Entrevista/ “Os benefícios têm um papel importante na atração e retenção de talento”

Inês Odila, Country Manager Coverflex Portugal

A Coverflex decidiu este ano tornar gratuito o cartão refeição digital em Portugal, eliminando subscrições, comissões e taxas associadas. Conversámos com Inês Odila, Country Manager da Coverflex Portugal, para perceber a base desta decisão, o impacto económico e o papel estratégico do subsídio de alimentação nas políticas de compensação atuais.

O subsídio de alimentação é um dos benefícios mais valorizados pelos colaboradores e num contexto económico cada vez mais exigente assume um papel ainda mais estratégico. A pensar nas empresas e nos colaboradores e após testar a eliminação dos custos  associados ao seu cartão refeição durante alguns meses no ano passado, a Coverflex decidiu tornar a medida permanente já em 2026.

Na prática, a medida significa mais liquidez para os colaboradores e ausência de custos adicionais para as empresas, que passam a usufruir de uma poupança até 23,75% devido à isenção de TSU em valores diários até aos 10,46€. Ao mesmo tempo, o cartão refeição da Coverflex mantém a flexibilidade total, podendo ser usado em qualquer estabelecimento que aceite Visa, incluindo plataformas de entrega de comida e é totalmente gerido via app.

“Com o aumento do custo de vida, reforçar a liquidez mensal dos colaboradores tornou-se uma prioridade”, afirma Inês Odila, Country Manager Coverflex Portugal, que fala da importância dos benefícios flexíveis para atrair e reter talento.

A Coverflex entrou em 2026 com a eliminação definitiva dos custos de subscrição e das taxas do cartão refeição digital. O que esteve na base desta decisão e porque foi este o momento certo para a tomar em Portugal?

O subsídio de alimentação é um dos benefícios com maior impacto no rendimento líquido das pessoas e, no contexto económico atual, isso sente-se ainda mais. Sabemos que este apoio é importante para muitas famílias. Tendo isso em consideração, lançámos esta campanha durante alguns meses no ano passado e, dado o feedback extremamente positivo, decidimos prolongá-la.

“A poupança é de 23,75% para a empresa, devido à isenção de TSU, em valores até 10,46€, que é o valor diário máximo isento deste imposto”.

Na prática, o que muda para as empresas portuguesas que utilizam, ou ponderam utilizar, o cartão refeição da Coverflex? Que tipo de poupança concreta estamos a falar?

Na prática, isto significa que as empresas que optarem pelo cartão refeição digital da Coverflex deixam de ter qualquer custo associado ao benefício. Não há subscrições, não há comissões, não há taxas. A empresa paga apenas o valor do subsídio de refeição que decide atribuir aos colaboradores. A poupança é de 23,75% para a empresa, devido à isenção de TSU, em valores até 10,46€, que é o valor diário máximo isento deste imposto. Para os colaboradores, a isenção é de IRS e de Segurança Social quando o subsídio de alimentação oferecido é até este valor.

Na Coverflex, disponibilizamos um simulador que permite às empresas verem rapidamente quanto podem poupar ao aderir ao cartão refeição digital.

Em Portugal, o subsídio de alimentação continua a ser um dos benefícios mais valorizados. Porque considera que este benefício assume hoje um papel ainda mais estratégico nas políticas de compensação?

Num contexto económico mais frágil em Portugal, em que empresas e colaboradores procuram maximizar a poupança, o subsídio de alimentação assume um papel especialmente relevante. Trata-se de um benefício pago pelas empresas para apoiar as despesas com refeições e que, quando atribuído dentro dos limites legais, está isento de IRS e de contribuições para a Segurança Social para o colaborador.

Atualmente, o valor isento pode ir até 6,15€ por dia em numerário ou 10,46€ por dia em cartão refeição, o que permite aumentar o rendimento líquido sem aumentar a carga fiscal. Na prática, este benefício pode traduzir-se numa poupança até cerca de 30% face a um valor pago em salário, com impacto imediato no orçamento mensal e na perceção do valor da compensação.

“Com o aumento do custo de vida, reforçar a liquidez mensal dos colaboradores tornou-se uma prioridade”.

Num contexto de aumento do custo de vida, como é que esta medida contribui para aliviar a pressão financeira sentida pelas famílias portuguesas?

Com o aumento do custo de vida, reforçar a liquidez mensal dos colaboradores tornou-se uma prioridade. O subsídio de alimentação contribui diretamente para esse objetivo, uma vez que, ao beneficiar de isenção de IRS e de contribuições para a Segurança Social quando pago nos moldes legais, permite aumentar a compensação líquida. Na prática, esta poupança fiscal traduz-se num maior rendimento disponível para despesas essenciais e num alívio da pressão financeira no dia a dia.

Os dados da Nova IMS mostram que o cartão refeição tem um forte efeito multiplicador na economia nacional. Que responsabilidade sente a Coverflex em garantir que cada euro chega, de facto, às pessoas e à economia real?

Na Coverflex, assumimos a responsabilidade de desenvolver um cartão refeição verdadeiramente útil para todo o ecossistema. Apostamos num produto flexível, com uma user experience simples e intuitiva, que facilita o dia a dia de empresas e colaboradores. Em parceria com a Visa, garantimos o acesso a uma das maiores redes de estabelecimentos em Portugal, assegurando liberdade de utilização em mais de 150 mil restaurantes, cafés, e supermercados.

