O nascimento de um filho ou uma filha é um momento maravilhoso na vida de qualquer pessoa. Como empreendedor posso dizer que é interessante passar a ter um CEO de meio metro em casa.

Este CEO é o melhor do mundo – controla a agenda de todos os colaboradores sem que eles se quer questionem. Principalmente os dois colaboradores que não saem da empresa. Seja preciso estar acordado toda a noite, seja obrigá-los a nunca dormir mais de duas horas de seguida, estes colaboradores adoram todo este trabalho de de 24 horas por dia, 7 dias por semana. Estes colaboradores dão tudo pelo seu CEO e não pedem nada em troca. Apenas a sua existência e saúde.

Acho que há sempre um medo tremendo de se ficar sem tempo para as exigências habituais de uma empresa a arrancar ou uma start-up a crescer ao se descobrir que se vai ser pai. Não há dúvida alguma de que são dois projectos de uma intensidade brutal. Intensidade psicológica, emocional e física até.

No entanto, já como dizia a expressão antiga: “um filho vem sempre com um pão debaixo do braço”. Sempre me pareceu que esta expressão era em resposta aos pais que não saberiam se tinham condições para cuidar ou alimentar o filho. E o veredito? A expressão está certa!

A auto-superação.
Quando achamos que já chegamos ao nosso limite, a nova dinâmica de um bebé em casa exige alcançar capacidades até então escondidas. Aprendemos a viver com um cansaço que está constantemente inundado por uma alegria nunca antes sentida. É uma vontade de mudar o mundo por um novo ser que ultrapassa qualquer exaustão ou lógica da razão.

O foco.
Ao contrário do que se pensa, não perdemos o foco no trabalho. Este é inclusivamente elevado ao seu expoente máximo devido a um desejo inexplicável de deixar um bom legado às futuras gerações. A partir do momento que temos um choro a responder sabemos exactamente por aquilo que lutamos. E se já sabíamos, acabámos de arranjar uma razão muitíssimo superior pela qual não aceitaremos o insucesso.

A relativização.
A partir do primeiro momento que vemos a cara do ser que nos acompanhará toda a vida (a cara do projecto de uma vida) criamos uma muralha com um seletividade incrível para distinguir o que nos trará real valor na vida ou para o que são simplesmente tretas. As prioridades tornam-se mais claras do que nunca e acabam-se algumas das indecisões que antes pairavam no momento de organizar a agenda e o nosso dia-a-dia.

O triângulo para a sustentabilidade pessoal.
Se tens mais do que três prioridades na tua vida, não tens prioridades.

– Já dizia Jim Collins, autor de vários livros sobre crescimento e sustentabilidade empresarial. Acredito que esta frase nunca se encaixou tão bem com o que aprendi em 2017 e com o que prevejo para o ano de 2018.

Tenho falado muito sobre Mohan Munsaginhe, um dos embaixadores do projecto que fundei, a Planetiers. Mas a verdade é que não há forma de não relembrar de ensinamentos que retirei das nossas conversas, seja sobre que assunto for.

Numa das conversas aquando da sua visita a Portugal, em Novembro de 2017, o professor galardoado com o Prémio Nobel da Paz em 2007 mencionou o conceito que ele apresentou na conferência das Nações Unidas Eco-92, ou Rio-92, sobre o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável: Sustainomics – os três vértices que temos que equilibrar de modo a desenharmos um triângulo perfeito para a sustentabilidade do nosso planeta e da nossa sociedade. Os vértices são Ambiente, Economia e Social. Estes alimentam-se. Numa espiral positiva que nos leva aos patamares que mais desejamos em prol da nossa qualidade de vida e a das gerações futuras.

No entanto, o professor fez uma analogia que foi inédita para mim. Ele disse que cada um de nós tem o seu próprio triângulo para a sua própria sustentabilidade pessoal. Nesta caso os vértices são:

Ambiente – o conforto com o ambiente que nos rodeia e a nossa saúde.

Economia – o contentamento com o nosso trabalho e a forma com que ganharmos dinheiro.

Social – as nossas relações pessoais, onde se destaca quem consideramos família.

Estes são os pontos em que precisamos de focar as nossas energias para que este nosso triângulo seja equilibrado e consigamos caminhar para o sucesso (independentemente do que este signifique para cada um).

Num ano 2018 que se avizinha intenso, recheado de novidades e um forte crescimento para a empresa é importante acima de tudo reforçar a organização pessoal. No entanto, com todas estas novas responsabilidades há uma razão pela qual me permito almejar tais altos voos – esta equipa formidável da Planetiers com quem tenho o prazer de trabalhar, aprender, ensinar e partilhar os sonhos mais ambiciosos pelos quais lutamos diáriamente.

Acho que tendo em conta a luta incessante da Planetiers por um mercado mais ecológico e sustentável, mais o aparecimento do novo elemento da família, que tem em mim o mesmo efeito que uma pequena poção vinda de uma aldeia gaulesa, prometem um ano fabuloso. A minha força neste momento é infindável. Talvez seja esta a sensação do somatório desses três vértices do triângulo para a sustentabilidade pessoal. Eu acredito que sim.

E, por isso, é este o desafio que lanço a todos vós para este ano de 2018: apostem tudo no vosso triângulo pessoal.

Façam de tudo para que a vossa biografia não tenha arrependimentos.

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Sobre o autor

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Sérgio Ribeiro é CEO e cofundador da Planetiers. Concluiu o mestrado em Engenharia Biológica no Instituto Superior Técnico de Lisboa. A sua tese de mestrado baseou-se na otimização da gestão de efluentes numa fábrica de biodiesel da Galp. Nos últimos... Ler Mais