Tenho vindo a partilhar alguns artigos sobre a importância de dar e receber feedback, e como este pode ajudar a crescer, aprender e melhorar o nosso desempenho. Afinal, como sabemos se estamos a fazer bem? Dentro das metas que nos foram propostas, ou as que nos propusemos? Como sabemos, que o nosso desempenho ou atuação impacta positivamente os outros (ou não)?

A grande verdade é que nem sempre ouvimos o que gostamos, porque não é a nossa perceção. As nossas “lentes” são diferentes das dos outros. Isto é o chamado feedback negativo. Mas porque “fugimos” dele, reagindo emocionalmente de forma menos positiva?

A grande questão é: sabemos realmente lidar com ele e tirar proveito e ensinamento?

A nossa primeira reação é “não querer ver”, em especial, porque pensávamos estar a fazer um trabalho excelente, e de forma chocante, recebemos o tal retorno negativo. A nossa imediata reação é não concordar. Porquê? Porque tendemos a não concordar com aquilo que não vemos em nós próprios, portanto, é muito provável que lutemos contra isso.

Temos uma enorme dificuldade em aceitar o feedback negativo (na realidade construtivo – chegaremos a esta conclusão no final deste artigo) porque não queremos aceitar uma história diferente daquela que contamos a nós próprios. E porquê? Porque há uma coisa em todos nós, que se alimenta exatamente destas situações e que se chama EGO. É um “duende gigante” que (acha) que tem como missão proteger-nos de todos, e até de nós próprios, porque sou um ser que sei tudo, faço tudo bem e não tenho nada a melhorar e “estou a dar o meu melhor”! Acredita mesmo nisto?

A verdade é que deixamos o ego dominar-nos, porque sabe bem. O ego é positivo, mas deve ser bem doseado, e usado de forma inteligente em cada contexto a que possa ser chamado e contribuir para cada aprendizagem. Neste caso, em contexto de feedback negativo, é um elemento inibidor de crescimento e aprendizagem. É inibidor porque dificulta a nossa jornada de nos tornarmos uma melhor versão de nós próprios a todo o momento. É difícil de ouvir? É sim, mas pense mais além, no que poderá beneficiar em crescimento pessoal e melhoria.

Quando recebemos feedback negativo, eis algumas das principais reações ou pensamento que temos, muitas delas, vivenciadas ao longo da minha vida, com equipas e pessoas que liderei ou fui liderada, outras, foram pensamentos, que, não devem ser muito diferentes dos vossos:

Ego: “Sim, isso é verdade, mas é uma coisa boa!”.
Minimalista: “Não é assim tão grande coisa na realidade!”.
Vítima: “Sim, é verdade, mas a culpa não é minha”!
Negação: “Mas eu não faço isso!”
Culpa: “O problema são as pessoas à minha volta, que não são tão profissionais quanto eu!”
Orgulho: “Há muitos exemplos meus a agir de forma diferente!”.
Ataque: “Posso ter feito isto (coisa horrível), mas vocês fizeram isto (outra coisa horrível)!”.
Negativo: “Não sabes realmente nada sobre mim ou do que eu faço!”.
Divagar: “Esse não é o verdadeiro cerne da questão!”.
Invalidar: “Perguntei aos outros e ninguém concorda com o feedback!”.
Sarcástico: “Nunca soube que era tão idiota!”.
Exagerar: “Isto é terrível, eu sou mesmo horrível e medíocre!”.

Se alguma vez deu por si a responder isto ou a ter estes pensamentos, é um sinal claro de que o seu ego está a definitivamente a atrapalhar uma aprendizagem importante, sobre si, sobre o que faz ou sobre como lidera. Quando o nosso EGO se envolve demais “nesta relação”, e sentimos ou damos uma elevada carga emocional, criamos barreiras, que nos impedem de aprender ou crescer.

O papel da vulnerabilidade e da humildade pessoal e profissional são importantes para domar este nosso “duende gigante” chamado EGO.

Como podemos agir então perante feedback negativo?

O que precisamos é de uma resposta simples, confiável e humilde: “Sou grata pelo tempo e esforço em me darem este feedback. Obrigada!”. Veja este feedback e sinta-o, como um presente, e aceite-o na sua plenitude, sem julgamentos. Agradeça e leve-o consigo para refletir e iniciar um processo de autoconsciência. Verá e sentirá, resultados muito positivos, e sobretudo, esta resposta comunica às pessoas que é seguro e fiável, oferecer-lhe feedback e elas terão muito mais probabilidades de falar diretamente consigo, em vez de nas suas costas.

Há também um benefício adicional quase mágico a esta resposta simples e indefensável: aumenta dramaticamente a sua capacidade de receber o feedback. Quando deixa de se defender contra ela externamente, deixa de se defender contra ela também internamente, dentro de si, e sentirá, a paz e quietude mental, para tirar benefícios positivos deste feedback.

Observe todas as suas reações e emoções quando recebe este presente. Sentirá menos pressão sobre si e sobre os outros.

Talvez seja por isso que afinal lhe chamam feedback construtivo. Aprenda com ele e saiba lidar com ele. Quem não gosta afinal de receber presentes?

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Sobre o autor

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Sónia Jerónimo é COO e Board Advisory na Winning e tem mais de 20 de experiência na área da gestão e liderança de empresas ligadas às tecnologias de informação. Após a licenciatura em Economia, iniciou a sua carreira no mundo... Ler Mais