O mundo não será o mesmo. A pandemia da Covid-19 alterou o dia a dia das pessoas, mas também das empresas. Com os olhos postos no presente, António Murta, CEO da Pathena, e Renato Oliveira, CEO da eBankit, traçam cenários de futuro, numa conversa intimista conduzida por Ricardo Luz.

Em pouco mais de 30 minutos de conversa, António Murta, fundador e CEO da Pathena, e Renato Oliveira, fundador e CEO da eBankit, questionados pelo empresário Ricardo Luz, abordaram temas como a intervenção estatal em tempos de pandemia, as oportunidades de investimento, a transformação digital da medicina e do setor farmacêutico, os desafios do setor bancário, o cuidado a ter no armazenamento de dados, o crescimento das fintech, a regulação tecnológica e, não menos importante, a necessidade de recuperar a confiança.

Passe em revista alguns das mensagens-chave e assista à conversa.

O presente

“Acho que estes 30 dias nos condenaram à nossa insignificância e à nossa fragilidade e demonstraram cabalmente que por causa de um vírus (…) que não só marcou a agenda total e completamente do mundo como nos obrigou de forma inapelável a alterar os nossos hábitos (..)” – António Murta

“(…) Comecei a ver muitos aeroportos a ficarem vazios, muita gente de máscara em todo o lado, dai que nós na eBankit decidimos rapidamente ativar um plano de teletrabalho. Foi muito importante” – Renato Oliveira

“Como trabalhamos muito com bancos, e na área digital de bancos, estamos a conseguir fechar negócios porque rapidamente os bancos precisam de acelerar aquilo que nós chamamos transformação digital” – Renato Oliveira

(…) O domínio tecnológico tem sido demasiado desintervencionado, do meu ponto de vista. A concentração de riqueza em 8, 10 empresas tecnológicas do mundo está a ser de tal ordem nos últimos anos, que corroe as próprias bases do capitalismo. O capitalismo precisa de concorrência (…)” – António Murta

“(…) Não consigo aceitar coisas como aquelas que se passaram com o Cambrige Analytics e que só se passaram porque não havia regras e multas (…) e intervenções reguladoras pesadas que evitassem por efeito de disuasão que pessoas com menos valores do que aqueles que seriam desejáveis fizessem o que fizeram  (…)” – António Murta

“(…) preocupa-me muito o efeito de corrosão que o mercado de digital marketing tem produzido sobre o jornalismo, que é o 4.º poder e que é o único poder que sabemos que equilibra a democracia (…)” – António Murta

“(…) Sou daqueles tecnólogos que acha que já algum tempo, como por exemplo em domínios que afetam a democracia, a saúde e o setor financeiro, porque justamente é um setor especial, alavancado e, portanto, fortemente dependente da confiança dos cidadãos (…), a propriedade dos dados devia ser exclusivamente das pessoas (…)” – António Murta

“(..) O armazenamento de dados tem de ser trabalhado com muito cuidado. Cada vez mais deixamos aquilo que é a nossa pegada tecnológica em todo o lado. E essa pegada se for combinada (…) consegue-se ter um perfil das pessoas de uma maneira que tem de ser lidada com muito cuidado” – Renato Oliveira

“Até um liberal consegue pensar que o planeta tem limites (…)” – António Murta

O Futuro

“Uma das maiores oportunidades de investimento dos próximos anos (…) é seguramente a oportunidade da transformação da medicina e do setor farmacêutico por via do digital” – António Murta

“O formato das empresas no futuro vai ser diferente” – Renato Oliveira

“Os bancos chamados mais tradicionais vão ter de acelerar o processo de venda de produtos financeiros para particulares e para as empresas, de uma forma bastante mais digital do que faziam no passado. Isso obriga-os, claramente, a terem não só de fazer parcerias com as fintechs, que estão muito mais à frente, a terem plataformas (…) a acelerar o processo (…) e tem, de agilizar o processo de venda de produtos” – Renato Oliveira

“O grande desafio da banca nos próximos tempos é acelerar a transformação digital” – Renato Oliveira.

(…) Acho que vamos assistir a um período de forte intervenção estatal, absolutamente necessária, devo dizer, para garantir que mitigamos os efeitos de uma depressão que vai ser mais ou menos profunda, mas será certamente muito profunda na economia mundial” – António Murta

(…) Gostava de ver 4, 5 Margrethe Vestager com valores, com espinha dorsal, e que defendessem (…) que o Estado deve garantir que a iniciativa privada é respeitada, mas que tem regras e valores. Não é sem regras e sem valores (…)”- António Murta

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