Ao longo dos últimos meses temos escrito acerca da necessidade de empreender[1][2] nos vários setores de atividade da sociedade civil portuguesa.

À relevância que colocamos no fazer, enquanto gerador de novas ideias e conceitos disruptores[3], junta-se o imperativo de empreender a desconectar[4]. O Direito à desconexão nas relações sociais de trabalho é entre nós um conceito novo mas em algumas latitudes gera discussões conceptuais desde o início da segunda década do século XXI[5].

Se por um lado consideramos que é fulcral inovar e criar, também entendemos ser essencial saber parar. A grande novidade da Revolução Industrial foi introduzir o descanso e a paragem para a alimentação durante a jornada laboral diária. Mas, estas transformações sociológicas já ocorreram há mais dum século e nós ouvimos hoje mais do que nunca que o repouso e o lazer são um direito humano básico[6].

Ao longo do último século estivemos preocupados em crescer e em alcançar índices de desenvolvimento sustentados e compagináveis com os níveis de crescimento que pretendíamos atingir. Durante esse percurso de várias décadas esquecemo-nos de que para podermos aumentar a nossa riqueza e continuarmos a ser felizes precisamos de saber introduzir pausas e cumprir com os períodos de repouso previstos na Constituição da República e na Lei Laboral.
Assim, é necessário haver um comportamento doloso ao querer empreender a desconetar.
A Ditadura da dívida publica e do PIB não se podem opor ao Direito à Desconexão.

Nestes últimos dias a União Europeia deu um passo de gigante com a aprovação do Pilar Europeu dos Direitos Sociais[7]. Na Cimeira Social para o Emprego Justo e o Crescimento[8], em Gotemburgo, na Suécia, as Pessoas e a Dimensão Social das Politicas Europeias voltam a ser os Protagonistas da Construção Europeia.

A Dignidade do Trabalho. O Trabalho Digno. A Dignidade da Pessoa Humano. O Trabalho. O Repouso. Empreender a desconectar é o próximo passo desta Europa que o Presidente da Comissão Europeia – Jean-Claude Juncker – trouxe de volta à ribalta, em Gotemburgo, na Suécia.

Vamos a Isso!!

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[1] http://linktoleaders.com/empreender-a-educar/
[2] http://linktoleaders.com/empreender-na-diversidade/
[3] http://linktoleaders.com/carater-disruptivo-do-projeto-da-autonomia-da-flexibilidade-curricular/
[4] https://www.priberam.pt/dlpo/desconectar  des·co·nec·tar |èct| ou |èt| – Conjugar (des + conectar) verbo transitivo. 1. Desfazer ou desligar uma conexão ou uma ligação. 2. Desligar ou interromper uma corrente elétrica. verbo transitivo e pronominal. 3. [Informática, Telecomunicações]. Desfazer uma ligação a um computador ou dispositivo ou a uma rede de computadores ou dispositivos. = DESLIGAR “desconectar”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013,
[5] Tanto no mundo jurídico anglo saxónico como no Brasil.
[6] http://unesdoc.unesco.org/images/0013/001394/139423por.pdf DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS, Adotada e proclamada pela resolução 217 A (III) da Assembleia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948, Artigo 24 Todo ser humano tem direito a repouso e lazer, inclusive à limitação razoável das horas de trabalho e férias periódicas remuneradas.
[7] https://ec.europa.eu/commission/sites/beta-political/files/social-summit-european-pillar-social-rights-booklet_en.pdf
[8] http://europa.eu/rapid/press-release_IP-17-4643_en.htm

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Sobre o autor

Teresa Damásio

Teresa Damásio é Administradora Delegada do Grupo Ensinus desde julho de 2016, constituído por Instituições de Ensino Superior, o ISG, por Escolas Profissionais, o INETE, A Escola de Comércio de Lisboa e a Escola de Comércio do Porto, a EPET, o INAE, o IEG – em Moçambique, o Real Colégio de Portugal, o Externato Álvares Cabral, o Externato Marquês de Pombal e o Colégio de Alfragide. Este Grupo celebrou em... Ler Mais