Opinião
Crianças à mesa com etiqueta moderna
As regras de boas maneiras à mesa para os mais pequenos nunca são matéria nem conteúdo a desvalorizar, muito pelo contrário.
É desde cedo, em tenra idade, que devem transmitir-se as boas maneiras e a etiqueta moderna, especialmente à mesa, já diz o ditado popular “de pequenino se torce o pepino”, sobretudo aplicado à educação dos mais novos.
Ora leia então as 20 regras de etiqueta apresentadas para incutir à sua(s) criança(s):
1. Não lamber os dedos: sim, não ou talvez?
Porque não talvez ou até mesmo sim? O meio termo resulta sempre muito bem, assim as crianças não pecam por falta nem excesso! Antes lamber os dedos discretamente do que limpar os dedos à roupa, à toalha da mesa ou ao guardanapo que, entretanto, caiu ao chão e a criança o apanha para limpar os dedos ou, ainda, a boca.
2. Comer, frango assado e batatas fritas à mão, porque não?
Comecemos pelo pão que sempre se comeu à mão e continua! E as pipocas, as azeitonas e o camarão? Mas, na verdade, existem alimentos que em nada são fáceis de lidar com os talheres.
É preferível que as crianças peguem nestes alimentos e os comam à mão do que usem os talheres e num piscar de olhos já os alimentos em questão estão a passear ou voar pela mesa fora e pelo chão, sujeitos a sujar também as restantes pessoas à mesa devido a seguir copiosamente as regras clássicas da etiqueta à mesa para crianças.
Absolutamente que já não é a melhor opção… crianças, filhos, pais e demais educadores!
3. Os talheres não servem para fazer barulho e bater nos pratos, mas podem servir para brincar
Existem brincadeiras e brincadeiras com os talheres. Já alguma vez se esqueceu de levar o brinquedo favorito do seu filho para ele se entreter num restaurante? Com certeza que sim, e várias vezes. Nem todos os restaurantes têm brinquemos para emprestar às crianças e os que possam ter dificilmente agradam aos mais pequenos.
Mais vale as crianças brincarem com os talheres na mesa em que normalmente brincam com estes utensílios como se fosse legos, estando assim entretidas, em vez de estarem a bater com os talheres no prato, fazendo barulho e ruído irritantes, enquanto aguardam pela comida.
4. Nunca foi correto fazer aviões com os guardanapos, mas pode ser uma boa ideia para descobrir um talento!
Os momentos em que uma criança faz, ou tenta fazer, aviões com os guardanapos enquanto não inicia a sua refeição pode ajudar a despertar o dom criativo e artístico que tenha por descobrir. Um determinado talento pode muito bem surgir numa situação de onde menos se espera, mas acontece nas circunstâncias consideradas mais improváveis.
É preferível estar entretida desta forma do que estar a incomodar as restantes pessoas à mesa ou, ainda pior, fazer uma birra porque não tem mais nada, que lhe desperte interesse, com que se possa entreter sozinha ou distrair com outra criança que o acompanha à mesa enquanto aguarda pela comida.
5. Não fazer caretas quando não se gosta da comida
Ensine a sua criança a provar e a saber gosta um pouco de toda a variedade de alimentos, e explique-lhe que precisamos de todos os alimentos para crescermos fortes e saudáveis. Mesmo que aprecie menos pelo menos esforça-se para comer um pouco. Pode acontecer não comer tudo, é certo, mas não deixará os alimentos intocáveis.
6. Não encher o prato com muita comida
Quem nunca ouviu, pelo menos uma vez, dizer algo como: “ter mais olhos do que barriga”? A ideia é a criança passar a perceber que:
– A comida não é para estragar (deve ganhar alguma noção de que muitas outras crianças nem comida têm);
– Quando se enche demasiado o prato, a probabilidade de espalhar a comida do próprio enquanto a come é enorme;
– Por fim, quando queremos repetir a comida, quando depois a mesma é colocada no prato e vem mais quente e com um aspeto melhor.
7. Encher o copo com muita água ou sumo, porque não?
Ensinar desde cedo as crianças a saberem racionar a quantidade de água ou sumo que têm para uma refeição inteira. Provavelmente a quantidade de água ou sumo que irá ingerir, tendo em conta esta nova regra, será menor do que volta e meia um adulto ir colocando a bebida a conta gostas. Logo, será cumulativamente um consumo mais consciente e saudável.
