Opinião
Cenário atual, empreendedorismo e start-ups

Chegamos à metade do ano de 2021, já passamos por um ano e meio de pandemia e o Brasil tenta recuperar-se com um crescimento do PIB anual projetado de 5%. O volume de negócio cresceu oito vezes no primeiro semestre de 2021, em relação ao ano passado, para US$ 56,8 bilhões.
A atividade econômica está se recuperando, as taxas de juros permanecem baixas e o capital está disponível. De acordo com o Sebrae e o IBQP (Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade), empreender é o 4.º maior sonho entre os brasileiros. Das 6,4 milhões de empresas que existem no Brasil, 99% são pequenos negócios e representam 30% do PIB brasileiro.
O povo brasileiro é reconhecido mundialmente como empreendedor, criativo, com características de saber solucionar problemas e lidar com emergências de forma muito rápida. Não é à toa que quase 1 a cada 4 pessoas, cerca de 24,76% da população nacional, empreende em algum tipo de negócio. Infelizmente com a pandemia, o Brasil caiu do 4.º lugar em taxa total de empreendedorismo no mundo para o 7.º lugar.
A grande maioria dos novos empreendedores que surgiram foi devido a necessidade de gerar uma nova fonte de renda. Segundo o presidente do Sebrae, Carlos Melles, “a taxa total de empreendedorismo no Brasil sofreu uma redução nunca vista antes. A pandemia do coronavírus veio e derrubou o mercado todo, em especial os mais antigos. Por outro lado, por causa do desemprego, entrou muita gente nova e inexperiente que tenta sobreviver, por meio de um pequeno negócio. O mundo inteiro sentiu esse impacto, mas no Brasil os efeitos sobre o empreendedorismo foram mais fortes ainda”. De acordo com o Sebrae, as dez atividades económicas mais desenvolvidas por empreendedores em 2021 têm sido:
- Comércio retalho de vestuário e acessórios (56 mil).
- Promoção de vendas (46 mil).
- Cabeleireiro, manicure e pedicure (36,5 mil).
- Fornecimento de alimentos preparados para consumo domiciliar (32,5 mil).
- Obras de alvenaria (32 mil).
- Serviços de documentação e apoio administrativo (29,5 mil).
- Restaurantes (28 mil).
- Lanchonetes, casas de chá, sucos e similares (24 mil).
- Transporte de cargas (22 mil).
- Comércio retalho de bebidas (21 mil).
Em relação ao ecommerce, as vendas de produtos de higiene, móveis e acessórios foram as que mais cresceram durante a pandemia, uma vez que o lar passou a ser também escritório e área de lazer. “Cuidar do mundo em que vivemos” tem ficado cada vez mais em pauta, tornando cada vez mais importante ações que estejam ligadas à sustentabilidade, assim como o consumo e compra de produtos que não agridam o meio ambiente. Seguindo esta influência, os cosméticos veganos e “cruelty free” continuam ditando tendência no mercado de beleza.
No retalho, de acordo com uma projeção do Ibevar (Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo) as vendas devem crescer 2% entre maio e julho (desconsiderando veículos, autopeças e materiais de construção). Claudio Felisoni de Angelo, presidente do Ibevar, afirma que o retalho continuará a crescer no segundo semestre. E acredita que com o avanço da vacinação, a confiança do consumidor e do retalhista será retomada.
Entre as inovações surgidas por aqui, uma que me chamou atenção foi a start-up KM Solidário, uma healthteach que em três meses conquistou 60 mil utilizadores. A caminhada à beira mar ou a corridinha no calçadão pode virar uma doação para uma instituição de caridade. A start-up já arrecadou mais de 350 mil reais em doações para 15 instituições. O aplicativo faz dinheiro com a sua base de utilizadores e fatura com publicidade.
O mercado bitcoin acabou de levantar US$ 200 milhões com o Softbank a tornar-se o mais novo unicórnio brasileiro. A holding 2TM, dona da Mercado Bitcoin tornou-se o primeiro unicórnio de criptomoeda da América Latina avaliada em US$ 2,1 bilhões. O aporte também se tornou a maior ronda de Série B já realizada numa start-up brasileira. A equipa de 100 funcionários em 2020 cresceu para 500 funcionários em 2021.
A Divi-hub, fintech lançada agora em julho, traz uma nova forma de financiamento coletivo. Com apenas R$10, é possível investir em projetos de entretenimento digital como canais do Youtube, games e música e ser remunerado com parte do lucro dos criadores de conteúdo. Uma aquisição que movimentou recentemente o mercado brasileiro foi a da Elo7, um marketplace de itens exclusivos e artesanais pela Etsy, plataforma americana de ecommerce de produtos artesanais, por US$ 217 milhões.
A Elo7 possui 56 mil vendedores, 1,89 milhão de clientes e quase 8 milhões de itens à venda para casamentos, decoração e bijuterias. Resumindo, a economia brasileira dá sinais de retoma, o pequeno empreendedor continua tentando sobreviver à oscilação das condições de mercado geradas pela pandemia e o ecossistema de start-ups, fusões e aquisições continua nadando de braçada com investimentos milionários.