Falhas na ligação entre equipas e ferramentas podem custar 327 mil euros por ano às empresas portuguesas

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57,3% dos líderes empresariais portugueses perdem entre 20% e 30% do seu tempo à procura de informação já existente noutras áreas da empresa, revela novo estudo da Factorial.

Mais de metade (57,3%) dos líderes empresariais portugueses admite perder entre 20% e 30% do seu tempo à procura de informação dispersa por diferentes departamentos, a cruzar dados ou a repetir tarefas já realizadas. A conclusão é do estudo Business Facts Index 2026 – The Cost of Business Disconnection, divulgado pela Factorial, que analisa o impacto da falta de integração entre equipas, processos e ferramentas na produtividade e nos custos das empresas europeias, num contexto de crescente adoção da inteligência artificial.

Quando convertido em valor económico, este tempo perdido representa um custo estimado de 327.002€/ano numa empresa portuguesa com 1.000 colaboradores, considerando apenas o tempo dos managers afetados. Numa organização com 500 colaboradores, o valor corresponde a 163.501€, enquanto numa empresa com 250 pessoas é de 81.750€ anuais. O cálculo cruza o tempo reportado pelos inquiridos com dados oficiais do Eurostat sobre salários e estrutura da força de trabalho.

Ao mesmo tempo que as empresas lidam com estes problemas de fragmentação, os decisores portugueses antecipam mudanças profundas na forma de trabalhar: 84.9% esperam que a IA altere a forma como a sua empresa opera nos próximos 12 meses – o valor mais elevado entre os cinco países europeus inquiridos no estudo. Mais além disso, 25.9% dos inquiridos antecipam mesmo uma transformação radical dos processos de trabalho.

A adoção de IA, no entanto, ainda não se está a traduzir necessariamente numa redução da carga de trabalho: 71.3% dos líderes portugueses afirmam ter aumentado as expectativas de desempenho das suas equipas desde que começaram a trabalhar com IA, enquanto 66.4% indicam que a carga de trabalho se manteve ou aumentou.

Os resultados apontam, assim, para uma mudança na natureza do trabalho, mais do que para uma simples redução de tarefas: a IA começa a assumir atividades administrativas e repetitivas, enquanto decisões, supervisão e julgamento permanecem maioritariamente nas mãos das pessoas. A nível europeu, apenas 6.9% dos decisores afirmam que a IA já gere processos completos de forma autónoma.

Menos ferramentas, mais foco

A fragmentação tecnológica surge também como um problema particularmente relevante em Portugal – 73.2% dos líderes portugueses afirmam perder o foco devido à necessidade de alternar constantemente entre aplicações. Esta é, também, a percentagem mais elevada dos cinco mercados analisados.

Em paralelo, 73.8% consideram que a sua empresa funcionaria melhor com menos ferramentas e soluções mais centralizadas.

Esta desconexão tem também consequências na visibilidade financeira: apenas 29.1% dos líderes portugueses conseguem perceber imediatamente se um departamento está acima ou abaixo do orçamento, enquanto 58.1% precisam de vários dias, ou pelo menos não conseguem obter essa informação de forma imediata.

Os resultados mostram também que a confiança será determinante para uma adoção mais profunda da IA.

Em Portugal, 25.4% dos líderes identificam a integração da IA em software que já utilizam e em que confiam como o principal fator para aumentarem a confiança em agentes de IA – novamente a percentagem mais elevada dos cinco mercados analisados.

A supervisão humana, regras claras e o cumprimento da regulamentação continuam também relevantes, reforçando a importância de integrar a IA nos processos já existentes em vez de acrescentar mais uma ferramenta isolada.

Apesar do elevado interesse, a maturidade da adoção continua limitada: apenas 4.8% das empresas portuguesas têm IA integrada em todas as operações, enquanto 36.4% continuam numa fase de exploração sem utilização diária. A utilização mais profunda das capacidades de IA do software para planeamento, análise ou apoio à decisão chega atualmente a apenas 17.2% das organizações portuguesas.

“As empresas não precisam simplesmente de mais tecnologia. Precisam de tecnologia que una aquilo que hoje continua separado: pessoas, informação, recursos e processos. Os dados do nosso estudo mostram que a desconexão tem um custo real, tanto financeiro como em termos de atenção e tempo,” declarou Tiago Cunha, Director of Strategy & Partnerships da Factorial.

 

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