Conheça 10 start-ups portuguesas que contam com o apoio da Microsoft através do programa Ativar Portugal e que estão a dar cartas no mundo das novas tecnologias, nomeadamente na área da Internet of Things.

Assinalou-se a 17 de maio o Dia da Internet, com o intuito de levar à reflexão sobre as potencialidades e desafios das novas tecnologias na vida dos cidadãos. Graças à Internet of Things (IoT), são cada vez mais as tecnologias desenvolvidas com o objetivo de ir ao encontro das necessidades e desejos reais dos cidadãos.

A IoT está por todo o lado e está a começar a revolucionar a forma como a indústria automóvel, aeroespacial, agrícola, documental, médica, fabricantes de equipamento industrial, entre outros, produzem e mantêm de forma sustentada os seus produtos.

Reunimos 10 start-ups portuguesas que contam com o apoio da Microsoft através do programa Ativar Portugal, cuja terceira edição terá lugar no próximo dia 24 de maio, e que estão a dar cartas neste novo mundo digital. Venha conhecê-las.

Agroop

AgroopA Agroop surgiu quando um dos seus fundadores, o Bruno Fonseca, estava a fazer um trabalho de rebranding em cooperação com um agricultor. Dessa relação profissional, foram identificados vários desafios agrícolas que viriam a constituir as bases para o lançamento do produto da Agroop.

A Agroop consiste numa aplicação que ajuda os agricultores a monitorizar as atividades no campo e a fazerem contas das despesas com a produção. Trata-se de uma aplicação de gestão agrícola que permite gerir a exploração de forma mais intuitiva, colaborativa e moderna.

A start-up começou a operar comercialmente em setembro de 2016, tendo fechado o ano com aproximadamente 20 mil euros de faturação.

Um dos principais desafios que enfrentam prende-se com a necessidade constante de angariação de investimento para suportar a sua visão a médio prazo.

Como referiu Bruno Fonseca ao Link To Leaders, “é muito fácil uma start-up perder o foco naquilo que é a sua visão a médio/ longo prazo, quando está em constante tensão no curto e sempre em modo de sobrevivência. Uma parte significativa do nosso tempo centra-se na procura de investimento, quando poderia estar perfeitamente e quase totalmente alocado ao negócio”.

Atualmente a Agroop tem uma parte significativa da solução validada em Portugal e na Itália, e está a tentar escalar a solução para outros mercados com maior potencial.

Questionado sobre as tendências que se verificam na IoT, o cofundador da Agroop referiu que “no que à agricultura diz respeito, as possibilidades são enormes. Acredito que o futuro passará por soluções de IoT escaláveis que possam, devido à sua facilidade, ser instaladas pelo próprio utilizador final”.  “Imagino claramente uma realidade em que o agricultor vai ao nosso site, compra a nossa solução (software + hardware) e, depois de a receber por correio, instala-a e configura-a em apenas alguns minutos, sem qualquer dificuldade”.

Domatica Global Solutions

DomaticaA Domatica aposta no desenvolvimento de uma ferramenta robusta para monitorizar e controlar soluções de IoT. Esta start-up desenvolveu o DQS (Domatica Quantum System), “uma tecnologia de ponta – EDGE Technology for IoT gateways – que permite facilitar a conectividade entre diferentes tipos de dispositivos, atividades de recolha e gestão de dados, que permitem o desenvolvimento rápido de soluções IoT que sejam facilmente aplicáveis em mercados como: cidades inteligentes, agricultura, automação de edifícios, saúde, gestão de energia e automação industrial”, explicou Samuel Silva, CEO da Domatica, ao Link To Leaders.

Segundo o responsável, “a tecnologia DQS é um middleware para o espaço IoT, mais especificamente uma Application Enablement Platform (AEP) que possibilita o desenvolvimento, integrações e implementações escalonáveis de aplicativos de negócios. O DQS possui caraterísticas únicas que permitem uma flexibilidade excecional, uma latência de comunicações muito reduzida e custos de infraestrutura extremamente baixos”.

