Empresas portuguesas apostam na IA mas ainda sem regras claras
43,1% dos profissionais identificam a IA como principal prioridade de investimento, mas apenas 21,2% afirmam que a organização já definiu regras claras para a sua utilização, conclui estudo desenvolvido no âmbito da 19.ª edição do QSP SUMMIT.
As empresas portuguesas estão a acelerar a aposta na Inteligência Artificial (IA), mas a velocidade da adoção tecnológica parece estar a avançar mais depressa do que a capacidade das organizações para definir regras internas claras. Quase metade dos profissionais inquiridos aponta a IA como a principal prioridade de investimento para os próximos 12 meses, embora apenas uma em cada cinco organizações afirme já ter orientações formalizadas para a sua utilização.
As conclusões constam do estudo “Leading the Future Economy”, desenvolvido pela QSP – Marketing Management & Research junto de 290 profissionais ativos em Portugal, que traça um retrato das principais tendências, riscos e prioridades que deverão marcar a economia e as empresas nos próximos anos.
Além da centralidade crescente da IA nas estratégias de investimento, o estudo revela uma perceção acentuada de imprevisibilidade económica e levanta dúvidas sobre a preparação das organizações para responder a um contexto mais tecnológico, global e instável.
A IA surge como a principal área de investimento para os próximos 12 meses, referida por 43,1% dos inquiridos, acima da tecnologia e transformação digital (34,1%) e da cibersegurança (26,2%).
Apesar disso, apenas 21,2% dos participantes afirmam que a sua organização possui orientações claras e formalizadas para a utilização de IA. Outros 30,5% indicam que essas regras ainda estão em desenvolvimento, enquanto 19,3% assumem que a organização não possui qualquer orientação para utilização destas tecnologias.
As principais barreiras à adoção são a resistência à mudança (33,1%) e a falta de conhecimento interno (31%), à frente das preocupações com privacidade e segurança (26,6%) e dos custos elevados (24,1%), revela o estudo.
“Os resultados mostram um desfasamento entre a velocidade de adoção da IA e a capacidade das organizações para criarem políticas internas, prepararem equipas e integrarem estas ferramentas de forma consistente. A transformação tecnológica está a avançar mais depressa do que a adaptação das próprias organizações”, afirma Rosa Carvalho, Market Research & Project Lead da QSP e responsável pelo estudo.
Economia do futuro é vista como mais imprevisível do que digital
Quando questionados sobre a principal característica da economia dos próximos anos, 42,1% dos profissionais escolhem “mais imprevisível”, enquanto 29,7% optam por “mais digital”.
As perspetivas económicas para os próximos 12 meses reforçam essa perceção. Mais de um terço dos inquiridos (34,8%) antecipa um cenário de desaceleração económica, 19,3% apontam para estagnação e 15,2% admitem recessão. Apenas 9% acreditam num cenário de crescimento forte.
Cerca de 76% concordam que a geopolítica internacional será uma fonte crescente de incerteza económica e mais de 70% consideram que as regras da economia tradicional já não são suficientes para responder aos desafios futuros.
Sobre a capacidade de resposta das organizações, apenas 20% afirmam que as empresas estão claramente preparadas para competir num contexto mais global e imprevisível.
Ainda de acordo com o estudo, para 32,8% dos participantes, a IA irá transformar funções existentes. Já 24,7% acreditam que algumas funções serão eliminadas, enquanto 15,8% antecipam a criação de novos postos de trabalho.
As competências mais valorizadas para os líderes do futuro combinam literacia tecnológica com capacidade de adaptação e gestão de pessoas. A literacia digital e tecnológica, incluindo IA, surge em primeiro lugar (42,8%), seguida da gestão de pessoas e talento (35,5%), da abertura à mudança e aprendizagem contínua (33,8%) e da capacidade de adaptação e agilidade (33,4%).
“O estudo mostra que o principal desafio das organizações deixou de ser apenas tecnológico. A pressão económica, a imprevisibilidade geopolítica e a necessidade de adaptação contínua estão a obrigar empresas e lideranças a rever prioridades estratégicas, modelos de decisão e competências críticas para competir”, afirma Rui Ribeiro, CEO do QSP SUMMIT.
O estudo “Leading the Future Economy” foi desenvolvido no âmbito da 19.ª edição do QSP SUMMIT, que decorre entre 30 de junho e 2 de julho de 2026, no Porto e em Matosinhos. A recolha decorreu entre 16 de abril e 8 de maio de 2026, tendo sido obtidas 290 respostas válidas. O universo analisado é composto por profissionais ativos em Portugal, incluindo quadros médios e superiores de diferentes setores de atividade.







