Opinião

Aprender – Desaprender – Reaprender

Emanuel Serrano, vice-presidente de Business Solutions da Future Compta 

O desafio que estamos todos a viver parece impor-nos a necessidade de reinvenção! Embarcámos num processo de transformação que ultrapassa as empresas e a sociedade, e a esta distância até nós próprios. Nunca a tecnologia esteve tão presente nas nossas vidas, e nunca estivemos tão dependentes dela, inclusivamente para “viver” com alguma “normalidade”.

A digitalização em curso, de certa forma acelerada, não é suficiente para lidar com a necessária transformação digital. Quando falamos de digitalização, no fundo estamos a falar em adotar ferramentas digitais para facilitar operações, por exemplo, tarefas de processamento de informação e canais digitais, recorrendo a tecnologias. Contudo, transformação digital vai muito para além da digitalização!

Obriga a transformar processos, modelos de negócio, canais de contato, inovação. E com isso, e mais substantivamente, obriga a transformar competências. Trata-se, portanto, de um processo que implica estratégia e não apenas uma resposta operacional de curto prazo. Requer um plano e, acima de tudo, as competências certas! A transformação digital obriga assim a dominar, e a reconstruir, o processo de criação de conhecimento.

Como Alwin Toffler afirmava: “Os analfabetos do século XXI não serão aqueles que não podem ler e escrever, e sim aqueles que não conseguem aprender, desaprender e reaprender.” Ora este processo de aprender – desaprender – reaprender parece ser a fórmula certa, o atalho mais simples.

Contudo, implica assumir que o conhecimento tem prazos de validade cada vez mais curtos. E aqui reside a questão de fundo: tempo e disponibilidade para ao longo da vida aceitar o desafio de constantemente aplicar esta fórmula, e desafiar o status quo. No fundo reduzir a resistência à mudança.

A situação atual demonstra que este é o maior desafio que as organizações têm de endereçar, e prova que muitas, excedendo todas as expetativas, o conseguirão fazer. Num muito curto espaço de tempo tiveram a capacidade de adaptação radical a novos contextos e a novas formas de trabalho. Ora, este esforço nasceu e bem do sentido de urgência da necessidade operacional.

Em muitos casos digitalizou-se, fez-se o sprint, ainda não se transformou. E aqui reside a questão de fundo, a maratona, aceitar que aprender – desaprender – reaprender são para a vida.

E por isso não se trata apenas de um desafio individual. Trata-se de um esforço que deve ser assumido por todos, e sobretudo por parte das organizações que têm de olhar elas próprias para esta fórmula e sobre ela reconstruirem os seus processos, e quando isso acontecer voltar a repetir. Desta forma estou certo que conseguirão abraçar a tão necessária transformação digital.


Emanuel Serrano é vice-presidente de Business Solutions da Future Compta, ocupando ainda diversos lugares de destaque dentro do mais antigo grupo tecnológico nacional, como membro da Comissão Executiva da Compta, presidente e administrador da Compta Business Solutions e administrador da Bee2Fire, uma empresa especializada na deteção antecipada de incêndios com recurso a AI (Inteligência Artificial).

Possui formação em Eletrónica e Telecomunicações, pelo Instituto Superior de Engenharia de Lisboa, em Empreendedorismo e Gestão de Empresas, pelo Instituto Superior de Economia e Gestão – ISEG/IFEA, tendo ainda realizado o Programa Avançado de Gestão para Executivos (PAGE), na Universidade Católica de Lisboa.

Detentor de uma carreira profissional sempre ligada ao setor das TI (Tecnologias de Informação), Emanuel Serrano desempenhou várias funções de gestão, tendo liderado inúmeros projetos de transformação digital em tantos outros setores de atividade que são hoje referências quer no mercado nacional, quer internacional. Tem sob a sua responsabilidade o disruptivo departamento de R&D do grupo COMPTA, equipa responsável pela criação e desenvolvimento da oferta de produtos próprios, assentes em tecnologias emergentes como IA ou IoT (Internet das Coisas), para os mais distintos setores: Smart Cities, Energia, Ambiente, Investigação Criminal ou Deteção de Incêndios.

Comentários

Artigos Relacionados