Portugal Tech League revela conclusões de inquérito ao ecossistema nacional de inovação

Acesso a financiamento e atração de talento são os temas mais urgentes na implementação do Startup Nations Standard, segundo o inquérito efetuado pela Portugal Tech League.

A Portugal Tech League divulgou os resultados de um levantamento realizado junto do ecossistema de inovação para perceber como foram acolhidas as oito recomendações da Comissão Europeia para impulsionar o desenvolvimento de start-ups e scale-ups dentro da economia europeia, criando um ecossistema mais atrativo para start-ups até 2030, e quais devem ser priorizadas e qual a melhor forma de promover a sua implementação.

As recomendações, refira-se, serão implementadas, a partir de Portugal, pela  European Startup Nations Alliance (ESNA), entidade lançada em março de 2021 durante a presidência portuguesa do Conselho da União Europeia (UE), conjuntamente com 26 Estados-membros e a Islândia.

De acordo com o inquérito agora apresentado, e no qual participaram 40 players do ecossistema de inovação europeu (44,1% de representantes de associações empresariais, líderes empresariais e fundadores de start-ups e scale-ups; 11,8% de académicos; 8,8% de investidores), a principal força do Startup Nations Standard (SNS) é o facto de estabelecer um caminho para unificar o Mercado Único Europeu e fazer com que o ecossistema de start-ups europeu cresça de uma forma consistente.

Contudo, mais de 44% dos inquiridos vê a sua natureza não vinculativa, em termos legais, como um obstáculo à sua adoção e defende que algumas das recomendações devem ser priorizadas. O acesso ao financiamento e atração e retenção de talento são destacados por mais de 52% dos inquiridos.

A análise mostra também que o ecossistema de inovação acredita que as normas do Startup Nation Standard têm o alcance certo. Porém, na opinião de 47% dos inquiridos poderia ser mais ambicioso, porque no formato atual as recomendações não acautelam alguns desafios como, por exemplo, a fragmentação do mercado europeu de capital de risco e investimentos transfronteiriços.

Por isso, 71% dos inquiridos apelam à criação de medidas políticas mais fortes, centradas na atuação sobre as barreiras fiscais e legais que atualmente dificultam os investimentos transfronteiriços. 44,1% indicaram que deveriam haver mais e melhores incentivos fiscais ao crescimento, especialmente nas fases iniciais da start-up.

Além da prioridade no acesso a financiamento e na atração e retenção de talento, 47% dos inquiridos indicaram também que a inovação na regulamentação é a terceira questão mais prioritária a abordar. Para alguns inquiridos a regulamentação deve ser mantida a um nível burocrático mínimo, oferendo segurança jurídica, enquanto para outros a aposta recai em modelos de compliance mais acessíveis para start-ups.

Em relação ao papel da ESNA, a quem cabe a responsabilidade das normas pelos países signatários, cerca de 53% dos inquiridos esperam que a ESNA seja suficientemente dotada de recursos e proporcione a liderança estratégica que o ecossistema de start-ups europeu necessita.

38% diz ser fundamental a ESNA assumir um papel de liderança no mapeamento e na promoção de melhores práticas políticas para start-ups, assim como na alavancagem da massa crítica construída ao longo do tempo para propor melhorias e novas normas para futuras revisões do SNS.

Por sua vez, 50% dos inquiridos pretende que esta entidade assuma um mais papel político do que o anunciado, na medida em que deve aconselhar, defender e emitir recomendações aos Estados-membros da União Europeia.

Alguns dos players do ecossistema de inovação continuam pessimistas. 44,1% dos inquiridos receiam que o impacto positivo da ESNA possa ser mitigado devido à sua falta de influência política na conceção institucional da UE; 32,4% acredita que isso possa acontecer devido à falta de uma via institucional para esta entidade canalizar recomendações políticas; 26,5% referiu que a potencial falta de recursos da ESNA também poderá ser um obstáculo.

A falta de transparência e de controlo independente é segundo 35,3% dos inquiridos na análise o principal obstáculo ao impacto positivo da ESNA.

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