A partir da sua experiência, e com base no conhecimento científico do SARS-CoV e MERS, a Inokem construiu fórmulas para desenvolver desinfetantes 100% biodegradáveis que previnam o contágio por Covid-19. Em entrevista ao Link To Leaders, Pedro Santos Martins fala destas novas soluções e dos 12 anos de atividade da start-up portuguesa que fez este ano um rebranding.

A Inokem lançou recentemente soluções de desinfeção, 100% biodegradáveis, criadas especificamente para prevenir o contágio por Covid-19. A empresa desenvolveu uma solução de desinfeção de seres humanos em cabines de descontaminação, desinfetantes para todo o tipo de tecidos e calçado, assim como fórmulas de desinfeção de espaços públicos.

Para o desenvolvimento destas novas soluções, a start-up assume ter levado a cabo recentemente uma “transformação intensiva”, com foco mais na biotecnologia, ambiente a nas pessoas.

Como e quando surgiu a Inokem?
A Inokem surge em 2007 com a vontade de agitar as águas na indústria química em Portugal, oferecendo ao mercado soluções tecnologicamente mais avançadas e com uma abordagem diferenciada, inovadora, simples e eficaz. A ideia surgiu do meu pai, Santos Martins, que tinha já passado como diretor por uma grande multinacional norte-americana, e que detinha um know-how do que de melhor se fazia lá fora. Juntámos todos os ingredientes, montámos um pequeno escritório em Arruda dos Vinhos e começámos, cinco pessoas, a bater, literalmente, porta a porta, e a dar a conhecer este projeto de que tanto me orgulho.

Que balanço faz destes 12 anos de atividade?
O balanço geral é positivo. Estive na fundação deste projeto até 2014, altura em que me aventurei na área tecnológica, onde também detenho outros projetos, tendo voltado à Inokem como CEO pela mão dos acionistas, devido ao falecimento do meu pai. Foi uma empresa que, nos primeiros anos, teve um crescimento muito acentuado, mas que precisou de se recentrar. Hoje, tem na sua imagem a representação dos valores e da dinâmica que nos inspiraram no início. Hoje, a Inokem é a empresa que perspetivámos que fosse 12 anos depois, a liderar setores de mercado, com pessoas que adoram trabalhar na Inokem, e com clientes que veem na Inokem um parceiro estratégico para os seus negócios.

“De facto, a investigação e o desenvolvimento de desinfetantes já é feita desde 2007, nomeadamente para a indústria alimentar e para o setor da saúde”.

Decidiram recentemente desenvolver desinfetantes que podem prevenir o contágio pela COVID-19. Porquê?
De facto, a investigação e o desenvolvimento de desinfetantes já é feita desde 2007, nomeadamente para a indústria alimentar e para o setor da saúde. Ou seja, o know-how existente já era muito e com os nossos parceiros de excelência na investigação e fabrico, decidimos que tínhamos de desenvolver uma gama mais especializada para este subtipo de coronavírus. A partir da nossa experiência, e com base no conhecimento científico do SARS-CoV e MERS, com o qual o SARS-CoV-2 partilha grande parte do seu ADN, construímos fórmulas que tivessem em conta três fatores: eficácia na eliminação do vírus, aplicação sem contraindicações e 100% biodegradável.

O que diferencia os desinfetantes da Inokem dos restantes que existem no mercado?
São os três fatores que diferenciam a nossa gama VIRCOV dos restantes desinfetantes no mercado. Um exemplo: alguns municípios optaram pela utilização de hipoclorito de sódio (lixívia) para a desinfeção de espaços urbanos com o argumento do preço. Ora, o Vircov Bac 360, que é o nosso desinfetante para zonas urbanas, consegue ter um preço mais competitivo que a lixívia na sua diluição, tem PH neutro, e, por isso, não danifica as máquinas de aplicação da solução, e ainda é seguro para quem aplica e para a própria população, pois não emite gases tóxicos, não danifica viaturas, nem reage com nenhum tipo de material. Adicionalmente, e por ser 100% biodegradavel, é ambientalmente seguro na sua utilização.

“Inicialmente houve um investimento de cerca de 30 mil euros na conceção e desenvolvimento, nos testes laboratoriais internos e externos e, mais recentemente, no Vircov Tex, que é o primeiro desinfetante desenvolvido exclusivamente para roupa, tecidos e calçado (…)”.

Qual o investimento que fizeram no desenvolvimento destes desinfetantes?
Inicialmente houve um investimento de cerca de 30 mil euros na conceção e desenvolvimento, nos testes laboratoriais internos e externos e, mais recentemente, no Vircov Tex, que é o primeiro desinfetante desenvolvido exclusivamente para roupa, tecidos e calçado, podendo ser aplicado em todo o tipo de materiais, garantindo uma desinfeção em tempo recorde. A alternativa mais barata e eficaz para o setor do vestuário, que tanto tem sofrido com esta crise, possibilitando que os consumidores possam experimentar roupa que, 12 segundos após a desinfeção, está pronta para ser vendida ou experimentada novamente.

