No passado dia 25 de março, tive a oportunidade de ser convidada pelo Ricardo Pereira para participar num projeto pioneiro. O seu objetivo era criar 12 podcasts com gestores e empreendedores do mercado nacional onde pudessem partilhar, a partir da sua própria história de vida pessoal e profissional, quais são os seus 7 mindset secrets – as 7 atitudes ou formas de estar na vida e nos negócios e que são a base do seu sucesso e progresso, das suas equipas e das organizações que lideram atualmente e que já lideraram no passado.

Foi um exercício muito pertinente, pois, o nosso dia-a-dia é tão ocupado que não temos tempo nem a quietude mental, para nos colocar-mos questões suficientemente pertinentes e “intrusivas” para nós próprios. Questões  que nos fazem refletir de forma profunda.

Foi muito enriquecedor para mim, como exercício pessoal, e muito valioso, pois permite-me partilhar com todos vós, aquilo que aprendi ao longo de todos estes anos. Poder partilhar com quem gosta de aprender mais sobre liderança, transformação pessoal, motivação e superação a partir de histórias de vida reais, é muito mais enriqueceder do que qualquer livro sobre o assunto.

As minhas 7 atitudes resultaram de questões que coloquei a mim própria e deixo aqui algumas, que podem vocês próprios colocar-vos. Surpreendam-se com as respostas (eu surpreendi).

Como lidei com as pessoas e equipas ao longo do meu percurso?
O que esperavam as equipas, colaboradores e shareholders de mim? E eu deles?
O que era importante para mim, em cada desafio que me colocavam?
O que é que elas me ensinaram por forma a ser quem sou?
Que fatores estão na base do sucesso das organizações por onde passei?
Quais os fatores de insucesso? O que aprendi com eles?
Como reagi em situações de insucesso?
Como lidei com frustrações?
Como criei situações que me permitiram visionar o futuro para as organizações?
Como se caracteriza o meu processo de aprendizagem na liderança de organizações ao longo destes anos?Quando atingia os meus objetivos, o que signficava isso para mim?
O que me apaixonava todos os dias?
O que representavam para mim?

A primeira frase ou afirmação que me surgiu na cabeça foi “tive sorte”. Tive, em grande parte das situações, estava no contexto certo, com as pessoas certas, o restante foi trabalho e dedicação. Mas “a sorte dá muito trabalho”, essa é que é a grande verdade.

A propósito de sucesso e da importância do auto-conhecimento, lembro-me de uma metáfora que partilho convosco.

“Certo dia, um cavalo desconhecido entrou no quintal de uma quinta alheia. Ninguém sabia de onde viera, pois não apresentava nenhuma marca por meio da qual pudesse ser identificado. Os donos da quinta não poderiam ficar com ele – certamente já tinha dono.

O dono da quinta resolveu levá-lo de volta para o dono. Montou no cavalo, levou-o até a estrada e simplesmente confiou no instinto do cavalo para voltar para casa. Só intervinha quando o cavalo saía da estrada para pastar ou para entrar numa planície. Nessas ocasiões, o dono da quinta guiava-o com firmeza de volta à estrada.
Dessa forma, logo o cavalo voltou para seu dono. O dono ficou surpreso ao ver o cavalo e perguntou ao dono da quinta:
– Como soube de onde vinha o cavalo e que era nosso? O dono da quinta respondeu:
– Eu não sabia, o cavalo é que sabia! Tudo que fiz foi não deixar que ele se desviasse do seu caminho.”

Quem sabe do seu sucesso e o que quer para si? Só nós próprios é que o sabemos. E se não o soubermos, acreditem que alguém ou a vida vai escolher por vós. É mesmo isso que querem?

Vamos lá então aos 7 mindset secrets.

#1 Coloca toda a tua paixão no que fazes e com quem fazes. Tenho um lema ao longo da minha vida: acredito para ver, em primeiro lugar e não “ver para crer”. A paixão é um foco de energia, combustível altamente inflamável, “trigger” do sucesso;

#2 Resiliência. Vejo sempre, mas sempre, o “copo meio cheio”. Quem me conhece sabe que é assim. Em todas as circunstâncias, há um lado positivo. Pode não ser visível de imediato, mas a verdade é que mais tarde ou mais cedo, vamos perceber. Tudo acontecerá no momento que tem de acontecer. Acreditar sempre em nós, em primeiro lugar.

#3 Arriscar. Sair da zona de conforto, constantemente, até ao ponto em que já “não dói mais”. É normal termos bloqueios, que são sobretudo mentais (isto digo-vos com conhecimento de causa). Há obstáculos também. Importante muitas vezes pedirmos ajuda para nos ajudar a dar os “saltos de fé”.

#4 Aprender a perdoar. Passam pelas nossas vidas muitas pessoas. Algumas ajudam-nos a crescer, mas com “mais dor”. Aprender a perdoá-las é importante para seguir em frente. Afinal de contas, aprendemos com elas, para sermos muito maiores e melhores do que elas.

#5 Não queiras mudar o mundo, pelo menos, todo de uma vez só. Antes de quereres fazer isso, dá duas voltas à sala. Grande parte das vezes, focar-nos em pequenas coisas, uma atrás da outra, faremos grandes mudanças para nós e para o mundo à nossa volta. Isto faz-me lembrar uma metáfora, sobre um senhor que andava numa praia que tinha sido “inundada” por estrelas do mar. Havia-as por todo o lado. Ele pegava nas estrelas do mar e atirava-as de novo para dentro do mar. Passou um senhor e disse “o que quer fazer é impossível – nunca conseguirá salvar todas!” Ao que o senhor respondeu: “ é verdade, mas estas, poucas, serão salvas!”

#6 Não queiras mudar pessoas. Elas têm que querer genuinamente mudar e fazer isso chama-se atitude. Cada pessoa é um ser único e o que devemos fazer de forma inteligente é tirar o que de melhor elas têm, em prol do seu crescimento e da organização. Também existirão sempre pessoas “tóxicas” à nossa volta, maldosas e mal intencionadas. Podes influenciar a mudança, ajudar a mudar, mas não podes controlar e, por isso, pode chegar o momento de deixar ir…têm de ir, deixá-las para trás, porque não merecem o teu respeito, dedicação e preocupação. O importante é não te prenderes muito tempo com a situação, sob pena, de outros danos colaterais, para ti e para outros.

#7 Humildade, não sabemos tudo. Sócrates, o filósofo dizia “só sei que nada sei” – grande verdade e que permanece até aos nossos tempos. Não sabemos tudo, nem quando chegamos ao topo. Aliás, acho que quanto mais alta se torna a nossa responsabilidade, tanto maior deverá ser a nossa humildade e vontade de aprender com o mundo e com as pessoas à nossa volta. Saber ouvir de forma consciente e aprender com todos é uma grande virtude, e só com humildade poderemos ser bem sucedidos.

Votos de bom sucesso a todos!

Para quem quiser ouvir o podcast completo pode fazê-lo aqui : https://lnkd.in/gZxPwWY

Comentários

Sobre o autor

Avatar

Sónia Jerónimo tem mais de 20 de experiência na área da gestão e liderança de empresas ligadas às tecnologias de informação. Após a sua licenciatura em Economia, iniciou a sua carreira no mundo académico como professora nas áreas de Economia... Ler Mais