A Domatica sente que existe, no entanto, uma indefinição do próprio mercado do IoT, que se assume como um grande desafio. “É um mercado novo, mas ao mesmo tempo inevitável, em que todas as empresas sabem que têm de caminhar para lá, mas não sabem bem como, nem onde. Por isso, vemos as grandes empresas multinacionais, de áreas tão distintas, a marcarem presença no espaço IoT, mas na realidade (…) sem algo em concreto para oferecerem”.

Samuel Silva acredita que “as empresas estão perdidas na complexidade tecnológica de sistemas, nos subsistemas existentes no mercado e na procura da conectividade. Por isso, comunicar e mostrar tecnologia real é uma necessidade da IoT”.

As questões da segurança e da privacidade são outra das preocupações do CEO da Domatica, uma vez que “haverá uma enorme quantidade disponibilizada de informação e o latente receio de não se saber como a gerir”.

A Domatica confessa ter planos ambiciosos para o futuro próximo. “O objetivo atual é alargar parcerias com fabricantes de hardware dentro do mundo IoT. Passa também por aumentar o ecossistema de protocolos e dispositivos suportados pelo DQS e por aumentar as parcerias com os grandes players do IoT, de forma a difundir a tecnologia mundialmente”, confessa o responsável.

Questionado sobre as tendências que se verificam na IoT, o CEO refere que “os estudos de mercado apontam para um crescimento exponencial da IoT, estando previsto para 2021 atingir cerca de 22,5 mil milhões de objetos conectados à internet, o que levará a uma mudança profunda na nossa sociedade em geral.

“Na área de Smart Homes & Building Automation, a IoT poderá contribuir com soluções que permitam que os edifícios se ajustem às necessidades das pessoas, em termos de conforto e segurança, visando uma maior eficiência energética. Também terá um grande impacto na agricultura e na cadeia alimentar, possibilitando a Smart Agriculture & Farming, através da integração de todo os tipos de sensores para uma monitorização em tempo real e otimização de recursos nos cultivos intensivos, tanto de vegetais como de animais”, partilhou Samuel Silva.

doDOC

doDOTA ideia da doDoc surgiu quando os seus fundadores estavam a frequentar um doutoramento, através do qual estavam a desenvolver pesquisas em diferentes aspetos das ciências da vida, incluindo terapias contra o cancro, dispositivos médicos, informatização clínica e inteligência artificial. Embora sejam áreas com domínios muito diferentes, partilhavam as mesmas questões regulatórias. O desenvolvimento destas áreas científicas está dependente de processos de documentação altamente complexos que envolvem várias partes interessadas em diferentes estágios com uma significativa responsabilidade e auditabilidade. Foi neste processo que identificaram a oportunidade de criar um novo paradigma nos processos de documentação e que nasceu a doDOC.

Esta start-up transforma os sistemas de documentação existentes numa única plataforma de informação estruturada, permitindo uma fácil e segura criação, reutilização e colaboração de informação de múltiplas fontes, em todas as áreas do ciclo de desenvolvimento de novos fármacos. A doDOC acredita que, desta forma, as empresas ganham controlo e capacidade de escrutínio sobre todo o conteúdo documental existente.

Carlos Boto, cofundador da doDOC, referiu ao Link To Leaders que a visão inovadora da doDOC traz uma nova perspetiva para o mundo da documentação. “Com o objetivo de poupar tempo e reduzir os riscos, a doDOC define-se como uma plataforma de criação de conteúdo e gestão de documentos”, referiu. “Esta aplicação colaborativa permite que vários usuários contribuam de forma transparente para os processos de documentação, garantindo a auditabilidade e a responsabilidade de cada ação”, explicou.

A doDOC tem como objetivo “ser a melhor solução para a colaboração em indústrias reguladas, trazendo o seu inovador paradigma de documentação para outras áreas de informação”, referiu o seu CEO.

Questionado sobre os principais desafios que têm enfrentado, Carlos Boto revela que “algumas empresas que em público assumem uma imagem forte ao nível do investimento na inovação, têm uma abordagem altamente conservadora na validação e adoção de novas tecnologias e soluções”.

