Fora do Escritório: as escolhas do CEO da Portugal Sotheby’s International Realty para este verão

Foto: Miguel Poisson, CEO da Portugal Sotheby’s International Realty

Entre os dias sem pressa no Alentejo, o peixe fresco grelhado ao final da tarde, o desporto e o tempo passado com a família e os amigos, Miguel Poisson, CEO da Portugal Sotheby’s International Realty, encontra na simplicidade a melhor forma de desligar. Fora do escritório, fala dos desafios de liderar num tempo de rápida transformação tecnológica e de uma preocupação que gostaria de ver resolvida na segunda metade do ano: o fim das guerras.

Quando está “fora do escritório”, o que mais gosta de fazer para desligar?

Para mim, desligar é sinónimo de estar rodeado das pessoas certas. Gosto de estar com a minha mulher e as minhas três filhas — Leonor, Carolina e Francisca — e de juntar bons amigos à volta de uma mesa, porque é aí, nas conversas sem pressa, que realmente saio da cabeça do trabalho. O desporto também tem sempre um papel importante: pratico futebol duas a três vezes por semana, ao final do dia, e padel sempre que a agenda permite — é o momento em que o corpo cansa e a mente descansa. E há ainda um “vício” antigo, que é viajar. É uma paixão que sinto que já contagiou as minhas filhas, que parecem determinadas a perpetuá-la.

“Mas há também um lugar que carrego por razões afetivas e familiares — o meu pai é de Melgaço — que é o Minho, e em particular o Parque Nacional da Peneda-Gerês (…)”.

Qual é o destino, em Portugal ou fora, onde consegue realmente descansar?

Sou um apaixonado pelo Alentejo, na sua dupla face: o interior, onde a tranquilidade e a tradição ainda ditam o ritmo dos dias, e o litoral alentejano, com paisagens, praias e uma natureza quase intocada, difíceis de igualar em qualquer outro lugar do país. Mas há também um lugar que carrego por razões afetivas e familiares — o meu pai é de Melgaço — que é o Minho, e em particular o Parque Nacional da Peneda-Gerês, um verdadeiro ex-libris dessa região e um sítio ao qual regresso sempre com o mesmo encantamento.

Há algum livro, podcast, filme ou série que recomende para este verão?

A cultura francesa marcou-me profundamente — a minha mãe era francesa, professora de francês, de história e de geografia, e isso deixou-me um gosto especial pela literatura e pela poesia francesas. Para quem gosta de poesia, Arthur Rimbaud e Charles Baudelaire são pequenos génios, incontornáveis, com uma intensidade que atravessa gerações. Não sou grande consumidor de podcasts nem de séries, mas tenho um gosto particular por biografias e peças autobiográficas — vi recentemente uma sobre o Rafael Nadal, um exemplo notável de superação e de resiliência, valores que admiro tanto no desporto como na vida.

Em termos de séries, “House of Cards” marcou-me pela forma como retrata o poder e as suas ambiguidades. Já Squid Game é, para mim, uma aberração assustadora — mas precisamente por isso, dá muito que pensar sobre a sociedade que a produziu.

“Há um ritual simples que reponho todos os verões: ir de manhã ao mercado buscar peixe fresco e, ao final do dia, grelhá-lo, de preferência com boa companhia (…)”.

Que hábito mantém durante as férias que o ajuda a regressar com mais energia?

Há um ritual simples que reponho todos os verões: ir de manhã ao mercado buscar peixe fresco e, ao final do dia, grelhá-lo, de preferência com boa companhia — a família, os amigos — e prolongar a noite com boas conversas e boa disposição. É um hábito quase artesanal, sem pressa nenhuma, e ganha um sabor especial quando acontece numa noite tranquila no Alentejo. É esse tipo de simplicidade que me recarrega verdadeiramente as baterias.

O que aprendeu de mais importante no primeiro semestre de 2026?

Mais do que aprender algo novo, diria que confirmei uma convicção antiga: a de que as guerras não resolvem nada, e que o ser humano, apesar de todo o seu progresso, nem sempre se comporta como um ser inteligente. É uma reflexão que se torna ainda mais evidente quando olhamos para o que se passa no mundo neste momento.

Qual foi o maior desafio de liderança que enfrentou nos últimos meses?

Um dos desafios permanentes de liderar hoje é equilibrar os rápidos avanços tecnológicos — a inteligência artificial é, provavelmente, a maior disrupção que já vivemos — com o respeito e a valorização de colaboradores que construíram as suas carreiras noutras realidades, e que continuam a ser absolutamente essenciais às organizações. Manter todos motivados e integrados em períodos de tanta mudança é um exercício constante, quase diário. No fundo, volto sempre à mesma conclusão: o equilíbrio é a coisa mais difícil de alcançar, seja na liderança, seja na vida.

“Se pudesse escolher uma só coisa para acontecer na segunda metade do ano, seria o fim das guerras — sobretudo no Médio Oriente e na Ucrânia”. 

Que tendência, oportunidade ou preocupação vai estar no seu radar na segunda metade do ano?

Se pudesse escolher uma só coisa para acontecer na segunda metade do ano, seria o fim das guerras — sobretudo no Médio Oriente e na Ucrânia. Traria benefícios incalculáveis a milhões de pessoas, em particular às partes diretamente envolvidas, e teria também um efeito estabilizador em tantas outras dimensões — económica, social, humana — que hoje vivem à sombra desses conflitos.

Como equilibra descanso e responsabilidade quando lidera uma equipa ou uma empresa?

Tenho a sorte de conseguir ligar e desligar com muita facilidade, sem que isso comprometa o meu descanso. Acredito que isso tem muito a ver com gostar genuinamente do que faço — quando há prazer no trabalho, ele pesa menos, mesmo nos períodos mais exigentes. Nunca senti, por isso, que a responsabilidade profissional me impedisse de descansar verdadeiramente quando é altura de o fazer.

Que conselho daria a outros líderes para aproveitarem melhor este período de pausa?

Comam bem, façam desporto e durmam bem — parece simples, mas é mesmo essa a receita para o bem-estar. É isso que nos deixa bem dispostos para dedicar tempo de qualidade às pessoas que gostamos de ter por perto. E acrescentaria ainda: leiam qualquer coisa nova, que nada tenha a ver com o trabalho nem com a atualidade. A cabeça agradece esse espaço em branco.

 Complete a frase: Este verão quero…

… desfrutar do tempo. Sem pressa.

O essencial de verão:
Livro: É difícil escolher apenas um. Este verão vou ler “1984”, recomendação do meu cunhado Pedro — uma das mais célebres distopias do mundo, escrita pelo inglês George Orwell. A história passa-se num mundo em guerra e vigilância constantes, onde um regime autoritário exerce controlo total sobre a população. Qualquer semelhança com a atualidade não é, decerto, coincidência…
Destino: Alentejo Litoral ou São Tomé.
Objeto indispensável: Carvão, para grelhar um bom peixe fresco.
Uma palavra para definir este verão: Boadisposição.
Uma ideia para levar para setembro: Fazer bem-feito aquilo que é importante fazer — e fazê-lo todos os dias.

Rubrica Especial de Verão

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