A pandemia tem empurrado muitos para a beira do precipício, mas também tem sido um catalisador para a reinvenção positiva no local de trabalho – pelo menos em sectores considerados mais progressistas.

Vou desvendar quatro tendências que estão a surgir à medida que avançamos em 2022:

  1. Em 2021, os trabalhadores independentes nos Estados Unidos subiram para 51,1 milhões, um aumento explosivo de 34% em relação a 2020. Previsões apontam que os trabalhadores independentes irão compor mais de metade da força de trabalho até 2023, neste país.

A onda faz sentido e também o facto de certos segmentos da população terem tido de abandonar os seus empregos para priorizar as necessidades de acolhimento de crianças e depois voltar em capacidade limitada. A mudança social para o trabalho “de gig” “freelancer” é um bónus, se a flexibilidade for o seu objetivo, mas o trabalho freelance pode ser uma faca de dois gumes, uma vez que muitas vezes vem sem benefícios, salários fixos ou outras proteções dos trabalhadores.

2. A semana de trabalho de quatro dias está a chegar!

De acordo com o relatório anual “Big Ideas” do LinkedIn, podemos esperar ver certos setores abraçarem a semana de trabalho de quatro dias em 2022.

A nível internacional, esta tendência já se tornou popular entre empresas como a Microsoft, a Semco Brasil e até o Governo da Islândia já tomou essa decisão. Os resultados mostram uma melhoria do bem-estar dos colaboradores, do equilíbrio entre a vida profissional e a produtividade, segundo o LinkedIn News.

Nos EUA, empresas como a Kickstarter, a Unilever e a Primary começaram tb a testar a semana dos 4 dias e a reportar resultados igualmente encorajadores. O CEO da Bolt, uma plataforma de comércio, juntou-se recentemente ao podcast Hello Monday do LinkedIn, partilhando que a transição para uma semana de trabalho de quatro dias foi “a melhor decisão que já tomou”.

3. Dias obrigatórios de saúde mental!

Num estudo recente realizado pela BetterUp.com, foi revelado que menos de 40% dos inquiridos tiraram férias nos últimos três meses para lidar com os problemas de saúde mental.

61% dos inquiridos afirmaram sentir-se incapazes de trabalhar devido a desafios de saúde mental pelo menos uma vez durante esse mesmo período de tempo. Ainda mais problemático, uma em cada três pessoas inventou uma desculpa quando tiveram de tirar férias devido à saúde mental.

As organizações verão o valor em investir na capacidade mental da sua equipa para se manterem à frente da curva. Isto inclui a comunicação da liderança sobre a importância dos dias de saúde mental nos Recursos Humanos, declarando que os dias de doença incluem dias de saúde mental e gestores que lideram pelo exemplo.

4. As indústrias apoiarão melhor os pais!

Mas a pandemia também aumentou o conforto dos pais com a defesa das suas necessidades, desde dias de trabalho mais curtos até melhores políticas relacionadas com a gestão dos filhos dos colaboradores. E a boa notícia é que, à medida, as empresas serão obrigadas a encontrar formas de melhor suportar essas necessidades, encontram-se a lutar para competir e reter talento.

O New York Times valida esta ideia, chamando-a de “A Grande Relocalização”. Várias grandes empresas já estão a fazer isto. Por exemplo, a Accenture está a ajudar a subsidiar o custo da creche, enquanto a Adobe está a permitir que os pais estabeleçam as suas próprias horas em vez de trabalharem um tradicional 9 a 5.

… É o progresso em curso!

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Sobre o autor

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Paulo Doce de Moura exerce funções no Banco Carregosa e foi diretor do BNP Paribas Personal Finance. Estudou Relações Internacionais-Económicas e Políticas, na Universidade do Minho e Direção Geral de Empresas no Programa Avançado de Gestão para Executivos na Universidade... Ler Mais