Redes sociais podem contribuir para a diminuição do bem-estar dos jovens, alerta relatório da Gallup
O uso intensivo das redes sociais parece estar a contribuir para a diminuição do bem-estar entre os jovens nos países de língua inglesa e na Europa Ocidental, com destaque para as raparigas. A conclusão é do World Happiness Report 2026, da Gallup.
Publicado recentemente pela Gallup (em parceria com o Centro de Investigação em Bem-Estar da Universidade de Oxford, e a Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas), o World Happiness Report 2026 traz para a ordem do dia algumas preocupações relativamente ao uso de redes sociais pelos mais jovens.
O inquérito internacional, realizado a jovens de 15 anos em quase 50 países, sugere que o uso intensivo das redes sociais está, em média, associado a uma queda significativa do bem-estar entre os estudantes inquiridos. Contudo, qualquer que seja o efeito depende fortemente do tipo de plataforma de redes sociais utilizada, da forma como é utilizada, bem como de fatores demográficos como género e estatuto socioeconómico.
Os jovens que que usam as redes sociais menos de uma hora por dia relatam os níveis mais elevados de bem-estar — superiores aos que não utilizam as redes sociais. Mas, segundo a estimativa, os adolescentes passam em média 2,5 horas por dia nas redes sociais.
As evidências apontadas pelo relatório descrevem um quadro global complexo numa altura em que muitos países procuram implementar maiores proteções legislativas para menores de 16 anos online. Recorde-se que a Austrália e a França, por exemplo, já adotaram medidas restritivas.
Entre as conclusões publicadas no World Happiness Report 2026, destaque para a queda de bem-estar entre os jovens nos países de língua inglesa, em particular nos Estados Unidos, Canadá, Austrália e Nova Zelândia. Por sua vez, as plataformas impulsionadas por conteúdos tratados algoritmicamente tendem a demonstrar uma associação negativa com o bem-estar, mas aquelas concebidas para facilitar ligações sociais mostram uma associação positiva clara com a felicidade. Sublinha que as redes sociais criam um problema padrão de ação coletiva — se existirem canais de redes sociais, as pessoas perdem por não aderirem, mas a maioria concorda que estariam melhor se não existissem.
A análise salienta, contudo, que o uso das redes sociais não explica totalmente o preocupante declínio do bem-estar juvenil em algumas regiões. As tendências são causadas por muitos fatores, que diferem entre continentes. No entanto, as evidências do relatório indiciam que o uso intensivo das redes sociais, especialmente em alguns países, é uma parte importante da explicação.
Jan-Emmanuel De Neve, diretor do Centro de Investigação em Bem-Estar de Oxford, professor de Economia na Universidade de Oxford e editor do World Happiness Report, frisou que “as evidências globais deixam claro que as ligações entre o uso das redes sociais e o nosso bem-estar dependem fortemente das plataformas que utilizamos, de quem as utiliza e como, bem como durante quanto tempo”. Afirma ainda que “o uso intensivo está associado a um bem-estar muito mais baixo, mas aqueles que deliberadamente se afastam das redes sociais também parecem estar a perder alguns efeitos positivos”.
Apesar dos aspetos menos positivos, o CEO da Gallup, Jon Clifton, lembrou que “todos os anos, a Gallup pede a pessoas de mais de 140 países que avaliem as suas vidas. A maioria dos jovens do mundo está hoje mais feliz do que há 20 anos, e essa é uma tendência que merece atenção”.








