Opinião

As PME e os Digital Innovation Hubs

Pedro Cilínio, diretor da DIN*

Segundo o relatório da OCDE “Going Digital: Shaping Policies, Improving Lives”, apesar da maioria das empresas recorrer as ferramentas digitais, elas não exploram na totalidade o seu potencial para o negócio, em particular as PME.

Face a esta realidade, e com a transformação digital em curso, levanta-se a questão de como potenciar a adoção das tecnologias digitais por parte das PME, de forma a impulsionar a produtividade destas empresas.

De fato, as PME podem beneficiar bastante das novas tecnologias digitais para melhorar os níveis de produtividade, potenciando a inovação e reduzindo os custos dos processos de negócio. Por exemplo, a transformação digital através das plataformas web, facilita o acesso aos mercados internacionais aumentando o potencial comercial dos produtos e serviços. As PME também podem recorrer a tecnologias digitais para compreender e melhorar os processos dentro da empresa. Podem-se encontrar diversos exemplos de boas práticas de transformação digital nas empresas nos Open days i4.0 promovidos pelo IAPMEI e pela COTEC.

No entanto, apesar destes exemplos, apenas 20% das PME da União Europeia (UE) são altamente digitalizadas, pois existem barreiras que limitam o acesso das PME a estas novas tecnologias, como a dificuldade em aceder ao financiamento ou a inexistência de capacidade tecnológica e a falta de qualificações digitais ao nível dos seus recursos humanos e da gestão.

Para ajudar as PME a superarem as barreiras ao uso de tecnologias digitais, diversos Governos têm vindo a desenvolver medidas conducentes à criação de um ambiente mais  favorável à sua adoção. É neste contexto que surge, por exemplo, a estratégia nacional Indústria 4.0.

Por outro lado, para aumentar o impacto da transformação digital nos seus negócios, as PME ao necessitar cada vez mais de acesso a tecnologias digitais avançadas, tais como a computação de elevado desempenho, a utilização de inteligência artificial ou o blockchain na segurança de transações. Estas tecnologias não estão acessíveis à generalidade das PME porque implicam grandes investimentos, carecem de acesso a competências digitais específicas e/ou são tecnologias apenas disponíveis em centros de competência especializados normalmente localizados dentro de universidades.

Foi por essa razão, que a Comissão Europeia propôs para 2021-2027 um pacote de 9,6 mil milhões de euros através do Programa Europa Digital, tendo como objetivo investir fortemente em áreas onde a Europa necessita de desenvolver capacidades digitais avançadas, a fim de reforçar e defender a sua liderança tecnológica industrial face aos principais blocos económicos rivais, nomeadamente em computação de alto desempenho, inteligência artificial, cibersegurança e competências digitais avançadas. Estes investimentos reforçarão  a aposta que tem sido efectuada através de outros programas europeus como o Horizon 2020, de que é exemplo o financiamento de um supercomputador petascale a ser instalado na Universidade do Minho, com uma capacidade 40 vezes superior à atual capacidade de cálculo do maior supercomputador português.

Ao investir na criação destas capacidades digitais avançadas, torna-se necessário desenvolver canais que permitam o seu acesso e utilização também pelas empresas, em particular pelas PME. É neste contexto que surge a criação de uma rede europeia de polos de inovação digital ou digital innovation hubs como são mais conhecidos.

Os digital innovation hubs funcionam como uma one-stop-shop que ajuda as empresas a adoptarem tecnologias digitais e assim, promovendo a sua competitividade. Estes hubs são redes colaborativas que incluem centros de competências digitais específicas, permitindo o acesso aos mais recentes conhecimentos e tecnologia que as empresas e outras entidades necessitam para o desenvolvimento, teste e experimentação de inovações digitais.

O hub também fornece apoio no acesso a financiamento necessário para implementar as inovações digitais. Eles atuam como uma porta de entrada e fortalecem o ecossistema de inovação pois resultam de cooperação entre vários parceiros com competências e atuações complementares, incluindo centros de investigação, universidades, associações empresariais, clusters de competitividade, incubadoras, agências de desenvolvimento, entre outros atores do ecossistema de inovação nacional ou regional.

Refira-se que existem já diversos digital innovation hubs por toda a europa que podem ajudar as PME na sua transição digital, sendo expetável que a estes se juntem outros que resultem das necessidades e iniciativa dos ecossistemas nacionais e regionais de inovação.

O Programa Europa Digital, prevê o apoio à criação e desenvolvimento de uma rede europeia de digital innovation hubs abrangendo todo o espaço europeu, que irá ajudar as empresas de todas as regiões a beneficiar das oportunidades digitais e servirá de ponto de acesso às capacidades a criar nível europeu, nos domínios da computação de alto desempenho, inteligência artificial e cibersegurança.

Fonte: Digital Innovation Hubs: Mainstreaming Digital Innovation Across All Sectors

*Direção de Investimento para a Inovação e Competitividade Empresarial do IAPMEI.

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Pedro Cilínio

Pedro Cilínio

Atualmente é assessor do Conselho Diretivo do IAPMEI, depois de, entre dezembro de 2022 e novembro de 2023, ter passado pelo cargo de secretário de Estado da Economia. Tem mais de 20 anos de experiência em promoção de investimento para a inovação, internacionalização e competitividade das empresas, adquirida em várias funções exercidas no IAPMEI e na AICEP (ex-ICEP), grande parte das quais na gestão de unidades de negócio. Desde 2006 no IAPMEI, foi diretor na área de sistemas de incentivos... Ler Mais..

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