Os dados são do mais recente relatório da britânica Diversity VC, uma organização sem fins lucrativos que promove a diversidade no setor dos venture capitalist.

No Reino Unido, apenas 8% dos venture capitalist têm experiência a trabalhar ou a gerir uma start-up. Já nos Estados Unidos a situação é bem distinta porque aqui, nas empresas de capital de risco de primeira linha, cerca de 60% dos investidores têm experiência com start-ups.

As conclusões são de um relatório da Diversity VC que refere ainda que, em vez de conhecerem o que é estar por dentro de uma empresa em rápido crescimento, os investidores de risco do Reino Unido têm mais experiência em consultoria, finanças ou banco de investimentos. Ainda de acordo com esta análise isso não significa que as empresas de capital de risco devam deixar de contratar pessoas com esse perfil, mas sim que deverão apostar na diversificação de experiências dentro das equipas porque as diferenças de pensamento, de experiências e backgrounds apresentam grandes vantagens.

Algumas empresas europeias de capital de risco já adotam esta visão, apostando na expertise operacional das equipas como forma de se distinguirem. Neste domínio o site Sifted cita o exemplo da alemã Cherry Ventures que procura seguir essa abordagem ao afirmar-se, em primeiro lugar, como empreendedores e em segundo investidores.Também a londrina Blossom Capital reflete este posicionamento até porque os seus sócios fundaram ou trabalharam em empresas de rápido crescimento como a Deliveroo e a Klarna.

O que valorizam os fundadores
Se para as firmas de capital de risco parece claro que a diversidade de experiências nos investidores é algo positivo, do lado dos fundadores há algum debate sobre o que estes realmente esperam dos fundos de capital de risco. Alguns preferem um investidor com experiência operacional em detrimento de um perfil meramente de consultoria. Ou seja, muitos empreendedores europeus querem investidores que entendam de facto a realidade da start-up, que tenham experiência operacional e alguém que ajude a enfrentar os desafios com que se deparam e que percebam que as pessoas são a força motriz por detrás dos números.

Uma solução intermédia
Alguns críticos referem, por outro lado, que demasiada informação sobre experiências anteriores pode também constituir um problema. Ou seja, um investidor que construiu uma empresa de tecnologia no início do ano 2000, poderá ter uma visão desajustada para o cenário empresarial atual. Da mesma forma, um ex-consultor que passou anos a analisar mercados pode ser muito valioso no conselho de gestão de uma start-up.
Ainda assim, as opiniões divergem e, em 2017, a CBInsights descobriu que a experiência empreendedora anterior de um investidor não fazia diferença para seu “sucesso” como venture capitalist.
Talvez por isso alguns especialistas refiram que, em vez de questionar a eventual experiência do investidor, a verdadeira preocupação deveria começar por pedir referências sobre o trabalho do VC, perceber se existe empatia com o fundador e quais as ligações úteis que tem.

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