Portugueses trabalham mais horas que a média europeia

Uma pesquisa da Randstad Portugal concluiu que 9,1% dos portugueses trabalham mais horas do que o habitual, sobretudo empregadores e trabalhadores independentes, acima da média europeia (6,5%).

A Randstad Portugal lançou o estudoO mercado de trabalho em Portugal: uma análise comparativa na UE”, no qual analisa a dinâmica do talento nacional face ao panorama europeu, conclui que, apesar de uma forte trajetória de convergência nas últimas décadas, Portugal continua a debater-se com desafios estruturais severos que o afastam das economias europeias mais avançadas.

E no que respeita às horas de trabalho 9,1% dos trabalhadores em Portugal têm jornadas longas acima da média europeia, que anda nos 6,5%, o que coloca o país na 4.ª posição do ranking europeu. Trata-se de uma realidade que, de acordo com o estudo, afeta de forma desproporcional empregadores e trabalhadores por conta própria, evidenciando uma cultura de trabalho mais intensiva em horas do que a observada noutras economias europeias.

Com base em dados ajustados do Eurostat relativos ao 4.º trimestre de 2025, o relatório revela ainda que atualmente, Portugal regista uma taxa de atividade de 79,1%, superando a média da União Europeia em 3,5%. Em paralelo, a taxa de inatividade (20,9%) mantém-se significativamente abaixo da média europeia (24,4%).

Uma evolução impulsionada pela crescente participação das mulheres no mercado de trabalho, na medida em que, desde 1995, a taxa de atividade feminina subiu de 59,1% para 75,7%, aproximando-se progressivamente da masculina.

Por sua vez, a taxa de emprego também acompanha esta tendência positiva. Em 2024, fixou-se nos 72,8%, acima da média europeia, refletindo uma recuperação consistente face aos mínimos registados durante a crise financeira. Quanto à taxa de desemprego em Portugal, situou-se nos 5,8% no final de 2025, ligeiramente abaixo da média europeia (5,9%). Todavia, a análise revela um desequilíbrio geracional porque o rácio entre a taxa de desemprego jovem e a taxa de desemprego total é de 3,4, bastante acima da média europeia que ronda os 2,5, números que evidenciam as dificuldades dos jovens para entrar no mercado de trabalho.

No domínio da qualificação, Portugal e apesar da evolução positiva, ainda longe dos líderes europeus. 36,2% dos ativos tem ensino superior em Portugal, situando-se 3 p.p. abaixo da União Europeia. A análise histórica demonstra que a proporção de ativos com formação superior triplicou desde 1992, subindo de 11,4% para os atuais 33,7% no fecho de 2024.

No 4.º trimestre de 2025, Portugal apresentou a maior percentagem da UE de profissionais com baixas qualificações (29,1%), valor que duplica a média europeia (14,7%). Este indicador coloca o país na pior posição do ranking. O peso de profissionais pouco qualificados caiu de 76,9% em 1992 para 32,2% em 2024. No entanto, com 29,1% em 2025, Portugal ainda detém a maior percentagem da UE nesta categoria.

A análise da Randstad Research destaca também que no quarto trimestre de 2025, o peso de cidadãos estrangeiros na população ativa em Portugal fixou-se em 7,9%, valor que permanece abaixo da UE (10,5%).

Isabel Roseiro, diretora de Marketing da Randstad Portugal, sublinha que “continuam a existir desafios importantes, como a elevada percentagem de trabalhadores com baixas qualificações, uma cultura de horários longos e, sobretudo, a dificuldade dos jovens em entrar no mercado de trabalho, que continua a ser um dos principais problemas”.

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