Opinião

Anemia empresarial

Franquelim Alves, Managing Partner da SIGISFIN

Um corpo anémico não tem estamina!!!! Pode até ter muita vontade, muito desejo, mas a debilidade física provocada pela anemia é um empecilho que só com uma medicação forte em vitaminas e muito ferro se pode ultrapassar.

As empresas portuguesas estão, na sua grande maioria, em estado anémico. A causa da anemia empresarial mede-se pelo baixo teor de capital na empresa. É essa sub-capitalização que torna as empresas débeis, incapazes de responder aos desafios da competitividade e da inovação. Sem capital (poucas hemoglobinas e glóbulos vermelhos) a empresa não consegue renovar-se e alimentar a sua necessidade de pensar, inventar e criar novos conceitos, novos processos, novas formas de estar nos negócios. O capital desempenha a função dos glóbulos vermelhos no corpo humano que são indispensáveis para distribuir as necessárias quantidades de oxigénio a todo o corpo, a começar pelo cérebro. O capital é indispensável para manter uma empresa vitalizada, saudável e com vontade e estamina para lutar, competir e sobreviver.

Convém, por isso, que os novos fundos de capitalização sejam bem aproveitados pelas empresas. Esses fundos não resolverão todos os problemas mas ajudarão.

As empresas devem, por isso, aproveitar a oportunidade beneficiando de acesso a capital em condições mais favoráveis do que as impostas por acionistas privados, uma vez que as exigências de retorno e de aceitação de risco estão mais mitigadas pelo facto de tratarmos de fundos públicos com patrocínio comunitário.

Tal não significa menos exigência nos projetos a locar ao capital nem à sua utilização. Pelo contrário: importa aproveitar esta oportunidade para desenvolver planos de expansão e crescimento da empresa que saibam associar a utilização destes fundos públicos com a associação a parceiros de negócio e de capital que permitam aproveitar esse reforço de glóbulos vermelhos para a consolidação da empresa ao nível da qualidade da gestão e dos recursos humanos, da capacidade para inovar e lançar produtos de maior valor acrescentado e para expandir a sua presença no mercado.

Ao Estado compete criar estímulos complementares que aliciem as empresas para o esforço de capitalização. E aí os incentivos de natureza fiscal ao nível das concentrações e fusões empresariais e dos investidores em capital acionista, entre outros, são mais que que bem-vindos até porque já tardam, há muito, em aparecer.

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Franquelim Alves

Franquelim Alves

Franquelim Alves é managing partner da SIGISFIN (ex-New Finance, Lda.). Anteriormente, foi diretor-geral da 3anglecapital, sociedade especializada em operações de M&A e serviços de “advisory” financeiro. Licenciado em economia, pelo ISEG, detém um MBA em Finanças pela Universidade Católica Portuguesa e o Advanced Management Program da Wharton School of Philadelphia. Desempenhou funções de administração financeira no Grupo Lusomundo e no Grupo Jerónimo Martins. Iniciou a sua carreira na Ernst & Young, onde desempenhou funções de Sócio responsável pela área de... Ler Mais..

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