No Radar: as prioridades do CEO da Portugal Sotheby’s International Realty até ao final do ano

Foto: Miguel Poisson, CEO da Portugal Sotheby’s International Realty

Depois do melhor ano da história da Portugal Sotheby’s International Realty, Miguel Poisson acredita que o verdadeiro desafio da liderança está em continuar a crescer sem perder de vista as pessoas. Nesta reta final de 2026, o CEO coloca a motivação, o reconhecimento e o desenvolvimento das equipas no centro das suas prioridades, num setor em que a inteligência artificial está a transformar a relação com os clientes.

Qual é a prioridade que vai concentrar mais a sua atenção nesta reta final de 2026?

As pessoas. Depois do melhor ano da nossa história, seria fácil olhar apenas para os números. Mas os resultados são a consequência, e o que me ocupa é a causa. A minha prioridade é garantir que a nossa equipa chega a dezembro com energia, com orgulho no que construiu e com vontade genuína de ir mais longe em 2027. Isso passa por estar próximo, por dar a cada líder autonomia e meios para fazer crescer a sua equipa, e por reconhecer quem faz a diferença. Num mercado cada vez mais maduro e exigente, o detalhe decide tudo, e quem cuida do detalhe são as pessoas.

“Aprendi a ouvir mais antes de decidir e a explicar melhor o porquê das decisões”.

Que aprendizagem de 2026 está hoje a influenciar mais a forma como lidera?

Que a motivação não se impõe, cultiva-se. Num ano de tanta mudança, as pessoas precisam de duas coisas: perceber com clareza para onde vamos e sentir que contam nesse caminho. Aprendi a ouvir mais antes de decidir e a explicar melhor o porquê das decisões. E confirmei algo em que sempre acreditei: exigência e cuidado não são opostos. Quando alguém sente que a empresa se preocupa verdadeiramente com o seu bem-estar e o seu crescimento, a exigência deixa de ser imposta e passa a ser própria. É essa a equipa que quero liderar: pessoas que se superam porque querem, não porque lhes é pedido.

Qual é a decisão mais importante que ainda terá de tomar até dezembro?

Como partilhar de forma mais justa e mais duradoura o valor que construímos com quem lidera as nossas equipas no terreno. É uma decisão com uma dimensão financeira, naturalmente, mas é sobretudo uma afirmação de cultura. Quero que quem está connosco sinta que este é o seu projeto, que o sucesso da casa é também o seu, e que vale a pena construir aqui uma carreira de longo prazo. O sentimento de pertença não se pede, merece-se.

” O cliente chega hoje mais informado do que nunca, muitas vezes depois de ter feito as suas perguntas a um assistente de IA”.

 Que tema ou tendência está hoje no seu radar e não estava há seis meses?

A rapidez com que a inteligência artificial está a mudar a forma como o cliente procura, compara e decide. O cliente chega hoje mais informado do que nunca, muitas vezes depois de ter feito as suas perguntas a um assistente de IA. O que nos pede já não é informação, é critério. Isso obriga-nos a uma especialização cada vez mais profunda: por território, por tipo de ativo, por perfil de comprador. A tecnologia fará cada vez melhor o que é repetível. A nós cabe o que é irrepetível: a relação de confiança, o conselho certo no momento certo, a milha extra que o cliente não esperava e de que nunca se esquece.

 Qual considera ser, neste momento, um dos maiores desafios para quem lidera?

Manter equipas coesas, motivadas e com sentido de propósito num mundo que muda mais depressa do que as próprias organizações. Convivem hoje nas empresas gerações, nacionalidades e formas de trabalhar muito diferentes, enquanto a tecnologia redesenha funções e a instabilidade geopolítica pesa nas decisões dos clientes. Liderar, neste contexto, é sobretudo integrar: valorizar quem construiu a casa, abrir espaço a quem chega e criar uma identidade comum, um ADN próprio, que todos reconhecem e de que todos se orgulham. E é também saber pedir alto desempenho sem abdicar do bem-estar de quem o entrega. O equilíbrio continua a ser o mais difícil.

 Complete a frase: Até ao final do ano, quero…

… olhar para a nossa equipa e sentir que cada pessoa tem orgulho de cá estar e vontade de ir ainda mais longe. O resto vem por acréscimo.

“O conforto. Depois de um ano muito bom, é o maior inimigo da excelência”.

Em poucas palavras: 

Uma oportunidade a acompanhar: Um cliente internacional cada vez mais exigente, que nos obriga a ser melhores todos os dias. E ainda bem.

Um risco a não perder de vista: O conforto. Depois de um ano muito bom, é o maior inimigo da excelência.

Uma ideia que merece mais atenção: Formar líderes dentro de casa. O talento que cresce connosco é o que melhor transporta o nosso ADN.

Uma palavra para definir esta reta final do ano: Superação.

A pergunta que me ocupa: O que podemos fazer, todos os dias, para que cada cliente e cada pessoa da nossa equipa sinta que valeu a pena escolher-nos?

 

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