenhou um papel importante e fundamental tendo sido responsável pelo turnaround da empresa em Portugal. Liderou a importante renovação da estratégia de... Ler Mais