Pocket vende 200 mil gravadores com IA em oito meses e já aponta aos mil milhões

Foto: Pocket

A start-up norte-americana Pocket vendeu mais de 200 mil gravadores de voz com inteligência artificial em apenas oito meses e atingiu um run rate (projeção de dados para o ano com base no desempenho já conhecido) de 100 milhões de dólares. A empresa prevê chegar aos mil milhões nos próximos dois anos.

A Pocket, uma start-up que passou pela conhecida aceleradora Y Combinator, acredita que os consumidores estarão dispostos a pagar 199 dólares (cerca de 172 euros) por um dispositivo de inteligência artificial para tirar notas, que se fixa à parte de trás de um smartphone e permite gravar, transcrever e resumir conversas.

Akshay Narisetti, cofundador e CEO da Pocket, revelou recentemente ao Business Insider que a empresa atingiu um run rate de 100 milhões de dólares (aproximadamente 86 milhões de euros) apenas oito meses depois do lançamento. O conceito de run rate permite às empresas estimar a receita anual com base em dados obtidos num período mais curto, geralmente um mês, projetando-os para um ano completo.

Outros dispositivos de inteligência artificial acabaram por fracassar depois de períodos de grande entusiasmo, como aconteceu com o Ai Pin, da Humane, que ficou aquém das expectativas dos consumidores e enfrentou problemas de sobreaquecimento. A empresa acabou por ser vendida à HP no ano passado. A Pocket acredita que o seu gravador com IA, ao contrário do Ai Pin, é mais do que uma tendência passageira.

O que a Pocket oferece aos clientes

A Pocket disponibiliza gravação básica, transcrição standard e resumos essenciais sem qualquer mensalidade. Os utilizadores que pretendam armazenamento ilimitado na cloud e funcionalidades de IA mais avançadas têm de pagar um valor adicional.

A subscrição Pocket Pro custa entre 16,50 e 20 dólares (ou seja, 14,24 e 17,26 euros) por mês, ou cerca de 200 a 250 dólares (173 a 216 euros) por ano.

Temos tanto dinheiro a entrar através das subscrições”, afirmou Narisetti.

O responsável revelou ainda que a Pocket já vendeu mais de 200 mil dispositivos e está a crescer a um ritmo de 50% por mês. Segundo o CEO, a start-up, que conta apenas com 12 colaboradores, poderá atingir um run rate de mil milhões de dólares nos próximos dois anos.

Como tudo começou

Narisetti conheceu o cofundador da Pocket, Gabriel Dymowski, na The Residency, uma hacker house em São Francisco. Inicialmente, os dois criaram uma aplicação para tirar notas durante reuniões, mas rapidamente perceberam que os utilizadores procuravam um dispositivo físico que lhes permitisse gravar consultas, encontros e reuniões presenciais.

Entre os primeiros utilizadores encontravam-se médicos e profissionais de vendas, que passam grande parte do dia em conversas presenciais consecutivas com pacientes e clientes.

Narisetti e Dymowski experimentaram diferentes tipos de dispositivos, incluindo óculos e pendentes, antes de optarem por um formato fino, semelhante a um cartão de crédito.

A start-up atribui grande parte do seu crescimento às vendas diretas ao consumidor e às recomendações boca a boca. Narisetti revelou que menos de 10% das receitas têm origem na Amazon e que 85% das vendas são realizadas nos Estados Unidos.

Nos próximos anos, a Pocket pretende expandir a sua presença para o retalho e para mercados internacionais.

A Pocket e outros dispositivos semelhantes para registar e resumir conversas através de inteligência artificial têm levantado preocupações relacionadas com a privacidade em Silicon Valley.

Segundo uma reportagem do Wall Street Journal publicada no mês passado, os críticos alertam que muitas destas gravações são feitas sem consentimento explícito das pessoas envolvidas.

Narisetti defende que a Pocket é mais transparente porque os utilizadores colocam o dispositivo de forma visível sobre uma mesa e têm de o ativar manualmente, ao contrário de alguns dispositivos vestíveis que estão permanentemente à escuta e podem gravar de forma mais discreta.

A empresa enfrenta ainda a concorrência das funcionalidades de transcrição e tomada de notas com IA disponíveis em plataformas como Google Meet, Zoom e Microsoft Teams, bem como de startups como a Granola.

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