Este compromisso reflete a nossa visão: eliminar barreiras, evitar custos desnecessários, e garantir que o valor do benefício chegue às pessoas de forma prática e eficaz, para ser usado no dia a dia.

O setor dos benefícios tem sido tradicionalmente associado a taxas e processos complexos. A Coverflex está a tentar mudar este paradigma em Portugal?

Estamos a trabalhar para simplificar um setor que, durante muitos anos, foi caracterizado por processos complexos, pouca flexibilidade e custos adicionais. Acreditamos que o futuro passa por soluções mais simples, transparentes e suportadas pela tecnologia. A eliminação de taxas é um passo importante, que deve seguir de mãos dadas com a garantia de que tudo funcione de forma intuitiva para empresas e colaboradores.

A gestão totalmente digital é um dos diferenciais do cartão refeição da Coverflex. Que impacto tem esta simplicidade na relação dos colaboradores com o benefício?

Acreditamos que tem um impacto muito significativo. Quanto mais simples e intuitivo for usar um benefício, maior é a probabilidade de as pessoas o integrarem no seu dia a dia. No caso da Coverflex, a app foi pensada para simplificar a gestão dos benefícios, permitindo consultar saldos, acompanhar movimentos e gerir diferentes benefícios num único local. Esta simplicidade dá mais autonomia aos utilizadores e torna a experiência mais prática no dia a dia. Além disso, o cartão Coverflex permite o acesso à rede Visa, uma das maiores em Portugal, o que significa que pode ser usado em qualquer ponto do país, do litoral ao interior. A possibilidade de usar o cartão digital reforça ainda uma abordagem mais sustentável, reduzindo a necessidade de suporte físico.

A possibilidade de usar o cartão em qualquer estabelecimento que aceite Visa — incluindo plataformas online — responde a uma nova forma de consumir? O que nos diz esta tendência sobre o futuro dos benefícios?

Sim, definitivamente. Hoje, as pessoas têm diferentes hábitos e preferências: podem optar por comer fora, pedir take-away, ou cozinhar em casa. A possibilidade de utilizar o cartão refeição em qualquer estabelecimento da rede Visa garante essa liberdade de escolha, adaptando-se às rotinas e necessidades de cada um. Esta tendência mostra-nos que é essencial acompanhar as necessidades dos utilizadores, que procuram cada vez mais soluções flexíveis e personalizadas que se adaptem ao seu estilo de vida, e este pode ser muito diferente de pessoa para pessoa. Em suma, trata-se de garantir que o benefício acompanha a forma como as pessoas vivem e consomem atualmente.

“Atualmente, os candidatos procuram benefícios que façam a diferença no seu dia a dia e que reforcem o pacote de compensação de forma concreta”.

Num mercado de trabalho cada vez mais competitivo, este tipo de benefícios pode ser um fator decisivo na atração e retenção de talento em Portugal?

Sem dúvida. Os benefícios têm um papel importante na atração e retenção de talento. Atualmente, os candidatos procuram benefícios que façam a diferença no seu dia a dia e que reforcem o pacote de compensação de forma concreta. No caso do cartão refeição, este impacto é ainda maior: já que vivemos num contexto económico desafiante, em que cada euro conta no final do mês. Um benefício que aumenta a liquidez mensal de forma imediata é, naturalmente, valorizado e pode influenciar tanto a decisão de um candidato como a satisfação de quem já trabalha na empresa.

Com mais de 300 mil utilizadores em Portugal, que balanço faz da evolução da Coverflex no mercado nacional e quais têm sido os principais desafios?

A evolução da Coverflex em Portugal tem sido muito positiva. Com mais de 300 mil utilizadores, temos vindo a responder às necessidades tanto das empresas como das pessoas, num mercado cada vez mais atento ao tema da compensação flexível. Este percurso tem sido também reconhecido externamente: a Coverflex foi distinguida em dezembro como uma das três startups com maior crescimento em Portugal, no ranking Deloitte Fast 50, o que confirma a relevância e a solidez da nossa proposta.

Naturalmente, este crescimento traz desafios. Num contexto económico exigente e com expectativas dos utilizadores em constante evolução, garantir uma experiência simples, intuitiva, e consistente torna-se cada vez mais crítico. A escalabilidade da operação, a manutenção da qualidade do serviço, e a capacidade de inovar de forma contínua são alguns dos principais focos num mercado cada vez mais competitivo. Ainda assim, o balanço é muito positivo e reforça a confiança de que estamos a seguir o caminho certo.

Olhando para o futuro, como imagina a evolução dos modelos de compensação em Portugal e o papel da Coverflex nesse caminho?

O futuro da compensação em Portugal será cada vez mais flexível e adaptado às necessidades de cada pessoa. As empresas estão a compreender que os modelos rígidos já não correspondem às expectativas das novas gerações e que a personalização é fundamental para atrair e reter talento.

A Coverflex pretende contribuir para esta evolução, demonstrando que é possível dispor de soluções tecnológicas que simplifiquem os processos e proporcionem maior autonomia às pessoas e às empresas. O nosso papel é ajudar a tornar estes modelos mais acessíveis, claros e fáceis de gerir, de modo que a compensação se torne um instrumento estratégico e não apenas uma obrigação administrativa.

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