Larry Fink é chairman e CEO da Blackrock, empresa líder global em gestão de ativos e que detém $8.7 triliões de ativos sobre gestão, o equivalente a cerca de 40 vezes o PIB português. Na sua mais recente carta anual dirigida aos CEOs, publicada a 14 de Janeiro, a sua tónica foi mais uma vez para temas como propósito / purpose (palavra repetida 5 vezes) ou clima (palavra repetida 27 vezes).

Temas que, por sua vez, estão profundamente associados ao ADN da MAZE, empresa fundada em 2013 em parceria com a Fundação Calouste Gulbenkian, e onde temos tido o privilégio de acelerar e investir em soluções com impacto positivo na sociedade. No decorrer de um dos anos mais difíceis da nossa história e do recente anúncio da contração da nossa economia em 7.6%, ninguém questiona que tomar em consideração o impacto positivo na sociedade é absolutamente crítico.

Muitos argumentarão que, no rescaldo da crise, precisaremos de pacotes de investimento, linhas de tesouraria, etc. Não nego nada disso, mas suspeito que não será suficiente. Creio que além de perguntarmos o que pode ser feito, devemos perguntar também o que pode cada um de nós fazer. Mais, podemos aproveitar este momento único da nossa história recente, para não só fazer diferente como também ser diferente. Seja como líder de uma empresa / start-up, investidor ou outro, aqui fica uma humilde prescrição de três propósitos que podemos levar para as nossas organizações no rescaldo da pandemia.

Empatia
Se muitas vezes a analogia da família quando aplicada às empresas ou outras organizações é forçada, talvez este seja o momento em que se tornou justificada. Será que neste momento não devemos olhar para os nossos colaboradores da mesma forma que procuramos olhar para os nossos pais ou filhos?

Coragem
Precisamos de líderes corajosos em todo o lado, mas principalmente nas empresas que terão um papel absolutamente fundamental na recuperação pós-pandemia. Será que existe melhor momento da história para tomarmos decisões que sejam informadas por um liderança focada não em chefiar, mas em servir?

Alegria
No decorrer de um ano ano em que, de uma forma ou de outra, muitos de nós fomos levados perto do limite, talvez seja heroico pedir que sejamos uma fonte de estabilidade, alegria e serenidade. Mas será que existe missão mais nobre do que podermos ser uma fonte de elevação do espírito das pessoas nas nossas organizações?

Para terminar, o que é que isto tudo tem a ver com a MAZE? Nada e tudo. Quem vê a MAZE talvez veja aceleração, investimento, start-ups. Quem conhece a MAZE e a forma como trabalhamos sabe que para além de fazer, procuramos ser.

_________________________________________________________________________________________

Luís Fonseca é diretor na MAZE, empresa de investimento de impacto criada pela Fundação Calouste Gulbenkian. É responsável pela área de aceleração, através do programa Maze X, e consultor de estratégia e gestão convertido num empreendedor de impacto. Foi Associate na McKisney&Co, onde trabalhou com multinacionais de várias indústrias, depois de ter trabalhado como marketing manager na Procter & Gamble, em Genebra. Tem um MBA na INSEAD e um MSc em Marketing no ESADE.

Comentários