Sobre o futuro da start-up, o cofundador referiu que os planos passam por “nos tornarmos na empresa líder enquanto Plataforma de Colaboração Documental para a Indústria Farmacêutica”. Para o alcançar, o cofundador partilha que “estamos a trabalhar com as melhores empresas farmacêuticas e organizações de investigação. Estamos a trabalhar para alavancar a nossa rede de contactos, através de apresentações calorosas, de parcerias-chave e na associação direta com entidades reguladoras”. O responsável avança ainda que em 2017 pretendem “apresentar o doDOC a outros segmentos do mercado regulado com o mesmo grau de sucesso”.

Findster

FindsterA ideia para criar o Findster surgiu quando o Aquiles, o cão de um dos fundadores, começou a causar vários problemas. Virgílio começou a procurar uma solução que lhe permitisse receber alertas quando este fugisse de casa e saber exatamente onde estava. Rapidamente se apercebeu de que as soluções existentes não lhe permitiam receber alertas em tempo real e, à semelhança de um telemóvel, usavam um cartão SIM com mensalidades entre 10 e 40 dólares (entre 9 e 36 euros). Assim, decidiu tentar uma nova abordagem, com recurso a uma tecnologia que permite a comunicação em tempo real sem mensalidades. Com o objetivo de a validar no mercado, lançou o produto através uma campanha de crowdfunding que superou as expetativas da equipa, tendo ultrapassado os 100 mil dólares (cerca de 90 mil euros) de encomendas de mais de 50 países.

O Findster inclui informações como geolocalização em tempo real, definição de zonas e rotas seguras, activity tracker e alertas de queda e pânico. Um quarto elemento, chamado de basestation, funciona com o mesmo protocolo de comunicação e foi concebido para ser colocado em pontos estratégicos, como em casa ou locais públicos. Adicionalmente para um maior alcance de comunicação sem fios, o dispositivo com acesso Wi-Fi permite a ligação do sistema com a cloud, interligando os módulos e o smartphone.

Esta start-up atingiu os 500 mil euros de faturação no último ano e tem como objetivo ultrapassar o seu primeiro milhão de euros neste ano.

Questionado sobre os principais desafios que têm enfrentado, André Carvalheira, cofundador do Findster, referiu que “há dois grandes desafios. O primeiro é fazer com que o maior número de pessoas que queiram ou precisem de um Findster (seja no Japão ou nos EUA), saibam que o Findster existe e, para isso, foi muito importante termos tido duas campanhas de crowdfunding muito bem-sucedidas que nos permitiram chegar a mais de 70 países e ter vendas de mais de 400 mil dólares [cerca de 360 mil euros]apenas através desse canal. O segundo é ter os conhecimentos e as relações para produzir e distribuir um produto para o consumidor final a nível global. Neste segundo desafio, foi muito importante termos sido selecionados em 2016 para a mais importante aceleradora de empresas de hardware do mundo, a HAX, que fez com que não cometêssemos erros que podiam ter levado a empresa à falência, e ter acesso a canais de distribuição e a fornecedores com quem seria difícil termos contacto sozinhos nesta fase inicial”.

Sobre os planos para o futuro próximo, Carvalheira contou que estão “a preparar o lançamento de um novo produto com base na mesma tecnologia de comunicação (MAZE Technology)”, cujo lançamento está previsto para este verão.

Já sobre as tendências que verificam na IoT, André Carvalheira aponta que “neste momento já muitas pessoas compraram e usam dispositivos inteligentes. Mas a potencialidade de cada um está limitada pela falta de comunicação com outros dispositivos inteligentes. É expectável que haja um aumento de integração entre mais dispositivos que vão levar ao aumento da proposta de valor e, consequentemente, da compra e uso recorrente de dispositivos inteligentes”.

O aumento do foco na segurança e privacidade são outras das tendências apontadas pelo também CEO.

HealthyRoad

HealthyRoadFilipe Oliveira teve, em fevereiro de 2013, a ideia de criar uma tecnologia de visão por computador para detetar o adormecimento do condutor. Nesse mesmo mês juntou a equipa de fundadores e, em março de 2013, entravam na escola de start-ups da UPTEC – Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto, o que lhes permitiu dar um boost à ideia e avançarem com a HealthyRoad.

Sediada na UPTEC, a HealthyRoad está a desenvolver uma tecnologia de biométrica facial que deteta e analisa o comportamento dos indivíduos. Esta tecnologia utiliza as mais avançadas técnicas de biometria facial para analisar diversas métricas, nomeadamente sinais de fadiga, adormecimento, estados emocionais e até mesmo o batimento cardíaco.

