Startup Portugal traça metas para 2036. Start-ups deverão representar 5% do PIB.

Foto: Startup Portugal assinala dez anos

Entidade responsável por impulsionar o ecossistema empreendedor assinalou dez anos em evento e revelou os objetivos para a próxima década, desde maior paridade no setor a representar 5% do PIB nacional.

A Startup Portugal assinalou os dez anos da sua fundação e apresentou um manifesto a parceiros e convidados, num evento em Lisboa, que celebrou a primeira década da entidade responsável por impulsionar o ecossistema empreendedor nacional. Entre os objetivos destaca-se a ambição de aumentar o contributo das start-ups para 5% do PIB português até 2036, reforçar a presença de Portugal na definição das políticas europeias para o empreendedorismo e criar condições para acolher no país um evento de referência mundial na área.

Apresentado ontem no Clube Ferroviário, em Lisboa, o manifesto resulta da experiência acumulada ao longo de uma década de trabalho em estreita colaboração com empreendedores, investidores, incubadoras, universidades, empresas e entidades públicas. A iniciativa assinalou os dez anos da organização responsável por impulsionar o desenvolvimento do ecossistema empreendedor em Portugal.

No centro da visão para os próximos dez anos está a convicção de que Portugal reúne hoje as condições necessárias para consolidar o crescimento das startups nacionais e acelerar a sua contribuição para a economia. Atualmente, estas empresas representam cerca de 1% do PIB português, num universo que já ultrapassa as cinco mil start-ups ativas.

“A primeira década foi dedicada a provar que Portugal podia ser um país de startups. A próxima será dedicada a provar que Portugal pode ser um país onde nascem, crescem e permanecem empresas globais. Este manifesto é um compromisso para transformar o empreendedorismo num dos principais motores de desenvolvimento económico, inovação e competitividade do país”, indica Alexandre Santos, presidente da Startup Portugal.

Já Miguel d’Aguiar, diretor Executivo da Startup Portugal, refere que “olhando para trás, percebemos que Portugal fez um caminho que há dez anos parecia longínquo. Hoje temos mais empresas, mais talento, mais investimento e mais experiência. Os próximos dez anos devem servir para dar um novo passo: criar as condições para que as empresas que já existem se expandam e se tornem uma parte mais relevante da economia portuguesa”.

Conheça os dez objetivos estratégicos da Startup Portugal para continuar a fortalecer o ecossistema empreendedor nacional:

  1. Continuar a ser a entidade nacional de referência para a promoção do empreendedorismo, construindo pontes entre todos os intervenientes públicos e privados.
  2. Aumentar o número de startups em Portugal e fazer crescer o seu contributo para 5% do PIB nacional.
  3. Apoiar a construção de uma economia que premie o trabalho, a resiliência e a criação sustentável de empresas.
  4. Promover um ecossistema que valorize a paridade e a igualdade de oportunidades.
  5. Reforçar o papel de Portugal na definição e implementação das políticas europeias para o empreendedorismo.
  6. Criar condições para acolher em Portugal pelo menos um evento de empreendedorismo de referência mundial.
  7. Valorizar e incentivar o empreendedorismo social e o impacto positivo na sociedade.
  8. Promover o reconhecimento público do trabalho desenvolvido pelas startups portuguesas.
  9. Reconhecer e fortalecer o papel das incubadoras enquanto agentes fundamentais do ecossistema.
  10. Melhorar as condições para os investidores e facilitar o apoio ao crescimento das empresas.

Dez anos de crescimento do ecossistema

Criada em 2016, no contexto da Estratégia Nacional para o Empreendedorismo e no ano da primeira Web Summit em Portugal, a Startup Portugal acompanhou a transformação do ecossistema nacional através de programas de apoio, iniciativas de internacionalização e instrumentos destinados a aproximar empreendedores, investidores, incubadoras, empresas e entidades públicas.

Entre os principais marcos da última década destaca-se a aprovação da Lei das Startups, em 2023, que criou a primeira definição legal de startup na União Europeia e introduziu um novo enquadramento fiscal para stock options. Mais recentemente, a entidade lançou o Tech Foundry Portugal – Deep Tech Edition, dirigido a equipas científicas e tecnológicas que procuram transformar conhecimento e investigação em negócios de base tecnológica.

Atualmente, Portugal conta com 5.091 start-ups ativas, responsáveis por mais de 28 mil postos de trabalho, com salários 81% acima da média nacional. Em conjunto, estas empresas geram 2.856 milhões de euros em receitas, o equivalente a cerca de 1% do PIB, e 1.571 milhões de euros em exportações.

A maturidade crescente do ecossistema reflete-se também no surgimento de oito unicórnios com ADN português e na afirmação internacional das start-ups nacionais. Ao longo da última década, mais de 320 empresas participaram em eventos internacionais através do programa Business Abroad e mais de mil startups foram apoiadas através do Road 2 Web Summit.

A Startup Portugal apoiou ainda 808 projetos empreendedores através do Startup Voucher e dos Vales de Incubação, num investimento superior a 31,4 milhões de euros, contribuindo para o desenvolvimento de novas empresas e projetos em todo o país.

Em 2026, a terceira edição da SIM Conference reuniu mais de 4.000 participantes e stakeholders do empreendedorismo português, juntado mais de uma centena de startups nacionais, mais de 270 investidores e consolidando-se como um dos principais pontos de encontro para os criadores de empresas em Portugal.

 

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