Mais de 51% dos jovens já ponderaram emigrar e os salários são a principal motivação

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Falta de feedback durante o recrutamento é motivo de frustração para quase 50% dos jovens. Por sua vez, mais de 51% pensa seriamente em emigrar, aponta novo estudo.

Mais de metade dos jovens portugueses já ponderaram emigrar para trabalhar, embora apenas 10,5% tenham planos concretos para sair do país. A conclusão é do estudo “A Geração Z e o Futuro do Trabalho”, realizado pela Eurofirms – People first, desenvolvido pela Netsonda e com dados ponderados com base em informação do Eurostat.

O estudo revela ainda que 41% dos jovens empregados que procuram novas oportunidades profissionais apontam a falta de transparência sobre salários e condições de trabalho como uma das principais frustrações na procura de emprego. Os resultados evidenciam os desafios que as empresas enfrentam na atração e retenção de talento jovem, nomeadamente no alinhamento entre as expectativas da Geração Z e as oportunidades oferecidas pelo mercado de trabalho.

As diferenças entre expectativas e realidade começam logo na fase de recrutamento. A falta de informação ao longo do processo é apontada por cerca de metade dos jovens que procuram emprego, enquanto a pouca clareza sobre remuneração e condições de trabalho assume particular importância entre quem já está no mercado e pondera mudar de emprego. Para a Eurofirms, estes resultados mostram que a capacidade de reter talento também depende da experiência do candidato, através de processos mais claros, transparentes e coerentes.

“Os dados confirmam aquilo que observamos diariamente no contacto entre candidatos e empresas: a relação com uma organização começa a ser construída ainda no processo de recrutamento. Para a Geração Z, a clareza das condições, o feedback e a coerência entre o que é prometido e o que é encontrado ao longo do processo influenciam diretamente a atratividade de uma oportunidade e a decisão de permanecer numa empresa”, afirma Lucília Queirós, National Leader da Eurofirms Portugal.

Os resultados reforçam a importância do recrutamento na experiência do colaborador e na capacidade de atração e retenção das organizações. Segundo a Eurofirms, processos mais claros, feedback, expectativas bem definidas e maior coerência entre as condições anunciadas e a realidade encontrada pelos candidatos são fatores cada vez mais relevantes para construir relações profissionais sustentáveis.

Apenas 10,5% dos jovens têm planos concretos para emigrar

A intenção de emigrar nem sempre se traduz numa decisão concreta. Segundo o estudo, 41% dos jovens pensaram seriamente em sair de Portugal para trabalhar, mas ainda não tomaram essa decisão, enquanto 10,5% já têm planos definidos para o fazer.

Por outro lado, 34% dos jovens chegaram a considerar a hipótese de emigrar, mas preferem permanecer em Portugal, enquanto 14% nunca equacionaram fazê-lo.

Para a multinacional de gestão de talento, estes resultados representam uma oportunidade de retenção, uma vez que as empresas podem influenciar positivamente a decisão de permanecer no país, através de experiências profissionais mais ajustadas às expectativas dos jovens e de propostas de valor claras e credíveis.

Entre os jovens que já consideraram emigrar, 67% apontam os salários mais elevados no estrangeiro como uma das principais razões, seguindo-se a qualidade de vida e o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, referidos por 43%. O custo da habitação é mencionado por 18%, o desejo de adquirir experiência internacional por 12% e a falta de oportunidades na respetiva área por 9%.

Litoral Centro lidera intenção de emigrar entre os jovens com quase 65%

A análise regional revela diferenças significativas na forma como os jovens avaliam o mercado de trabalho e perspetivam o seu futuro profissional. O Litoral Centro apresenta a maior proporção de jovens que ponderaram seriamente emigrar ou já têm planos para o fazer, com 64,5%, enquanto no Grande Porto essa percentagem desce para 32%, o valor mais baixo entre as seis regiões analisadas.

O Grande Porto regista também o maior alinhamento entre formação e emprego, com 81% dos jovens a trabalhar na sua área. Ainda assim, 64% têm uma perceção negativa do mercado de trabalho, evidenciando um contraste entre a experiência profissional e a avaliação das oportunidades existentes.

Já no Litoral Centro, além da maior intenção de emigrar, 43% dos jovens trabalham numa área não alinhada com a sua formação, um dos valores mais elevados entre as regiões analisadas.

Na Grande Lisboa, 51% dos jovens ponderaram seriamente emigrar ou já têm planos para o fazer. A região destaca-se, contudo, pela proporção de jovens que já têm uma decisão concreta: 15% têm planos firmes para sair do país, face a 6% no Grande Porto. Entre as principais motivações, a qualidade de vida é referida por 47% e a habitação por 22%, fatores com particular relevância na região de Lisboa.

Nas restantes regiões, a mobilidade profissional assume diferentes formas. No Interior Norte, 25% dos jovens imaginam-se a trabalhar noutra região portuguesa. Já no Sul, embora 54,5% ponderem seriamente emigrar, apenas 0,8% têm planos concretos. Esta região apresenta ainda a perceção mais negativa do mercado de trabalho, com 70%, e o maior desajuste entre formação e emprego, de 51%.

Perante estas diferenças regionais, Lucília Queirós defende que “não podemos falar de retenção como se existisse uma resposta única. O que pesa na decisão de um jovem no Porto não é necessariamente o mesmo que pesa em Lisboa ou no Centro. As empresas precisam de conhecer melhor o contexto em que competem por talento e perceber quais são os fatores que podem fazer a diferença para as pessoas que querem atrair e manter”.

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