Está atualmente a ser implementada no setor rodoviário, onde pretende proteger os condutores através de alertas sonoros, sempre que são detetados comportamentos imprudentes, como distrações, adormecimento, períodos de fadiga, elevados níveis de stress, entre outros.

Sobre os planos para o futuro, o cofundador referiu que “o objetivo passa por disponibilizar a nossa tecnologia no mercado, por forma a que possa vir integrada nos veículos desde a sua construção, pelo que de momento estamos a integrar a nossa tecnologia com fabricantes automóveis e empresas fornecedoras da indústria automóvel”.

André Azevedo, cofundador da HealthyRoad, acredita que, “na área da mobilidade onde nos encontramos, a IoT vai assumir um papel fulcral e permitirá alterar a forma como hoje vivemos e nos deslocamos. (…) no futuro, com veículos autónomos, internet de alta velocidade, etc., tudo estará ligado entre si. Vamos deixar de ter a necessidade de, por exemplo, carregar o saco de ginásio, ele simplesmente viajará autonomamente noutro veículo até ao destino”.

IsGreen

isGreenA IsGreen surgiu na sequência de um desenvolvimento tecnológico que recebeu o primeiro prémio do MIT Portugal, tendo sido, logo de seguida, finalista de um processo de seleção de empresas gerido pela REPSOL / Madrid.

Esta start-up fabrica e comercializa produtos e soluções que otimizam os consumos energéticos dos edifícios. A iluminação inteligente foi a primeira área a ser desenvolvida, estando outras em curso. A solução atual gere a iluminação e a energia em geral nos edifícios de forma inteligente e automática, regulando a quantidade de luz e ligando e desligando equipamentos, de acordo com a potência e a tarifa ou outras regras dinâmicas.

Com uma faturação na ordem de um milhão de euros ao ano, Carlos Rosário, o sócio-fundador da start-up, apontou como dificuldades encontradas “a pouca maturidade do mercado de capitais para negócios emergentes, mesmo com a apresentação de resultados auditados nos clientes e um TIR entre os 18% e 24%; o mercado profissional é pouco aberto a adotar tecnologias inovadoras; e a forte concorrência dos grandes players internacionais no campo da iluminação inteligente e da gestão inteligente de dispositivos”.

Até ao momento, já conseguiram “poupanças entre os 65% e 81% em instalações diferenciadas, tais como fábricas, armazéns, bibliotecas, escritórios e parques de estacionamento.

No futuro, o objetivo passa por utilizar a plataforma IsGreen no mercado da IoT e sedimentar os negócios em curso noutros países da União Europeia.

“Os dispositivos devem obrigatoriamente incluir capacidade de decisão local com intelligence embedded, no caso dos dispositivos desenvolvidos pela IsGreen. Isto vai permitir o aparecimento de inúmeras oportunidades comerciais em campos onde não existem comunicações e noutros onde, apesar de existirem, a IoT vem adicionar outras facilidades”, acrescenta.

Muzzley

MuzzleyA Muzzley surgiu há cerca de 4 anos, numa altura em que ainda pouco se falava da IoT, mas só neste ano iniciou a sua atividade comercial. Domingos Bruges, cofundador e CEO da start-up, acredita que a start-up “surgiu antecipando que a IoT teria que ser muito mais do que o simples controlo remoto de aparelhos a partir da internet”.

“A Muzzley é uma plataforma bastante simples para o cliente final, o que, para abstrair o cliente de toda a complexidade do IoT e de inteligência de dados, acaba por lhe conferir internamente uma complexidade extrema”, referiu Domingos Bruges. Para tal, contribuíram os 3 anos de pesquisa e desenvolvimento.

Sobre os principais desafios que têm enfrentado no mercado, o CEO confessou que “a Muzzley apareceu a pensar que a IoT de consumidor final iria passar por um período de expetação e incapacidade de vingar a curto prazo, pela falta de valor real para o cliente final. Isto revelou-se muito desafiante, pois necessita que todos os parceiros da empresa, investidores ou equipa partilhem da mesma visão. No entanto, uma vez montada a visão, é uma questão de executar”.