Como estão a ser recebidas estas soluções? Quem está a procurar os desinfetantes da Inokem?
Muito acima do que de melhor poderíamos imaginar! A nossa gama Vircov cobre todo o espectro de necessidades de contenção pandémica e, por terem sido desenvolvidos a pensar nos pormenores, são soluções exclusivas no mercado português e europeu. Os nossos clientes desta gama vão desde uma loja de roupa a um grande fabricante de roupa, de uma freguesia a um município, ou de uma pequena empresa a um gigante da indústria. O nosso público nesta área é muitíssimo diversificado e ainda bem que o é.

Não é a primeira vez que desenvolvem desinfetantes para uma pandemia?
Não, na altura da pandemia por H1N1 (Gripe A), desenvolvemos um antisséptico muitíssimo bom que serviu de base para o que hoje é o nosso Septic. Um antisséptico em gel que permite a eliminação do vírus nas mãos, sem recurso a água, sem cheiros desagradáveis ou demasiado alcoólicos, sem mãos peganhentas e com hidratantes específicos para que seja utilizado as vezes que forem necessárias sem criar feridas ou outro tipo de lesão, nomeadamente a pessoas que têm problemas de pele.

“Na Inokem não vendemos preço, mas sim qualidade, segurança e eficiência, o que em mais de 95% dos casos resulta numa proposta economicamente mais vantajosa”.

A biotecnologia e a sustentabilidade vão continuar a estar na génese do desenvolvimento dos produtos Inokem?
Sim, e cada vez mais. A médio prazo, a nossa oferta irá centrar-se em 90% a soluções biológicas e 100% biodegradáveis. Já na conceção, e ao dia de hoje, selecionamos matérias-primas que não criem impacto ambiental e que sejam seguras para as pessoas e animais, mesmo que o custo dessas seja elevado. Na Inokem não vendemos preço, mas sim qualidade, segurança e eficiência, o que em mais de 95% dos casos resulta numa proposta economicamente mais vantajosa.

Este ano fizeram um rebranding global da marca, que está hoje mais focada na biotecnologia, no ambiente e nas pessoas. O que mais pesou na decisão da Inokem para esta mudança?
Em 12 anos, este é o primeiro rebranding global que nos levou a transformar tudo, inclusivamente a mudar os nossos escritórios, aumentando a capacidade em termos de área e o conforto dos nossos colaboradores. A necessidade surgiu de adequar a nossa imagem àquilo que fazemos diariamente e à personalidade das nossas equipas. Hoje, está lá tudo: inovação, criatividade e excelência. O mercado recebeu muito bem esta nova imagem, foi além das melhores expectativas.

Quanto faturaram no ano passado e previsões para este ano?
A média dos últimos anos tem andado nos 800 mil euros de faturação em Portugal. Contudo, este ano, já estamos acima do ano passado, por isso iremos passar a barreira do milhão de euros.

Que mercados têm mais representatividade para o negócio da Inokem?
A indústria tem sido o mercado que mais representatividade tem tido na Inokem. Contudo, pelo foco que temos dado nestes últimos dois anos, essa tendência está a mudar. As empresas públicas e especializadas em soluções mais técnicas têm procurado muito a Inokem para os ajudar a solucionar determinados problemas que podem criar problemas sérios nas questões ambientais.

Prova disso foi o lançamento, no ano passado, da primeira alternativa biológica ao glifosato, que tanta polémica tem causado. Ao dia de hoje, existe um produto enzimático que se chama BIOSUPRA 360, que é uma alternativa real aos herbicidas, porque se destina à limpeza de passeios e que, como ação secundária, faz essa deservagem sem impacto para humanos, animais e ambiente.

“Prevemos ainda a implementação do Vircov Tex para a desinfeção em massa das bagagens em aeroportos, por forma a garantir um maior controlo na contaminação cruzada por via do turismo”.

Projetos para o futuro…
Lançamento de uma linha de cápsulas em unidose para a limpeza em geral. Com este tipo de tecnologia, o controlo de custos é 100% eficaz e a utilização de produtos fica confinada ao que é necessário para a sua utilização. Prevemos ainda a implementação do Vircov Tex para a desinfeção em massa das bagagens em aeroportos, por forma a garantir um maior controlo na contaminação cruzada por via do turismo.

Respostas rápidas:
O maior risco:
Sempre fui um homem de arriscar, quem quer ganhar tem de ir a jogo.
O maior erro: Os erros fazem parte da jornada, sem eles não aprendemos de que maneira devemos fazer certo.
A maior lição: Só faz sentido estar num projeto se nos sentirmos felizes em fazer parte do mesmo.
A maior conquista: Sentir que as pessoas à minha volta evoluem na sua carreira e que isso se traduz num melhor nível de vida pessoal.

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