Qualidade de vida na Região de Lisboa enfrenta dificuldades, conclui Barómetro

Foto: Geralt, Pixabay

Segundo o novo Barómetro da Qualidade, desenvolvido pela NOVA IMS e pelo IPQ, os contrastes na qualidade de vida na Região de Lisboa são uma realidade.

Os resultados do Barómetro da Qualidade, desenvolvido pela NOVA Information Management School (NOVA IMS) e pelo Instituto Português da Qualidade (IPQ), revelam que apesar da Região de Lisboa registar um desempenho económico acima da média nacional, continua a deparar-se com dificuldades em setores como saúde, a habitação e a segurança, todos eles determinantes para a qualidade de vida. Constata, por exemplo, que só 69,2% da população da região tem médico de família, percentagem substancialmente mais reduzida que 84,3% verificados no conjunto do país.

Este Barómetro da Nova IMS e do IPQ identifica um território de contrastes entre a competitividade económica e a capacidade de resposta a algumas das necessidades da população. Por exemplo, no setor social, e embora a percentagem de idosos em situação vulnerável seja de 0,2% (contra 1,8% a nível nacional), a cobertura das respostas sociais dirigidas à população com este perfil também fica abaixo da média do país, concretamente 8,6% (em Lisboa), contra 12,9% (a nível nacional).

A dimensão bem-estar é outro dos indicadores onde se fazem notar grandes diferenças. Vejamos, a disponibilidade de espaços verdes urbanos é de 40,2 metros quadrados por habitante na Região de Lisboa, significativamente abaixo dos 104,2 metros quadrados da média nacional.

Já pela positiva, a Região de Lisboa regista resultados acima do total do país (25%), em domínios como reutilização e reciclagem de resíduos urbanos com uma taxa de 31,4%. Também no indicador de acesso à internet em banda larga, a performance é boa com 48,5%, acima dos 43,5% verificados a nível nacional.

O Barómetro constata ainda que a taxa de desemprego é inferior entre a população com ensino superior, situando-se nos 4,3% na Região de Lisboa, contra 5,9% no conjunto do país. Por sua vez, a taxa de constituição de pessoas coletivas e entidades equiparadas atinge os 4,4%, enquanto os valores nacionais andam nos 3,3%.

Ainda assim, os problemas no mercado de trabalho são uma realidade já que a proporção de desempregados de longa duração é de 3,5% na Região de Lisboa, ultrapassando os 2,4% a nível nacional.

Sem grandes surpresas, a habitação é outra das áreas em que os resultados apurados pelo Barómetro revelam dificuldades. A taxa de sobrecarga das despesas com habitação atinge 9,6%, enquanto a média nacional é de 6,9%. Além disso, só 15,7% dos alojamentos foram construídos depois de 2000, percentagem que no conjunto do país atinge os 19,4%.

No indicador segurança, os números mostram alguma instabilidade uma vez que a Região de Lisboa regista uma taxa de furtos ou roubos por esticão e na via pública de 1,3 por mil, enquanto a média nacional anda nos 0,7 por mil.

Pela positiva, um dos indicadores em que região se destaca é o do turismo, com o número de visitantes de museus por habitante a situar-se em 2,6, contra 1,7 no conjunto do país.

O Barómetro da Qualidade também engloba a perceção dos residentes sobre as condições de vida, e algumas das vertentes valorizadas na Região de Lisboa foram a qualidade e cobertura dos transportes públicos, as possibilidades de teletrabalho, a participação em ações de voluntariado e as condições proporcionadas às famílias com filhos jovens. Por sua vez, a perceção dos residentes relativamente à limpeza e higiene urbana, estacionamento, ruído, segurança, equilíbrio entre a vida pessoal e profissional e impacto do turismo na região foram menos favoráveis.

Refira-se que neste Barómetro, a análise da Região de Lisboa corresponde às regiões NUTS II de 2024 da Grande Lisboa e da Península de Setúbal.

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