Domingos Bruges acredita que a IoT “tem diversas frentes e trata-se de um mercado extremamente explorado. Do industrial ao residencial, do B2C ao B2B ou modelos híbridos de B2B2C, a IoT consegue ser tão grande como a própria internet. Grande em termos de utilização, utilizadores ou problemas que resolvem”.

“Na área onde a Muzzley atua, verificou-se nos últimos três anos um hype e especulação sobre a dimensão que a IoT iria ter. Posteriormente, começou a ver-se algumas empresas a fecharem ou a fazer merges estratégicos com gigantes como a Microsoft, a Google ou a Amazon. Um dos principais motivos deste aparente fracasso deve-se ao facto da falta de valor e custo elevado dos primeiros equipamentos de IoT. A Muzzley foca-se exatamente neste problema. Há quatro anos, antecipámos esta situação e, desde então, a Muzzley trabalha a criar soluções que representem valor acrescentado sobre os equipamentos de IoT”, diz.

Os planos futuros da start-up passam, além do contínuo desenvolvimento do produto, pela expansão comercial e pela aposta nas relações com parceiros.

PaperVault

PapervaultAs faturas e recibos impressos em papel podem ter os dias de vida contados. Uma empresa portuguesa desenvolveu uma plataforma inovadora, o PaperVault, que transforma faturas e recibos em informação digital.

“O PaperVault surgiu da necessidade de acabar com os papéis que temos acumulados na carteira, sejam faturas, recibos ou talões de compra”, explica Orlando Ribas Fernandes, da XnFinity, a start-up do Parque da Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto (UPTEC) responsável pelo projeto.

Qualquer máquina registadora com ligação à Internet pode utilizar esta plataforma. A única diferença em relação à emissão tradicional de talões é que, em vez da impressão, o comerciante aciona a aplicação e, imediatamente, a informação é armazenada online.

Orlando Ribas Fernandes aponta como o maior desafio enfrentado “o tempo que demora a fechar um ciclo de negócio na área que pretendemos atingir”.

Sobre o futuro, o CEO da XnFinity refere que o “grande objetivo é tornarem-se numa referência mundial nos recibos digitais e recibos de futuro, e que se passe de um mero papel para algo digital e inteligente”.

Virtusai

VirtusaiA história da Virtusai começa na Faculdade de Engenharia do Porto, onde quatro alunos do mestrado de Engenharia Informática começam a colaborar em trabalhos de grupo e a ter algum sucesso em hackathons. Quando terminam o curso, começam a pensar em criar uma empresa.

Após uma fase dedicada à procura e teste de ideias de negócio, entram na UPTEC, em setembro de 2015. Inicialmente, ainda sem a empresa criada oficialmente, foram desenvolvendo tecnologia para algumas empresas num modelo de consultoria. Isto permitiu-lhes contactar com o mercado e conhecer aqueles que, em dezembro do mesmo ano, viriam a investir no projeto e a criar a Virtusai.

A start-up apresenta várias soluções: Virtus.Sense, Virtus.Trace e Neptuno. Virtus.Sense é uma plataforma de IoT, full-stack (hardware & software), que permite às empresas o controlo/monitorização dos seus recursos/processos, maximizando o desempenho, eficiência e qualidade.

Já a plataforma web Virtus.Trace é orientada para empresas que necessitem que os seus processos e/ou produtos sejam rastreáveis e onde a informação flui através de todas as etapas de produção/manufatura.

Por fim, o Neptuno é uma tecnologia que pretende revolucionar a forma como as pessoas compram os seus produtos alimentares online. Utilizando os programas de fidelização dos retalhistas, a plataforma, através de uma camada de inteligência suportada em métodos de Big Data, proporciona aos clientes uma melhor experiência de compra.

“A nossa ligação com a IoT é fruto da experiência que os nossos investidores trouxeram da indústria, ou seja, da quantidade de problemas que a tecnologia de sensorização e monitorização ainda está para resolver”, contou Ricardo Teixeira, cofundador e CEO da Virtusai, ao Link To Leaders.

Para o responsável, “o último ano serviu para desenvolvermos a nossa tecnologia até um estado que nos permite acelerar os projetos de IoT, reduzindo tempos de deployment de meses para minutos. A nossa visão é que a IoT deve e pode ser democratizada para o nível empresarial e industrial”.