É uma questão de habituar as crianças, desde bem cedo a moderar aquilo que bebem. Até porque, caso contrário, as crianças continuam, inconscientemente, a pensar que a água ou sumo para acompanhar a refeição nunca acabam, o que não é ou não deve ser bem assim!
8. Não usar palhinha para beber coca-cola
Ensine a sua criança a beber coca-cola (e outros sumos) sem palhinha, como você, e explique-lhe que o plástico é inimigo do planete. Verá que ele compreenderá se lhe souber explicar o motivo da sua proibição face a algo que qualquer criança gosta de fazer.
9. Não fazer birras à mesa, mesmo quando não há batatas fritas
Eis um dos maiores motivos de sempre para inicia ruma birra à mesa quando as crianças não perceberem porque é que não existem batatas fritas.
Avise os mais pequenos que poderá não haver batatas fritas e que caso não haja não será razão para fazer uma birra à mesa, sobretudo quando não se está em casa. Comece por explicar-lhes que as batatas fritas pertencem ao grupo de alimentos que fazem mal à saúde e que o nosso corpo tem memória. Habitue, ainda, a crianças a comerem batatas fritas em casos especiais festivos.
10. Levar os talheres à boca e não a boca ao prato e muito menos, ou quase nada, levar a faca à boca
As crianças não devem baixar a boca até à comida, porque não é a boca que vai até à comida, mas sim a comida que viaja até à boca! Para além disto, levar a faca à boca é de um risco enorme para a saúde infantil (e não só, de todos nós), pois facilmente se cortam os lábios ou a língua sem querer, a menos que a lâmina da faca não tenha serrilha, aí embora não seja também coreto, mas pelo menos não é grave. Estes são péssimos hábitos que não deve deixar que as crianças os continuem a adotar.
11. Usar os talheres corretamente
Primeiro, ensine as crianças a pegar nos talheres de forma exemplar, ou seja, na parte do meio dos próprios cabos e não pegar nos talheres com os dedos junto à parte da frente (a parte côncava nas colhes, a parte dos dentes nos garfos e na parte da lâmina nas facas). E só depois devem então usar os talheres correta e adequadamente.
12. Comer de boca fechada e não falar de boca cheia
Estas são daquelas regras em que transitam da geração clássica para a moderna, sem qualquer modificação mais atual. É um gesto deselegante comer de boca cheia, nunca foi bonito nem há-de sê-lo alguma vez! O mesmo acontece quando se fala de boca cheia, por estar-se sujeito a saltar algum pedaço de comida da boca das crianças, ainda para mais quando ainda se encontram em processo de aprendizagem, e mesmo que não fosse, mas enfim. E é isto, está tudo dito em poucas, mas boas e eficazes, palavras sem haver necessidade de incluir mais razões nem porquês!
13. Beber e comer devagar
A comida e a bebida não fogem da mesa! Comece por explicar isso aos mais pequenos!
Beber e comer pausadamente permite mastigar e saborear as bebidas e os alimentos com outra qualidade e satisfação, facilitando o processo de digestão. Ensine-lhes que não é por terminarem a refeição mais cedo que terão autorização para irem brincar mais depressa ou durante mais tempo.
14. Limpar a boca apenas e tão só com o guardanapo
A boca deve ser sempre, mas sempre, limpa com o guardanapo e nunca de outra forma que não esta. Jamais permita que as crianças o façam de outra forma. O guardanapo serve exclusivamente para isso mesmo. Em caso algum usar a ponta da toalha para limpar a boca. Caso o guardanapo tenho caído ao chão existe uma solução: pedir ao empregado de mesa outro guardanapo limpo, agradecendo no final.
15. Smartphones e tablets à mesa, porque não?
Se a única forma de manter as crianças civilizadas e impedir que se comportem terrivelmente à mesa no decorrer da refeição, então que seja feita à sua vontade, mas não na totalidade e sem regras!
Faça um acordo: se não comerem acaba-se, naquele preciso momento, o uso comedido smartphone ou tablet. Se isso contribuir para que as crianças não incomodem o bem-estar das pessoas nas restantes mesas, sem terem que estar a ouvir as crianças aos gritos, a chorar e demasiado irritantes, o acordo está cumprido! Não se esqueça que ninguém ter de aturar as crianças que não lhe pertencem.
