Está insatisfeito com o seu emprego? Precisa de se sentir parte de algo maior? Quer começar o seu próprio negócio e não ser apenas mais um “soldadinho de chumbo” no exercito de metal da empresa onde trabalha? Então, este artigo é para si.

Quantas vezes já pensou em despedir-se do seu emprego para começar o seu próprio negócio? Até tem uma boa ideia, uma solução para algum problema que ninguém foi capaz de resolver, mas tem uma casa, filhos e tem medo de arriscar.

“Escolha um trabalho que goste e nunca mais vai ter de trabalhar para o resto da sua vida”. Esta frase, com mais de dois milénios, é do filósofo chinês Confúcio e pode ser a diferença entre uma terrível segunda-feira e um interminável fim de semana. Os próximos 12 passos podem criar a mudança na sua vida que há tanto tempo espera, segundo Rob Kornblum, que ajuda empreendedores a alcançarem o sucesso.

1. Deite fora o seu plano de negócio

Se teve a curiosidade de pesquisar, ler e informar-se sobre como começar a sua nova empresa, o mais provável é já conhecer um documento mágico chamado “plano de negócio”.

Se já passou à fase de criar esse documento mágico, pode deitá-lo fora. A realidade do mundo das start-ups é que os planos de negócio se tornam obsoletos pouco tempo depois de serem escritos.

Pesquisas intensivas sobre o mercado não vão tornar o seu produto melhor. Planos financeiros detalhadamente construídos vão-se tornar maus a partir do momento em que decidir mudar o preço do seu produto, os canais de comunicação ou tantas outras coisas.

Em vez de criar um plano de negócios detalhado o melhor, crie um documento com os pilares do seu negócio e altere-o consoante for moldando o seu negócio até finalmente se lançar no mercado. Aconselhamos também que inclua no seu documento respostas a estas perguntas:

  • Que problema (ou problemas) é que o meu produto resolve?
  • O que é o meu produto?
  • Quem é o meu público alvo?
  • O que é que torna o meu produto único?
  • Como é que vou fazer a distribuição do produto aos clientes?
  • De onde é que vem o lucro da minha empresa?
  • Quais são os maiores custos?

Este tipo de plano é perfeito se tiver um trabalho a tempo inteiro, visto que é muito menos dispendioso em termos de tempo e torna-se mais fácil de ir moldando consoante for montando a sua empresa.

2. Tenha a certeza que o seu empregador não lhe pode apontar nada

Este é um passo importante. Trabalhe com o seu próprio equipamento e invista tempo num negócio que não seja do mesmo setor que a sua atual empresa. O melhor, e o aconselhamos caso tenha possibilidade, é que fale com o seu advogado sobre a abertura do seu negócio para ter a certeza que não há nenhuma barreira legal.

3. Procure um cofundador adequado à sua estratégia

O mundo das start-ups é complicado e torna-se ainda mais complicado se caminhar sozinho. Apesar de haver variadíssimos exemplos de start-ups que começaram com apenas uma pessoa, o facto de ter mais alguém no barco torna o caminho para o sucesso muito menos turbulento.

Reid Hoffman, fundador da rede social LinkedIn que é também um investidor, pronunciou-se sobre as start-ups que têm apenas um fundador: “A maior parte das vezes, é melhor ter duas ou três pessoas [numa start-up]. Quando olho para este tipo de situações como investidor e penso ‘Qual é a melhor estrutura para um projeto e qual o número de fundadores que tem mais possibilidades de resultar?’ Normalmente são dois ou três”.

O facto de trazer mais pessoas para o projeto vai tornar a sua percentagem na empresa menor, por isso tenha a certeza que essas pessoas trazem algo de positivo para o projeto.

4. Teste a sua ideia

Só por ter uma boa ideia não significa que o mercado a aceite e que o seu negócio prospere. Teste o seu produto o mais possível para que não tenha de gastar dinheiro numa fase mais avançada e adequar-se ao mercado. Fazer isto enquanto ainda estiver a trabalhar a tempo inteiro pode ser um bocado complicado e pode consumir a maior parte do seu tempo livre durante algum tempo. Aqui ficam quatro maneiras de testar o seu produto:

  • Entrevistar possíveis clientes:

Procure perceber se o problema que o seu produto resolve é tão grande para outras pessoas como para si. A perceção do seu produto é diferente da que o mercado tem. O seu produto até pode resolver um problema, mas será que esse problema é tão grave para outras pessoas como é para si? Tente descobrir isto tudo através de entrevistas a possíveis clientes.