Questionado sobre os principais desafios que têm enfrentado, o CEO da Virtusai referiu que “pelo facto de sermos disruptivos e apresentarmos soluções que afetam grande parte das empresas, deparamo-nos, muitas vezes, com grandes ciclos de venda. Se não forem devidamente acautelados, estes ciclos podem ser fatais para uma start-up”.

Sobre o que têm estado a fazer e planos para o futuro próximo, o CEO avança que têm “feito instalações em alguns clientes de peso, especialmente na indústria alimentar. Daqui para a frente, tencionamos consolidar essa posição e já temos um roadmap de instalações em novos clientes”. “Posso dizer que vamos atuar em áreas como a otimização de serviços em grandes edifícios, monitorização de frio para manutenção preventiva, monitorização de contentores alimentares industriais, etc.”, confessou o CEO.

Ricardo Teixeira acredita que a IoT é um dos temas mais “quentes” no mundo digital. “Existem algumas tendências que acreditamos que serão consolidadas durante os próximos anos. O primeiro passo para impulsionar a IoT passa por encontrar novas formas de conectar as “coisas” à Internet. Tecnologias com a SigFox, LoRa e Narrowband já estão disponíveis, mas certamente serão melhoradas e, sobretudo, tornar-se-ão ubíquas. A Machine Learning e a Inteligência Artificial serão as que mais ganharão com a universalização da IoT”, referiu.

Watt-IS

Watt-isCom a instalação massificada dos contadores inteligentes, está a ser gerada uma vasta quantidade de dados de consumo energético com elevado detalhe. Os fundadores da Watt Intelligent Solutions (Watt-IS), que se cruzaram profissionalmente no âmbito do programa MIT Portugal, tinham já adquirido experiência na área da energia e aperceberam-se do grande potencial que estes novos dados poderiam ter para uma melhor compreensão dos consumos dos utilizadores finais.

Para dar resposta ao potencial encontrado, a Watt-IS desenvolveu um algoritmo capaz de identificar separadamente os consumos de diferentes eletrodomésticos numa habitação, a partir dos dados de consumo de um qualquer contador inteligente.

Miguel Carvalho, cofundador e CEO da Watt-IS, referiu ao Link To Leaders que “este nível de informação levou ao desenvolvimento de um conjunto de ferramentas automatizadas de aconselhamento energético para o setor residencial e para as pequenas e médias empresas, apresentando medidas de eficiência energética cuidadosamente elaboradas, de um modo automático, especificamente para cada utilizador final”.

“Os serviços desenvolvidos pela Watt-IS têm sido construídos com o objetivo de tornar o aumento da eficiência energética ao alcance de todos os consumidores finais, ao mesmo tempo que conseguem dotar as comercializadoras de energia (utilities) e as empresas de serviços energéticos (ESCO) de um melhor serviço prestado aos consumidores finais”, partilhou o CEO da start-up.

Sendo o modelo de negócio da Watt-IS muito assente numa abordagem B2B, através de parcerias com empresas comercializadoras de energia, Miguel Carvalho afirmou que “um dos principais desafios com que a Watt-IS se tem defrontado é a existência de ciclos de decisão e venda muito longos, o que para uma start-up é bastante difícil de enquadrar na gestão do desenvolvimento da sua solução”.

O CEO da Watt-is referiu ainda que, “uma vez que a nossa solução endereça um problema comum a vários mercados — a eficiência energética —, um dos principais objetivos a curto prazo é a expansão para o mercado internacional”. Neste sentido, a “Watt-IS tem vindo a estabelecer boas relações com potenciais parceiros em Espanha, Holanda, Itália, Suíça, entre outros.

Questionado sobre as tendências na IoT, o CEO da Watt-IS acredita que “o hardware está a ficar cada vez mais acessível financeiramente e compatível com plataformas de desenvolvimento, o que tem aumentado a criatividade e o valor de soluções que promovam a eficiência energética. A integração de hardware de sensorização e controlo com algoritmia de gestão dos consumos está também a abrir uma oportunidade para comercializadoras gerirem a cadeia de valor de produção/consumo de energia”.

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