Nem sempre a total proibição e restrições são as melhores medidas e práticas educacionais…
16. Apoiar os cotovelos na mesa? Sim, saiba agora como e porquê.
De certeza absoluta que já ouviu dizer que não se colocam os cotovelos sobre a mesa.
As crianças já podem apoiar os cotovelos à mesa! Esta nova permissão só admite que os cotovelos possam estar apoiados à mesa nos momentos em que ainda não existam pratos nem talheres à mesa, isto é, quando ainda não foi iniciada a sua refeição, embora já estejam à espera na mesa, porque ainda não foi dado o início da refeição.
Para além do exposto, é ainda admissível os cotovelos estarem em cima da mesa nas ocasiões em que se está a proceder à troca da pratos e talheres entre vários tipos de pratos (entrada, sopa, prato a peixe, prato a carne e prato a sobremesa) durante a refeição, porque também nestas situações a mesa encontra-se temporariamente sem pratos nem talheres.
17. Sentar-se com as costas direitas e encostadas à cadeira
Ensine as crianças a sentarem-se com uma postura ergonómica numa cadeira quando estão à mesa, ficando comodamente. Explique-lhes igualmente a diferença entre sentar-se ou não com as costas direitas e encostadas à cadeira, fazendo o notar que compõe a sua postura, que ficará mais confortável e, ainda, que isso facilitará a forma como se deve comportar à mesa como se fosse um pequeno adulto. Por norma, as crianças gostam de se comparar e ser comparadas aos adultos!
18. Não fazer baloiço com as cadeiras nem espreguiçar-se nas cadeiras
As cadeiras servem para as crianças se sentarem e não mais do que isso mesmo! Situações como baloiçar com as cadeiras ou espreguiçar-se nestas são gestos reprováveis para quem assiste a estes tipos de brincadeiras. Explique-lhes que é incorreto usar a cadeira como uma espreguiçadeira e que podem cair da cadeira sempre que a usem para baloiçar.
A teimosia e constante insistência da criança para fazer baloiço ou espreguiçar-se na cadeira poderá valer-lhe ficar sem direito a sobremesa ou a ao sumo…
19. Usar o guardanapo desdobrado sobre o colo, ou colocá-lo como babete
Quer seja um guardanapo de pano ou papel mais consistente, incentive a criança a usá-lo sempre desdobrado sobre o colo ou a usá-lo sobre o peito, seguro no pescoço, como se de um babete se tratasse, de início ao fim durante as refeições. Estas constituem as duas únicas formas corretas de usar o guardanapo à mesa.
20. Não soprar a comida mesmo quando está muito quente
Quando a comida está demasiado quente, e para que as crianças não se queimem ensine-as a mexer um pouco a comida com os talheres em vez se a soprarem, ou em alternativa a aguardarem um pouco e voltarem a provar a comida para se certificarem que já não está muito quente. Além de a comida poder salpicar a toalha e os respetivos talheres em redor, não é higiénico soprar a comida.
Vasco Ribeiro é doutorado em Ciências Empresariais (Universidade Fernando Pessoa, Porto), em Turismo (Universidade de Sevilha, Espanha), e pós-doutorado em Gestão da Inovação no Turismo de Luxo (Universidade de Aveiro) e em Marketing Ético nos Hotéis de Luxo (CiTUR – Politécnico de Leiria). É chefe do gabinete de Diplomacia e Protocolo Empresarial da Rede do Empresário, Docente universitário no ISLA Santarém, conselheiro editorial da Diplomacy and Business Magazine e comentador/analista de TV (informação) em assuntos de Protocolo e Turismo. Frequenta ainda o Programa Avançado em Diplomacia na Universidade Católica, Lisboa.
É ainda o autor dos livros “Etiqueta & Protocolo na Hotelaria de Luxo” (2017) e “Etiqueta Moderna” (2019) e “O Anfitrião Modelo: guia prático de bem atender, receber e servir no setor do turismo” (2023), e coordenador dos livros “Gestão de Empresas com Pessoas a Bordo” (2022) e “Gestão de Pessoas no Lazer, Animação Turística & Eventos” (2022).








