Não vos vou maçar com mais teses e análises sobre o final da saga Game of Thrones (embora me apeteça muito e exista material mais do suficiente para isso…), mas há uma nota que retive, porque considero particularmente relevante, e que queria trazer para aqui: a tese do vencedor improvável!

De facto, Bran Stark não liderava seguramente no topo das apostas de quase ninguém, e por muito que se adivinhasse a sua importância no contexto mais alargado da narrativa, não se afigurava óbvio que fosse ele o vencedor da Guerra dos Tronos.

É aqui que encontro um paralelo com a realidade, se vista pelo prisma da inovação pelo menos. Como me disse uma vez o editor de Ciências do jornal Público, quando lá trabalhei, as notícias que vão verdadeiramente moldar o futuro raramente chegam sequer a ter honras de rodapé nas capas dos jornais, e estão normalmente enterradas nas últimas páginas dos jornais.

A verdade é que, enquanto nos debatemos com os números das sondagens para as várias eleições, as polémicas em torno do VAR, os conflitos no Médio Oriente as diatribes online do presidente dos EUA, há todo um mundo que evolui em silêncio e longe das capas dos jornais de referência.

Na semana passada foi divulgado o Startup Energy Transition, um report que compila as 100 melhores start-ups do campo da Energia em 2019. Da responsabilidade da German Energy Agency, em parceria com o World Energy Council, este documento analisa e avalia, pelo terceiro ano consecutivo, cerca de 450 start-ups, de 80 países diferentes.

Feitas as contas, encontrámos várias alumni nossas (ADAPTRICITY AG, Chakratec, envelio, Equota, Hygge, OneWatt, Relectrify, WePower, Odit-e, Enerbrain e The Eco Wave Power), de quatro diferentes programas geridos pela Beta-i (Free Electrons, EDP Open Innovation, SOL Housing e Bluetech). O que quer dizer que 11% das 100 melhores start-ups mundiais de uma área tão relevante como a Energia passaram por programas nossos!

Por outro lado, e no contexto do seu caderno dedicado às maiores plataformas de inovação de 2019, a revista Global Finance, uma prestigiada publicação internacional de economia e negócios, acaba também de atribuir uma relevante distinção à Beta-i, que descreve como sendo um dos “25 Melhores Laboratórios de Inovação Financeira” do Mundo.

Esta lista, chamada “25 Best Financial Innovation Labs”, e que se insere numa peça mais alargada de nome “The Innovators 2019”, avalia anualmente os mais importantes centros de disrupção financeira a nível internacional. Ver a Beta-i junto de outras 24 referências globais de inovação financeira e de pagamentos, entre as quais se contam o Barclays Accelerator, o Deutsche Bank Innovation Labs, a PayPal Innovation Lab, a Santander-InnoVentures, o Wells Fargo Startup Accelerator ou o reconhecido StartupBootcamp, apela a mais do que o orgulho ou à vaidade.

De facto, existe uma oportunidade para países como Portugal se posicionarem para permitir a experimentação controlada destas tecnologias, especialmente no contexto da transformação digital dos bancos e do sistema financeiro. O paradigma industrial anterior, em que éramos competitivos por causa do baixo custo da mão de obra, está definitivamente encerrado. Mas a economia digital oferece-nos uma oportunidade ainda melhor de posicionamento, e com maior geração de riqueza, por assentar em trabalho mais qualificado, e por não ser  um ciclo apenas controlado por multinacionais estrangeiras que aqui deslocalizam a sua produção.

Mais do que enumerar todo um rol de prémios e conquistas, o ponto que queria aqui sublinhar é este: a disrupção digital está aí e a economia e os negócios vão ver a sua face alterada, quer queiram quer não. Mas desta vez há a oportunidade de ser também feita a partir daqui, por empresas e ideias de negócio locais, como conhecimento e centros de decisão nacionais. E muitas delas já começaram o seu caminho, de forma silenciosa…
Aqui na Beta-i estamos atentos a este fenómeno, mas  se não querem ficar mais uma vez surpreendidos com o vencedor, especialmente se ele for improvável, é melhor começarem também a prestar atenção. Pela nossa parte, prometemos ajudar no que for preciso!

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