Opinião

A chave para aliviar o burnout na saúde e garantir sustentabilidade poderá estar na inteligência artificial

Tiago Cunha Reis, docente universitário*

A inteligência artificial (IA) pode mitigar o burnout entre profissionais, um problema agravado pela pandemia. As taxas de burnout são elevadas: 93% dos profissionais de saúde relatam desgaste frequente, e quase metade considera abandonar a profissão devido ao stress.

Em Portugal e na Europa, onde persiste a escassez de profissionais de saúde, a IA surge como uma solução para reduzir a sobrecarga e melhorar a qualidade de vida destes trabalhadores. Como? Vamos ver:

  • Automatização de tarefas administrativas

Grande parte do desgaste advém de tarefas administrativas, como agendamentos, faturação e documentação clínica. Estas funções, que representam um peso considerável, podem ser simplificadas com IA, e são assim uma importante oportunidade para empreendedores. Ferramentas de processamento de linguagem natural que consigam transcrever automaticamente conversas médico-paciente, reduzindo o tempo dedicado à introdução de dados, permitem aos profissionais que se concentrem no cuidado direto com o doente aliviando o tempo dedicado a tarefas administrativas.

  • Análise preditiva para gestão de pacientes

A pressão para interpretar grandes volumes de dados é uma fonte de stress, especialmente quando as ferramentas analíticas não estão bem integradas nos fluxos de trabalho. Existe assim uma necessidade clara de sistemas avançados que consigam identificar rapidamente padrões e anomalias em dados de pacientes, facilitando a gestão preventiva dos cuidados futuros. Melhores cenários de previsão imputam às equipas um melhor nível de preparação.

  • Colmatar a escassez de profissionais

A escassez de profissionais na saúde é uma realidade na Europa, com previsões de défices em várias especialidades. A IA pode ajudar a colmatar esta falta ao automatizar tarefas de rotina, libertando recursos humanos para tarefas mais complexas. Um exemplo é o desenvolvimento de sistemas de IA que monitorizem sinais vitais em tempo real e determinem estatisticamente a progressão futura da condição a 1, 12 e 24 horas.

Para os empreendedores na área da saúde, a IA representa mais do que uma inovação tecnológica; é uma ferramenta estratégica capaz de transformar o ambiente de trabalho, melhorar a eficiência e aliviar a pressão sobre um setor já sobrecarregado. Investir em soluções de IA que automatizem tarefas, analisem dados de forma preditiva e ofereçam suporte em contextos de escassez de profissionais é investir no futuro da saúde. Este é o momento para construir um sistema de saúde mais resiliente e humano, onde a tecnologia não substitui, mas apoia os profissionais e coloca o cuidado com o paciente no centro de uma operação verdadeiramente sustentável e eficaz. Existem vários problemas e procuram-se soluções.

*Docente universitário, Doutorado em Bioengenharia e aluno de Medicina


Tiago Cunha Reis, Ph.D., é doutorado em Sistemas de Bioengenharia pelo programa MIT-Portugal, tendo desenvolvido o seu doutoramento no Hammond Lab (MIT, EUA). Com foco nas necessidades de translação médica, o então engenheiro é agora aluno de Medicina. Reconhecido por sua paixão pela humanização da tecnologia em saúde e por melhorar ferramentas de diagnóstico e prognóstico, Tiago Cunha Reis possui um amplo histórico de prémios, publicações e nomeações internacionais em sociedades científicas europeias. Fomentador de conhecimento aplicado, fundou uma start-up focada em sensores e inteligência artificial, a qual expandiu internacionalmente antes de ser adquirida no final de 2022.

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