A European Business Angels Network comemora duas décadas de existência este mês. Confira alguns dos números por trás da evolução da atividade dos investidores anjo na Europa.

Numa altura em que o empreendedorismo, os entrepreneurs e as start-ups estão na mira dos jovens – no Reino Unido, por exemplo, 82% dos estudantes querem ser empreendedores –, o termo business angel ainda não faz parte do vocabulário de grande parte deste público.

A banalização da atividade empreendedora não trouxe visibilidade a uma parte tão importante do ecossistema em que estes estão inseridos: os investidores privados (também conhecidos como investidores anjo) que utilizam parte do seu dinheiro para investir num projeto com potencial.

Se esta é a atual realidade, há 20 anos o termo raramente era utilizado na Europa. Contudo, foi por esta altura que surgiu a European Business Angel Network (EBAN), a primeira rede europeia de business angels. O grupo celebra este mês as duas décadas de existência no mesmo local em que foi criado, no Comité Económico e Social Europeu.

Segundo declarações de Rudy Aernoudt, economista da Comissão Europeia e cofundador da rede europeia, antes do virar do século, poucos eram os investidores deste género a operar no mercado europeu. Hoje, a história é diferente e já há mais de 330 mil  que investem ativamente.

Estes importantes agentes do ecossistema de start-ups vieram preencher a lacuna entre os 3 F’s (friends, family & fools) e as firmas de capital de risco. Ou seja, em vez de pedirem dinheiro a amigos, família ou venture capitalists, os empreendedores ganharam acesso a uma nova fonte financeira que dispõe de tempo para dar mentoria. Este método de investimento tem ganho tal expressão na Europa que, em 2016, 67% dos investimentos em projetos em fases embrionárias foram realizados por business angels.

Um ano mais tarde, em 2017, por cada euro investido em start-ups (de todas as fases de desenvolvimento), 28 cêntimos foram injetados por business angels (segundo dados cruzados entre os relatórios do Pitchbook e da EBAN).

Saliente-se, ainda, que estes investidores foram decisivos no apoio a negócios durante a crise global de 2008, uma altura em que a maioria das organizações mais ativas neste domínio (como bancos e firmas de capital de risco) recuaram. Isto, segundo um estudo feito conjuntamente pelas universidades britânicas de East Anglia e Glasgow, foi especialmente verdade em Portugal.

Os números partilhados pela EBAN revelam um crescimento substancial da atividade de business angels na Europa. Eis uma comparação de alguns fatores entre 2005 e 2017:

2005 vs. 2017

Investimento de business angels na Europa
2005: ≈1,3 mil milhões de euros
2017: ≈7,2 mil milhões de euros

Número de business angels a operar no mercado europeu
2005: ≈8.000
2017: ≈337.500

Número de investimentos de business angels na Europa
2005: ≈625
2017: ≈39,400

Número de redes de business angels europeias
2005: ≈225
2017: 475

Em Portugal existem três membros ativos nesta rede: o IAPMEI, o DNA Cascais e a FNABA. Segundo a análise da Associação Portuguesa de Business Angels (APBA), através de uma entrevista do seu presidente, João Trigo da Roza, no ano passado (partilhada Lusa), o investimento de business angels em projetos nacionais terá atingido os nove milhões de euros.

Há, no entanto, quem acredite que a legislação atualmente em vigor no panorama nacional não beneficia a atividade deste profissionais, dado que houve um aumento na percentagem mínima de participação nas empresas de 5% para 10%. Isto significa que, para não pagarem impostos sobre esse investimento, os business angels precisam de deter 10% de uma start-up – uma percentagem de que muitos empreendedores não estão dispostos a abdicar em fases embrionárias.

Apesar do contínuo desenvolvimento deste ecossistema, ainda há desafios que as redes de business angels têm de resolver, como o facto de serem poucas as mulheres a atuar nesta área (apesar do ecossistema nacional ter o exemplo de Isabel Neves, líder da Business Angels Club Lisboa, e, a nível europeu, Candace Johnson, presidente da EBAN até 2018).

Do ponto de vista global, há expetativas elevadas para o crescimento da atividade. Segundo Baybar Altuntas, líder do World Business Angel Forum, dentro de cinco anos, o volume de investimento dos business angels vai atingir os 220 mil milhões de euros –  um número cinco vezes superior ao volume de investimento atual.

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