Opinião
Marketing de influência e venda direta: os novos embaixadores das marcas?
A venda direta tem atravessado uma fase de reinvenção nos últimos anos, algo que foi impulsionado pela crescente digitalização e pela evolução do social selling.
Estas mudanças não tiveram um impacto negativo no negócio da venda direta, muito por contrário: tornaram-se fatores de dinamização e progressão da venda direta. Os agentes de venda direta aprenderam a dominar a linguagem usada nas redes sociais e na internet, e sentem-se cada vez mais confortáveis a apresentar e promover os produtos nestas plataformas.
Com o forte crescimento das redes sociais, verificou-se uma evolução nas estratégias de marketing na venda direta, com ênfase na produção de conteúdos de alta qualidade e alcance. E as empresas estão a apostar fortemente nesta estratégia. Desde 2024, 80% das empresas estão a canalizar parte do seu orçamento de marketing especificamente para o marketing de influência, segundo dados da agência digital amra & elma.
O marketing de influência é uma ferramenta relevante num setor como o da venda direta, no qual a proximidade e a confiança gerada com o consumidor são essenciais para aumentar as vendas de produtos.
A venda direta alimenta-se das redes pessoais criadas pelos seus agentes: as recomendações feitas a amigos ou colegas traduzem-se em compras de produtos, e constrói-se uma relação de confiança, uma ligação entre o agente e o cliente. Estas relações multiplicam-se e o agente passa a ter uma cadeia que lhe permite aumentar as vendas. Na era da digitalização, na sua essência, o processo não muda. Na realidade sofre apenas uma atualização, e esta relação de proximidade e de confiança passa, em muitos casos, a acontecer numa rede digital.
Mais do que uma oportunidade, a aposta no marketing de influência é uma necessidade que tem sido potenciada por agentes de venda direta praticamente desde o início. Os agentes de venda direta que apostaram desde cedo nesta ferramenta começaram por ser influenciadores nano (entre 1.000 e 10.000 seguidores), com audiências pequenas, mas com as quais mantinham uma ligação próxima e de confiança.
A progressão das suas competências no domínio digital aconteceu ao longo de anos, num percurso paralelo à ascensão do marketing de influência nos canais digitais. Ao criarem conteúdos digitais mais apelativos para os consumidores, partilharem demonstrações nas redes sociais que ajudam a explicar melhor a qualidade dos produtos, e profissionalizarem a comunicação, aumentaram o alcance que têm online, e contribuíram para o reforço da reputação das suas marcas.
À medida que foram aperfeiçoando a sua estratégia de marketing de influência digital e melhorando os seus conteúdos e storytelling, os agentes de venda direta aumentaram o número de seguidores e muitos, nomeadamente os mais bem-sucedidos, tornaram-se influenciadores micro (entre 10.000 e 100.000 seguidores), uma evolução que ilustra bem a forma como souberam aproveitar o crescente peso do marketing de influência digital, usando isso a seu favor.
Através destes canais, os agentes de venda direta têm acompanhado a evolução dos perfis dos consumidores, que procuram informações mais completas e uma experiência de compra mais personalizada. Chegam também com maior facilidade aos consumidores mais jovens, que habitam no ecossistema digital e se sentem mais atraídos por conteúdos digitais de qualidade.
Considero, portanto, que o marketing de influência digital tem sido um catalisador da aceleração da transformação digital desta indústria, aumentando a visibilidade da mesma e contribuindo para a criação de um modelo de negócio ainda mais escalável.
A realidade da venda direta será através deste modelo híbrido, no qual os agentes de venda direta podem prosperar tanto no contacto direto com os consumidores, como através da divulgação e promoção digital dos produtos, onde cada canal continua a ter a sua preponderância, com estratégias comerciais e de conteúdo diferenciadas
O modelo de sucesso já comprovado da venda direta, pertence agora aos agentes que melhor conseguirem combinar a força das relações pessoais com o poder amplificador das plataformas digitais.








