Opinião

Os pilares fundamentais para a sustentabilidade de um negócio

Bárbara Bouçon, Managing Director do district.space
Foto: Bárbara Bouçon, Managing Director do district.space

A sustentabilidade de um negócio é, muitas vezes, associada sobretudo a questões financeiras. No limite, quando o foco é apenas a própria ideia de sustentabilidade, lembramo-nos de questões ambientais, como reduzir emissões, consumir menos recursos e utilizar equipamentos mais eficientes.

Todas estas dimensões são fundamentais, evidentemente, mas insuficientes para definir o que significa construir um negócio sustentável. Antes de mais, uma empresa sustentável tem de ser capaz de criar valor a longo prazo. Para isso, precisa de ser economicamente viável, mas também de integrar processos que considerem o seu impacto nas pessoas, nas comunidades, na região onde se situa e no meio ambiente. Esta mudança de perspetiva coloca uma responsabilidade acrescida nas equipas de liderança que, para além de gerirem o ambiente interno da empresa, têm também de gerir o panorama externo.

O primeiro pilar para a sustentabilidade de um negócio parte, assim, do entendimento de que a produtividade individual deve ter um impacto positivo coletivo. Por um lado, os negócios geram emprego, atividade, conhecimento, dinheiro e redes de colaboração. Contudo, podem, negativamente, estar a contribuir para a pressão sobre os recursos, desigualdade territorial ou até modelos de desenvolvimento pouco sustentáveis. Ao criar uma empresa, a localização dos espaços de trabalho é decisiva, fazendo com que a reflexão não possa recair apenas sobre o que uma região pode oferecer ao negócio, mas também sobre o que o negócio pode oferecer à região.

O segundo pilar é assumir que os critérios Ambiental, Social e de Governação (ESG) devem ser a base das decisões dos líderes. A estratégia de sustentabilidade não pode ser diferente da estratégia de negócio, visto que a verdadeira mudança só acontece quando o ESG influencia as decisões de investimento, contratação, gestão de pessoas, seleção de fornecedores e expansão. O relatório “Filantropia Estratégica: Caminhos para a Mudança Sistémica”, da Rede Capital Social em parceria com a PwC Portugal e a The Equator Company, revela que entre 50% e 70% das receitas das organizações sociais provêm de financiamento público, o que demonstra a importância do investimento privado e, principalmente, a necessidade de repensarmos a forma como as empresas contribuem para a sociedade.

Da mesma forma, uma empresa que investe no bem-estar dos seus profissionais, promove modelos de trabalho mais equilibrados e cria espaços que favorecem a colaboração está a promover a produtividade, a retenção de talento, a inovação e a cultura organizacional. E é aqui que entra o terceiro pilar: a sustentabilidade de um negócio depende da motivação e do conforto das pessoas que o constroem. Não podemos exigir inovação permanente a profissionais sujeitos a modelos de trabalho que não impulsionam a aprendizagem, a criatividade e a qualidade de vida, assim como também não podemos falar de competitividade enquanto ignoramos o impacto de um ambiente de trabalho pouco saudável no desempenho das pessoas.

Por fim, mais do que construir apenas empresas, importa construir ecossistemas, num contexto em que as organizações não operam isoladamente. São as relações com clientes, fornecedores, colaboradores, associações e comunidades que permitem transformar a produtividade individual em impacto coletivo. Os espaços de cowork têm, aqui, um papel crucial, ao estabelecerem ligações entre profissionais e organizações, criarem oportunidades de aprendizagem e acolherem iniciativas locais e atividades sociais, tornando-se infraestruturas de colaboração e de mudança.

A sustentabilidade de um negócio não se reflete numa iniciativa, num relatório ou numa certificação. Constrói-se nas decisões quotidianas das equipas de liderança, que devem garantir que os negócios têm um papel significativo no ambiente envolvente. Mais do que quantificar o crescimento de uma empresa por si só, é importante pensar se esse crescimento é acompanhado de valor para a comunidade e de impacto social positivo.

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