WEF: Como podem as empresas preparar-se para a realidade pós-pandemia

O World Economic Forum (WEF) sugere três medidas para os negócios se preparem para um futuro pós-pandemia.

Com o impacto da pandemia, mudou a rotina pessoal e profissional e muitas empresas tiveram de se adaptar rapidamente de modo a evitarem quedas nos níveis de produtividade e de lucro. Contudo, um ano após o surgimento da Covid-19 e já com as campanhas de vacinação a decorrer, aproxima-se um futuro mais otimista, mas que exige atenção e ação por parte das organizações.
A pensar no impacto sofrido pelas empresas que tiveram de mudar o seu sistema de funcionamento, adaptando-se, em grande parte dos casos, ao teletrabalho, e à nova realidade que será o pós-pandemia, o The World Economic Forum sugere três medidas que podem pôr em prática para se prepararem para a nova fase.

  1. O papel ampliado do Estado

De forma a proteger os seus cidadãos, o país e a economia, os Governos tiveram de fazer esforços extras para garantir a proteção e salvaguarda de todos até ao início das campanhas de vacinação. Definiram  e implementaram os programas de vacinação – que destacam o poder das parcerias público-privadas -, criaram pacotes fiscais para apoiar a economia e, em certos setores, enfatizaram o apoio financeiro a PME de modo a que as maiores não monopolizassem os mercados nem destruíssem as mais pequenas. E, agora, segundo o WEF, os negócios devem pensar como podem capitalizar essas oportunidades e apoios.

Em alguns setores de atividade, os Governos tornaram grandes players económicos através dos apoios financeiros que prestaram a determinados negócios durante a pandemia. Aliás, as empresas podem inclusive deparar-se com o facto dos Governos serem acionistas dos seus principais concorrentes, o que pode levar a novas decisões estratégicas, desde investimentos a reestruturações, com implicações para pequenas empresas num cenário económico e político mais amplo.

  1. Agenda verde no centro das atenções

A pandemia acentuou as preocupações e a urgência em torno das mudanças climáticas. Também, destacou a importância de antecipação e mitigação das principais ameaças ao bem-estar populacional e ambiental. Neste contexto, muitas serão as economias que optarão pela descarbonização, o que implicará uma maior procura por tecnologias especializadas e trará uma pressão regulatória redobrada às empresas.

A importância da descarbonização criará financiamento de longo prazo, bem como desafios de transição para muitas indústrias – sobretudo as que usam carbono em grandes quantidades. Mas paralelamente também criará oportunidades. Isto porque uma maior transparência e determinação para arranjar soluções e criar iniciativas sustentáveis e amigas do ambiente ajudará as empresas a atrair mais investimentos de ativos sustentáveis.

  1. Ganhar tempo 

É expetável uma recuperação económica significativa nas principais economias mundiais, impulsionada por estímulos fiscais dos Governos e investimentos empresariais. Muitas são as empresas que optaram por responder à crise através do controlo de custos e revisões das carteiras de negócios para preservar o negócio. Atualmente, e de acordo com uma pesquisa efetuada pela Gartner, cerca de 8% das maiores empresas de capital aberto superaram os concorrentes nos anos que se seguiram à crise financeira de 2008/2009.  Isto significa que fizeram o investimento certo para impulsionar o crescimento e expansão da sua empresa e presença no mercado.

Já de acordo com mais recente barómetro de confiança de capital global da EY, relativo a executivos de alto escalão, 65% dos aspirantes a negociadores encontra-se à procura de ativos internacionais. Este aumento antecipado de compras de ativos resultará numa competição acesa por talentos e ativos, o que levará ao aumento dos preços e ao risco das empresas pagarem mais pelas aquisições.

Depois de um ano de trabalho remoto forçado, muitas empresas de serviços, estão a pensar em novas formas, práticas de trabalho e contratação de mais pessoal, o que abrirá espaço para novos e mais diversificados talentos. Por isso, como deixa antever o The World Economic Forum, agora, surge uma oportunidade para as empresas mudarem e reformularem o seu futuro, tornando-o mais verde e mais inovador e aproveitando a recuperação para não ficarem para trás por falta de preparação ou de uma resposta eficaz às politicas reguladoras. Quanto mais cedo atuarem neste sentido, maior será a facilidade de garantirem o sucesso num mundo pós-pandémico.

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