Na era do e-commerce, as lojas físicas continuam a ser relevantes para potenciar a presença das marcas junto dos seus clientes.

Esta foi uma das conclusões da quarta edição do The Everywhere Store, um evento que juntou retalhistas do mundo inteiro em Nova Iorque para se debruçarem sobre as tendências do setor a nível mundial.

O encontro, organizado pela multinacional Tlantic, contou com a participação e parceria da portuguesa Porto Business School, da espanhola IE Business School e da norte-americana Wharton School. O objetivo desta iniciativa foi antecipar parte dos temas fraturantes que vão ser discutidos no NRF Retail’s Big Show, o maior encontro a nível mundial do setor do retalho, que decorre até hoje,16 de janeiro, em Nova Iorque.

“Creating Worlds of Experience” foi o tema da quarta edição da conferência. Citando um estudo encomendado pela Bonobos, uma cadeia de lojas norte-americana de moda masculina, David R. Bell, professor da Wharton School, adiantou que “quando um cliente vai a uma loja física pelo menos uma vez, passa a comprar 40% mais do que fazia antes, quando era apenas um cliente da loja online”. Isto acontece porque, segundo o especialista, “a loja física estimula o consumidor de uma maneira que a virtual não é capaz”.

Numa altura em que as marcas apostam cada vez mais nos influenciadores, que tanto podem ser atores ou desportistas, como pessoas com muitos seguidores nas redes sociais, o professor da Wharton School explicou a necessidade de tentar perceber quem são os influenciadores mais importantes entre o público e a marca.

Já Paula Marques, professora da Porto Business School, afirmou que quem quiser conquistar os millennials – que são grande parte dos consumidores de serviços e lojas online – ou qualquer pessoa que faça compras online, deve desenvolver novas competências, ou seja, novas formas de conseguir chegar mais eficazmente aos potenciais clientes.

A ex-CEO da Fnac Portugal, Cláudia Almeida e Silva, lembrou que os players do setor do retalho precisam de entender o caminho a seguir, o que passa “estar sempre presente na vida do consumidor, ser relevante para a sua vida e muito rápido a dar resposta”.

Para Daniel Corsten, professor da madrilena IE Business School, já passou o tempo em que os grandes do retalho achavam que só a tecnologia seria capaz de salvar o setor. “Parecia que a tecnologia ia deixar as nossas lojas frias e acabar com a alegria de comprar. Hoje, sabemos que não é verdade. Existe muita coisa inútil por aí, mas a tecnologia, quando é bem usada, ajuda a personalizar a compra e a conectar pessoas”, explicou. Apesar da opinião animadora, para Daniel Corsten os retalhistas ainda não encontraram a receita ideal para crescer dentro de um mundo conectado.

Em tom de conclusão, Paulo Magalhães, CEO da Tlantic, uma multinacional fundada em Porto Alegre e que já conta com escritórios no Porto, Barcelona e Londres, rematou que “embora hoje os telemóveis sejam a Everywhere Store”, acredita que a loja física vai continuar no centro de tudo. “Os retalhistas têm todas as condições de criar espaços encantadores, capazes de trazer o público de volta. E isso já está a acontecer”, concluiu.

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