  • Protótipo:

O objetivo de um criar um protótipo é criar um produto ainda numa fase embrionária que resolva o grande problema do seu público-alvo. Não gaste muito dinheiro com este produto, o objetivo é ter “feedback” para que possa mudar o seu produto consoante as críticas que lhe forem feitas. Não defenda o seu produto com “unhas e dentes”, pense nas críticas como algo construtivo e nunca o oposto. A visão do seu cliente pode não ser a mesma que a sua. Se quer que o seu negócio tenha futuro, o objetivo é adequar o produto ao que o mercado quer, não ao que idealizou na sua cabeça em primeiro lugar.

Um bom exemplo é Van Barker, o fundador da Yardstash, que criou um produto para guardar bicicletas ao ar livre e que conseguiu angariar cerca de 225 mil euros antes de voltar as costas ao seu trabalho a tempo inteiro. Segundo Barker, os protótipos ajudaram-no substancialmente a melhorar o seu produto. “Ao colocar o produto na mão de pessoas que utilizavam bicicletas, aprendi muito. Utilizámos o ‘feedback’ para melhorar a qualidade e mudámos o design para tornar o produto mais fácil de utilizar”, explicou o fundador da Yardstash.

  • Inquéritos:

Os inquéritos são uma maneira fácil de chegar a centenas ou mesmo milhares de possíveis clientes. Estes questionários têm de ser vistos como um acréscimo às entrevistas que foram feitas, visto que é impossível entrevistar milhares de pessoas pessoalmente. Ferramentas como o SurveyMonkey e o Google Forms podem ajudá-lo a agrupar melhor e analisar as respostas dadas pelo seu público. Utilize perguntas com escolha múltipla para conseguir agrupar as respostas mais facilmente.

Exemplos de más perguntas:
Qual é a sua opinião sobre a ideia X?
Que problemas tem com as faturas do supermercado?

Exemplos de boas perguntas:
Guarda as suas faturas do supermercado?

  1. Sim, sempre
  2. A maior parte das vezes
  3. Às vezes
  4. Muito poucas vezes
  5. Nunca
  • Utilize a interatividade e o poder da internet:

É bastante fácil criar um website para testar o conceito do seu produto. Tem várias opções de sites grátis como o WordPress ou o Wix. Pode também utilizar anúncios na rede social Facebook ou no Google para ver se os seus possíveis clientes clicam na publicação.

5. Não faça do seu futuro negócio um hobby

Todos temos hobbies como fitness, dança, cozinha, jardinagem. A diferença entre um hobby e o seu futuro negócio é que não traça objetivos no primeiro. No caso da sua empresa é necessário, ou mesmo obrigatório, que crie objetivos. Planeie metodicamente cada um dos passos e estabeleça metas ou datas para os cumprir. Definir datas é fulcral para que seja proativo no desenvolvimento do seu negócio. É fácil deixar para amanhã o trabalho que poderia ter feito hoje. Ao definir datas isto deixa de acontecer porque tem obrigatoriamente de trabalhar para cumprir os prazos.

6. Não seja um “tio patinhas”

O seu instinto natural antes de criar um negócio será poupar o mais possível para quando tiver de se despedir ter dinheiro para sobreviver durante algum tempo. Se pedir a opinião a um conselheiro financeiro, ele provavelmente vai partilhar a mesma ideia.

O nosso conselho é diferente. É preferível pôr algum dinheiro de parte no início para investir na sua start-up. Gaste algum dinheiro em Adwords da Google, invista em criar algum inventário do seu produto, arranje cartões profissionais e vá a eventos onde possa criar contactos dentro do setor onde a sua start-up poderá vir a atuar. Pense neste tipo de despesas como investimentos a longo prazo.

7. Comece a gerar dinheiro

Se já começou a tratar do seu produto e já entrevistou alguns clientes dispostos a pagar pelo seu protótipo está num bom caminho para começar a ganhar dinheiro com a sua ideia.

