Opinião

Como navegar nesta nova dinâmica comercial internacional

Pedro Bismarck, diretor de Comércio Internacional da Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa (CCIP)

Nos últimos anos, o mundo entrou numa fase de transformação profunda. As tensões geopolíticas, a fragmentação económica, as novas barreiras comerciais, a reindustrialização acelerada em diversas regiões, a crescente exigência de critérios ambientais e o advento da Inteligência Artificial, estão a alterar, de forma estrutural, a forma como países e empresas se relacionam entre si.

Este cenário desafia particularmente as empresas portuguesas — na sua maioria pequenas e médias. Sendo a internacionalização uma das alavancas essenciais para crescer e ganhar escala, o desafio é complexo, mas superável.

Hoje, a globalização deixou de ser sinónima de abertura. Assistimos ao encurtamento das cadeias de valor, Estados a adotarem políticas protecionistas e critérios de sustentabilidade, a tornarem-se condições obrigatórias de acesso a alguns mercados. Exportar deixou de ser apenas uma decisão económica; tornou-se, cada vez mais, uma decisão estratégica.

Perante esta realidade, os empresários portugueses enfrentam inúmeros desafios. O primeiro é o da informação: compreender mercados em rápida transformação, identificar riscos emergentes e adaptar-se a diferentes enquadramentos regulatórios. O segundo é o da proximidade: em muitas geografias, o relacionamento pessoal continua a ser determinante para abrir portas e ganhar a confiança de parceiros locais. O terceiro é o da diversificação: num mundo mais volátil, depender excessivamente de poucos mercados aumenta a vulnerabilidade das empresas, expondo-as a flutuações de procura e consequentes quebras de mercado.

É neste contexto que a aposta na diplomacia económica ganha particular relevância. A sua importância nasce, fundamentalmente, do impacto real que estas iniciativas têm tido no terreno, ajudando as empresas a diversificar os seus mercados alvo e, em última instância, a tornarem-se mais competitivas e resilientes.

As ferramentas que apoiam as empresas portuguesas – com eficácia real – são aquelas que abrem portas a novos mercados. É com este objetivo que a Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa (CCIP) organiza anualmente um plano de missões internacionais. Nos últimos dez anos, a CCIP realizou 170 missões — dez só em 2025 — às quais aderiram mais de 900 empresas, em mais de 80 mercados. No centro deste planeamento está a aposta na diversificação geográfica e o reforço dos contactos internacionais, privilegiando economias emergentes, com maior contributo para crescimento económico global nos próximos anos.  Em 2026, o foco será o mesmo, identificar mercados com potencial de crescimento, em setores onde Portugal tem capacidade competitiva e em geografias onde a presença física e o contacto direto são determinantes para o sucesso.

Este é apenas um exemplo daquilo que se pode fazer para apoiar as empresas portuguesas, num tabuleiro geopolítico e geoeconómico cada vez mais turbulento. Isto exige persistência, capacidade de adaptação, visão e, muitas vezes, coragem. Mas exige, também, que as empresas não caminhem sozinhas. As redes de apoio, conhecimento e confiança fazem a diferença entre tentar e conseguir. Portugal tem empresas inovadoras, com produtos e serviços que podem competir em qualquer geografia. Mas para que possam transformar potencial em resultados, precisam de informação sólida, contatos credíveis e presença no terreno.

A nova dinâmica internacional continuará a desafiar-nos. Contudo, a CCIP permanecerá ao lado das empresas, ajudando-as a navegar este contexto internacional complexo e a transformar desafios em caminhos de crescimento.

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