Apenas 24% dos novos negócios tornaram-se empresas viáveis na última década

Apenas dois em cada dez novos negócios desenvolvidos na última década em grandes empresas conseguiram tornar-se projetos viáveis, segundo um estudo da McKinsey & Company que conclui ainda que a maioria dos executivos considera o desenvolvimento de novos produtos ou serviços uma prioridade para crescer no pós-pandemia.

A criação de novos negócios surge nas prioridades das agendas das empresas como efeito da pandemia de Covid-19, que tem impactado negativamente a faturação em vários setores e reforçou a necessidade de novas fórmulas de crescimento.

De acordo com um inquérito da McKinsey & Company, realizado a 800 executivos de empresas de vários setores e regiões, cinco em cada dez executivos (52% dos inquiridos) consideram o desenvolvimento de novos produtos, serviços ou novos modelos de negócio uma prioridade para crescer. Para além da diversificação das receitas, as empresas veem nestes novos desenvolvimentos a possibilidade de aumentar o seu crescimento orgânico, atenuando os efeitos das perturbações e adaptando-se às necessidades em mudança dos seus clientes e ao ritmo do próprio mercado.

À luz desta tendência acelerada pelo efeito da pandemia, a McKinsey prevê que uma nova onda de inovação possa ser impulsionada pelo aumento do empreendedorismo, à medida que mais empresas adotam a abordagem de criar novos negócios, produtos e serviços dentro das suas organizações.

O estudo revela ainda que ter uma estratégia de desenvolvimento de negócios já provou ser uma boa oportunidade para as empresas durante os tempos da pandemia, em 2020 – 34% das empresas que priorizaram o desenvolvimento empresarial não experimentaram alterações descendentes e até tiveram uma melhoria no crescimento.

No entanto, a captação do valor do crescimento resultante do desenvolvimento de novos negócios parece ainda estar reservada a um pequeno segmento de empresas. Questionados sobre negócios viáveis, de grande escala, desenvolvidos nos últimos dez anos, os inquiridos afirmaram que 66% destes foram criados por 20% das empresas tradicionais. As taxas de sucesso, a longo prazo, das novas empresas também são moderadas. De acordo com a pesquisa, apenas 24% dos novos negócios criados em grandes corporações tornaram-se empresas viáveis de grande escala.

Ainda de acordo com o inquérito, 30% dos negócios que falham não correspondem às expectativas de crescimento, precisamente devido a perturbações inesperadas no mercado e no próprio ambiente empresarial.

A McKinsey salienta também que a flexibilidade e a capacidade de adaptação são fundamentais quando surgem desafios às hipóteses predefinidas. Assim, as empresas que criam novos negócios, produtos ou serviços com sucesso têm um roteiro específico de linhas orçamentais que respondem efetivamente às incertezas internas; testam continuamente produtos, serviços e modelos de negócio para identificar problemas e corrigir falhas; e analisam os dados certos continuamente para agir e corrigir.

Ter o apoio da liderança, apostar no talento certo, incluindo o talento digital, e ter uma visão profunda dos mercados em que se opera são aspetos essenciais. “Para lançar e fazer crescer um novo negócio, as empresas precisam de desenvolver conscientemente novas capacidades: estruturar, liderar e obter talento – incluindo digital – para a nova empresa; compreender oportunidades de mercado e ter uma estratégia de aquisição de clientes rentável e de longo prazo”, explica Benjamim Vieira, que lidera a área de Digital da McKinsey em Iberia.

“Uma questão fundamental é saber se as necessidades de mercado estão a ser satisfeitas. Demasiadas vezes, a resposta a esta pergunta é uma suposição e é crucial aplicar uma abordagem ágil de tentativa e erro que integre metodologias centradas no utilizador”, acrescenta o responsável.

Embora a pandemia tenha acelerado a tendência de criação de novos negócios, o compromisso com o crescimento orgânico já se destacava e cerca de 74% das empresas que fizeram esta aposta cresceram acima da média nos seus setores. Adicionalmente e de acordo com a análise, entre o grupo de empresas que já impulsionaram o crescimento orgânico, há um pequeno grupo de companhias que mostram taxas de sucesso duas vezes mais altas do que as start-ups com grande potencial (24% contra 8%, respetivamente).

“A construção de novos negócios oferece uma oportunidade única para as empresas: a possibilidade de combinar a agilidade de uma start-up e o potencial de crescimento rápido com os recursos e a sabedoria de uma empresa já estabelecida. E essa é uma combinação poderosa”, conclui Benjamim Vieira.

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