Ter clientes dispostos a pagar pelo seu produto eleva o seu negócio de “uma boa ideia” para uma solução. Assim que tiver um público disposto a gastar dinheiro no seu produto, pode começar a gastar dinheiro em marketing de forma a atrair mais clientes. Utilizar testemunhos dos primeiros clientes é uma boa ideia.

8. Crie contactos

Utilize o facto de ainda estar a trabalhar a tempo inteiro a seu favor. Interaja com os seus colegas, clientes, vendedores e mesmo concorrentes. Crie contactos tanto dentro como fora da empresa. Procure pessoas que possam vir a trabalhar na sua empresa, potenciais clientes, mentores, conselheiros e até investidores.

Discuta o seu negócio com outras pessoas. Apesar da pessoa com quem está a falar não o conseguir ajudar com o seu projeto, há sempre a possibilidade desta conhecer uma pessoa que conhece outra que é especialista num problema que possa estar a ter. Não pense demasiado na ideia de arranjar mentores. Nem todas as opiniões que os seus conhecidos possam ter podem ser aplicadas no seu negócio.

9. O segredo para não querer ter investidores

Histórias como a da AirPatrol e da Peak Design podem inspirá-lo. Estas duas start-ups não precisaram de investidores e já valem milhões de euros. Quanto menos investimento precisar melhor, visto que quer ficar com a maior percentagem possível.

Tentar encontrar um investidor ainda numa fase embrionária da sua start-up também pode ser um problema. Ou ninguém o leva a sério por a sua empresa ainda estar muito pouco desenvolvida e ainda não trabalhar a tempo inteiro nela, ou então se conseguir um investidor o mais provável é este ficar com uma grande fatia da sua start-up.

A procura por um investidor deve ser feita com paciência. Não aceite a primeira proposta que lhe fizerem. Se possível, tente encontrar alguém que, para além de seu investidor, se torne num bom mentor.

10. Utilize o melhor possível o seu tempo disponível

Quanto mais tempo dedicar à sua start-up mais rapidamente vai ter resultados. Quando o seu negócio começar a finalmente dar frutos é a altura de começar a fazer o melhor com o tempo que tem.Isto é mais facilmente dito que praticado, mas se quer ver a sua empresa a ter sucesso tem de investir tempo e abdicar dos seus hobbies durante algum tempo.Não perca muito tempo a pensar em possíveis contratempos. A maior parte das vezes os problemas que surgem não são antecipáveis.

11. Aja como uma grande empresa

Pense que é a única pessoa que sabe que a sua empresa é composta por uma pessoa, ou duas ou três caso tenha encontrado os cofundadores certos. Mas o mundo, o seu público-alvo, não sabe o tamanho do seu negócio. É importante passar uma imagem profissional, tanto no seu “website” como na interação com os clientes. Pense como uma grande empresa mesmo sendo apenas uma start-up. Se tiver conhecidos que trabalhem como designer gráficos peça-lhes ajuda, em último caso contrate-os. A imagem que passa dá confiança e segurança aos seus clientes. Quando começar a ter muitos clientes e não conseguir dar resposta a tudo ponha a possibilidade de contratar pessoas em regime de “outsourcing”.

12. Comece a trabalhar a tempo inteiro no seu negócio

Despeça-se. Se já deu todos os passos enumerados acima neste artigo, o seu negócio já começou a dar lucros, tem pessoas dispostas a pagar pelo seu produto e tudo indica que a sua start-up só tem tendência para crescer. Esta é a altura ideal para se dedicar a tempo inteiro ao seu novo negócio.

 

A verdade é que a altura certa nunca vai aparecer, se não arriscar. Mas se já conseguiu provar que consegue criar e entregar o seu produto a um cliente, é meio caminho andado para o seu negócio resultar. O mais provável é que nos primeiros tempos não conseguia ter o mesmo salário ou estabilidade que o seu antigo trabalho.

“O seu emprego vai preencher uma grande parte da sua vida, a única maneira de ficar satisfeito é fazer o que acha que é um grande trabalho. A única maneira de fazer um grande trabalho é ter gosto a executá-lo”. A frase é de Steve Jobs, talvez a queira memorizar.

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