Há uma ideia que atravessa silenciosamente muitas organizações. Não aparece nos relatórios anuais, não consta dos modelos de avaliação de desempenho nem faz parte dos programas de formação de liderança. Mas está presente no quotidiano de milhares de profissionais. A ideia de que um bom profissional consegue deixar a sua vida pessoal à porta da empresa.
Nos últimos anos, tenho vivido grande parte da minha vida entre fábricas, produção, reuniões de projeto e operações industriais entre a Europa e a China. E, honestamente, quanto mais tempo passo dentro deste ambiente, mais percebo que os maiores problemas da indústria já não estão na tecnologia.
Durante décadas, liderar empresas significava essencialmente gerir mercados relativamente estáveis, cadeias de abastecimento previsíveis e ciclos económicos que, embora com crises, mantinham alguma regularidade. Hoje, esse mundo já não existe.
Num mundo digital e global, a empatia deixou de ser um traço emocional para se tornar uma vantagem estratégica. Ser sensível é ver mais longe, é perceber o que os dados não mostram.
Vivemos num tempo em que a ciência e a tecnologia deixaram de ser apenas instrumentos de progresso económico: são agora pilares da própria coesão social.
Vivemos um momento de inflexão histórica em que o avanço da inteligência artificial, da robótica e da automação está a remodelar radicalmente a forma como trabalhamos, produzimos e nos relacionamos.
