A Station F irá nascer na antiga estação de caminhos de ferros de Paris e irá converter-se no maior campus de start-ups do mundo, recuperando o estatuto da capital francesa como um núcleo tecnológico global.

Pelos carris da Halle Freyssinet já não passa nenhum comboio, mas a antiga estação de caminhos de ferro de Paris rapidamente se transformará numa locomotiva da economia mundial.

A capital francesa quer voltar a ser o núcleo tecnológico da Europa – e do mundo. Por isso, está a transformar uma das suas estações ferroviárias mais antigas – construída entre 1927 e 1929 pelo engenheiro Eugène Freyssinet – no “maior campus de start-ups do mundo”, segundo os impulsionadores do projeto.

90 anos depois, a estação mudará o seu nome para Station F e adotará uma função bastante diferente da idealizada inicialmente, já que, no seu interior não viajarão passageiros, mas ideias.

O icónico espaço que foi reconhecido como monumento histórico em 2012, albergará mais de 3000 empreendedores do setor tecnológico, juntamente com um milhar de start-ups. O Facebook escolheu a antiga estação para lançar a sua primeira incubadora de start-ups da Europa a que vai chamar “Startup Garage”.

Um Silicon Valley à francesa

No total, a Station F contará com um investimento de 267 milhões de dólares (245 milhões de euros), um montante que o multimilionário Xavier Niel – um dos homens mais ricos de França – decidiu aplicar ao projeto, que será gerido pela empreendedora americana Roxane Varza.

“Temos visto como o impacto do Brexit [a saída do Reino Unido da União Europeia]e Donald Trump afetam os lugares que os empreendedores escolhem para estabelecer as suas empresas”, informou Varza à BBC. “E também como os preços de Silicon Valley subiram astronomicamente nos últimos anos”.

“Muitas das start-ups que antes tinham pensado no Reino Unido (ou Estados Unidos) decidiram agora vir para França e para outros lugares da Europa”, disse Varza.

Na Station F serão instalados 10 programas para o desenvolvimento de empresas (como o Programa Fundadores para pôr os empresários em contacto), oito espaços para organizar eventos, cinco restaurantes, uma cafetaria e um bar para fazer networking. Mas também contará com o seu próprio centro de fitness, um laboratório de produção, um auditório, uma estação de correios, sala de videojogos, espaços de descanso e jardins.

O novo campus de start-ups já tem data de abertura oficial: 1 de junho. Um mês depois espera-se que as primeiras start-ups cheguem ao novo espaço. Entre elas encontram-se as francesas Daphni, Ventech, Kima Ventures, Vente-Privée e a escola de negócios HEC Paris.

A Halle Freyssinet era um pavilhão que pertencia à SNCF, a rede nacional de caminhos de ferro de França.

Niel comprou-o por mais de 75 milhões de dólares (69 milhões de euros) e agora espera que o seu novo investimento permita transformar a estação num centro tecnológico, aberto 24 horas por dia, sete dias por semana.

O edifício já está praticamente terminado. “Será um grande espaço, louco e ativo, que porá Paris no mapa tecnológico global”, disse Varza.

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