A Aldeia Cannabis, sediada em Toronto, no Canadá, está pronta para lançar raízes à terra em Portugal, num negócio que é de escala global. A start-up aguarda a aprovação do Infarmed para dar início à produção de canábis medicinal nas Caldas da Rainha.

As condições privilegiadas de Portugal – bom clima, horas de exposição solar, terrenos baratos, mão de obra qualificada na área agrícola e a preços competitivos  – estão a atrair dezenas de interessados em tornar o País na porta de entrada para o mercado europeu de canábis medicinal. A Aldeia Cannabis é disso exemplo.

“Somos uma start-up de canábis que está prestes a iniciar uma instalação de cultivo para pequenos lotes de canábis medicinal no distrito de Leiria. Estamos sediados no Canadá, mas temos raízes portuguesas, por isso decidimos levar as nossas operações de cultivo para Portugal, mantendo os nossos contratos de fornecimento com os nossos clientes norte-americanos”, começa por contar Kyle Leite, CEO da Aldeia Cannabis ao Link To Leaders.

A Aldeia Cannabis começou em Toronto, no Canadá, disponibilizando canábis medicinal a médicos, mas hoje os seus objetivos vão além-fronteiras. “Decidimos relançar e expandir a nossa operação, mas queríamos cultivar no exterior, onde pudéssemos fazer mais investimentos. Decidimos levar o cultivo para Portugal, onde outros produtores canadianos de canábis já estão a operar. Com raízes no continente e nos Açores, sabíamos que não havia lugar melhor para levar os negócios do que para Portugal”, frisa o empreendedor, que conta com uma equipa com experiência em cultivo de canábis, segurança física e biológica e neurologia (instituto de neurociência – Dr. Manuel Laranjeira).

Neste momento a Aldeia Cannabis quer iniciar ao processo de construção de uma instalação de última geração na cidade de Santa Catarina, nas Caldas Da Rainha. Os terrenos consistirão numa instalação de cultivo de 1500 m2, com uma abordagem de agricultura vertical, capaz de produzir entre 8 a 10 toneladas de canábis medicinal anualmente. O terreno conta com 1.4 hectares.

Segundo Leite, o cultivo indoor permite manter condições ambientais precisas e com programas de irrigação e fertilização totalmente automatizados que podem ser controlados para obter mais qualidade e rendimento.
Para além disso, a start-up quer diminuir a pegada de carbono. “Acreditamos no uso de recursos sustentáveis para reduzir a nossa pegada de carbono o menor possível, de modo que a Aldeia Cannabis usará energia solar para abastecer as suas instalações e um sistema de reciclagem de água para maximizar o nosso uso de água e controlar os nossos resíduos. A instalação recorrerá apenas de iluminação LED nas salas de cultivo, corredores e escritórios, reduzindo ao máximo o nosso consumo elétrico”, revelou Leite.

Numa segunda fase, o objetivo da Aldeia Cannabis é aumentar o espaço de cultivo e, consequentemente, a capacidade de produção. A estratégia passa também por criar um espaço de cultivo ao ar livre para a produção de canábis e cânhamo com alto teor de canabidiol (CBD) para “processamento, para criar óleos e outros produtos com infusão da canábis, e ainda laboratórios de pesquisa e uma clínica no local para testes”.

Leite prevê que “irão empregar entre 75 a 100 pessoas no primeiro ano de atividade e que conseguirão duplicar a força de trabalho nos primeiros dois a três anos. Queremos exportar para o mercado canadiano e europeu. Como as nossas instalações serão certificadas pela EU-GMP, seremos elegíveis para vender os nossos produtos ao mercado europeu”.

Para atingir esta meta, a Aldeia Cannabis investirá 3 milhões de euros nos primeiros cinco anos em infraestruturas, expansão e pesquisa e desenvolvimento. Até lá, a start-up está a aguardar a aprovação da Infarmed, que regula e supervisiona o ciclo desde o cultivo, incluindo autorizar medicamentos, preparações e substâncias à base da planta da canábis, além de aprovar as indicações terapêuticas.

Se algum investidor se quiser juntar ao projeto, também será bem-vindo, conclui Leite.

Mercado mundial vs mercado português da canábis
Dados da Grand View Research estimam que o mercado mundial da canábis legal atinja 130 mil milhões de euros até 2025, a maior fatia (88 mil milhões de euros) para uso medicinal, legalizado em 35 países ou territórios. Já a Arcview Market Research aponta para valores consideravelmente mais baixos: consumo legal em 2027 a valer 51 mil milhões de euros e apenas um terço a vir do uso terapêutico.

Em Portugal, os números parecem promissores. O The European Cannabis Report, lançado pela consultora estratégica Prohibition Partners, aponta para um mercado potencial de 1 100 milhões de euros em 2028, vindo a maioria desse valor (600 milhões de euros) do uso recreativo, ainda por legalizar. E avalia o mercado negro de canábis em Portugal em pelo menos 106 milhões de euros por ano.

Resumo:
Área: Saúde
Produto: Cannabis Medicinal
Mercados: Brasil, Espanha, França, Itália
Necessidade: Parceiros e investidores
Contacto: kyleleite@aldeiacannabis.com

Comentários